Lucila
O som da respiração tranquila de Olavo trouxe um sorriso suave ao rosto de Lucila.
Pensava em uma forma de se levantar sem acordá-lo, pois nesse momento a criança dormia em um lugar improvável; em seus braços.
Na noite passada, depois de alimentá-lo, ela o levou até o banheiro para que ele se lavasse e se aquecesse, e também porque precisava se livrar das roupas molhadas. Olavo colocou suas roupas no corredor dobradas como se estivessem limpas, e em seguida fechou a porta.
Ele era uma criança desconfiada e meticulosa, muito diferente das que Lucila estava acostumada a lidar.
Enquanto ele tomava banho, ela lavou e secou sua roupa, e percebeu que eram peças bem gastas de segunda mão, possivelmente ele estava nas ruas pois só isso para explicar o estado em que o abrigo e o tênis estavam.
Quando ele disse que já tinha acabado, ela levou um roupão até a porta, e por uma fração de segundos conseguiu vislumbrar parte de suas costas e braços. Imediatamente seus olhos marejaram.
Olavo era bem mais magro do que ela tinha suposto, seus ossos eram visíveis e ele tinha hematomas nas costas. “Quem pode ter feito isso com uma criança, meu Deus!”
Os pensamentos dela ficaram tão atormentados com aquilo, que nem percebeu que o menino havia aberto a porta. Lucila fungou, escondendo seu choro com uma respiração profunda, e entrou no banheiro para verificar se precisava avisar o pessoal da limpeza no dia seguinte.
Mas para sua surpresa, o banheiro estava impecável. Não havia sujeira no chão ou nas paredes e até a água foi seca. Ela olhou para ele, pensando em dizer que ele não precisava se preocupar com isso.
Olavo bocejou, seus lindos olhos adornados de olheiras profundas. Há quantos dias ele estava sem dormir? Com fome e frio, nos perigos das ruas?

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