Vitório
Seu peito subia e descia ferozmente, enquanto esquadrinhava o rosto corado e viçoso de sua esposa. Com uma mão de cada lado da cabeça dela, e o corpo pressionado contra a maciez cálida de Lucila, Vitório se perdia na raiva e no desejo.
A boca dela estava entreaberta e seus olhos azuis transpareciam o choque que ele causou.
Mas não se importava!
Tudo o que queria saber agora, era com quem Lucila passou a noite!
Vitório ainda queimava de raiva quando chegou em casa e ignorou a velha Ludmila que disse para ele não acordar sua menina. Aquela maldita velha certamente estava querendo acobertar o que estava acontecendo.
Segurou o queixo dela com firmeza, imaginando se aquele homem que estava no quarto dela a beijou, se a tocou como ele sempre quis tocar, se provou de seu gosto indescritível.
Sim, porque nenhum homem seria capaz de resistir ao tipo de tentação que Lucila representava.
Vitório ainda não conseguia acreditar que ela decidiu trocá-lo por outro. Estava em seu estúdio bebendo um café amargo quando resolveu verificar se Lucila já estava acordada através das câmeras.
Ela não sabia que havia uma na suíte, mas ele fez isso para o seu próprio bem e para a paz de espírito dele; para ter certeza de que Lucila sempre estava segura.
Pensou que estava ficando louco quando viu uma segunda cabeça no travesseiro, e um braço magrelo abraçando o pescoço da sua esposa. Não sabia como chegou a Alphaville Park tão rápido.
- Me responda! – ele bradou.
De repente, Lucila tapou sua boca com a mão minúscula feminina, e o olhou com ... advertência?!
Que porra estava acontecendo aqui?!
Não conseguia acreditar que além de ter colocado um homem dentro de casa, ela ainda tentava protegê-lo! Ela estava apaixonada, era isso?!
As chamas do ciúme consumiram o seu peito, causando uma dor quase insuportável. Lucila não poderia ter permitido que outro a tocasse, que a beijasse, e muito menos que dividisse sua cama.
Ele se livrou da mão dela com um gesto brusco. Seus olhos fixos no dela, um gosto horrível na boca crescendo cada vez mais.
- Você dormiu com ele?! – perguntou enfurecido. – ME RESPONDA!
Os olhos de safira escureceram em segundos, e a onda de choro que ele esperava não aconteceu. Mas ele não esperava pelo tapa que cortou sua face.
Por minutos inteiros, Vitório sentiu o ardor em seu rosto, completamente petrificado.
Seu corpo ficou rígido, a mandíbula cerrou, e seus punhos também. Já havia causado muitos problemas para ela, e agora que Lucila estava se afastando dele deveria ficar aliviado. Mas não conseguia se mexer, não conseguia deixá-la com o homem que dormia tranquilamente embaixo do cobertor. Ele queria agarrar sua esposa, colocá-la sobre seus ombros e levá-la para o mais longe possível dessa pessoa.
E assim, quem sabe, ela não poderia esquecer... e ser dele.
“Vá embora, Vitório. – ela finalmente sinalizou com as mãos. – Por favor...”
Não achou que conseguiria ficar mais chocado, mas é o que está acontecendo agora. Ele estava acontecendo agora. Lucila estava deixando claro que não queria ele ali; ela estava o expulsando como se ele fosse o intruso.
Vitório sentiu seu sangue ferver, e antes que pudesse perceber o que estava fazendo, agarrou Lucila pelos ombros e a levantou, trazendo seu corpo para ele. Não podia suportar a ideia de ser descartado por ela.
- Você é minha esposa! Entendeu! – rugiu entre dentes, fazendo ela se encolher em seus braços. – Não pense que pode se livrar de mim, porque você não pode!
Com os olhos fechados, as lágrimas corriam livremente pelo rosto de Lucila, e ele se odiou por fazê-la chorar. Mas não podia deixá-la ir, agora sabia que além de ser um monstro obscuro, ainda era egoísta e dependente do calor de sua esposa para sobreviver. Os lábios trêmulos o atraíram, a vontade de tomar a boca dela crescendo gradativamente.
- Lucila...? – uma voz fina, sonolenta, ...infantil o interrompeu.
Atordoado, Vitorio desviou os olhos para a figura pequena que esfregava os olhos, entre os travesseiros alvos de sua esposa. O olhar verde prateado encontrou o dele, ainda turvos pelo sono... E por um instante, Vitório sentiu seu coração parar dentro do peito.

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