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A Esposa Muda do CEO romance Capítulo 61

A cada palavra que lia, mais suas sobrancelhas se apertavam em descrença e inconformidade. Isso era ressentimento? Ela estava ressentida por ele ter saído de casa somente para protegê-la?! Devolvendo o aparelho, Vitório se sentou na beirada da mesa, colado aos braços da poltrona onde ela estava.

- Esse teu ressentimento é novidade. – disse tentando soar normal, mas sabia que não foi assim que saiu. As atitudes de Lucila estavam revirando sua cabeça. Era como se ela fosse outra pessoa! – Sabe que fiz isso para que as coisas não se complicassem entre nós. Vamos voltar ao assunto da criança. Como ele chegou aqui?

Ela pegou o aparelho, mas dessa vez parecia detestar a ideia de olhar para ele, pois praticamente ignorou sua presença tão perto. Vitório cruzou os braços na altura do peito, e a observou. Lucila era linda, belíssima em sua serenidade, mas agora que estava com raiva, ela conseguiu ficar mais atraente ainda.

O nariz arrebitado, a boca vermelha marcada pelos sentimentos turbulentos, e a postura firme, altiva, parecia uma deusa invencível. Seus nervos vibraram na força que ele fez para não tocá-la, porque neste momento não conseguia evocar a imagem da doce garotinha que tocava piano escondido.

Agindo desse jeito, com tanta petulância, e superioridade, ela só podia ser vista como a porra da mulher mais desejável desse mundo.

“Estamos casados, e você deveria saber melhor que eu no que isso implicava. Mas isso não vem ao caso, Vitório. Quero deixar claro que não sou mais a tola Lucila que você conheceu e que aceitou tudo o que você quis fazer. Você me ofendeu e me magoou, e a única coisa que eu quero agora é que me respeite, e as minhas decisões também.” – ela mostrou a mensagem, seus olhos afiados como adagas de gelo.

Foi isso o que ela se tornou?

Por que?

Suas decisões para protegê-la e mantê-la intocada provocaram mais estragos do que ele imaginou. Agora sua esposa o odiava? Ela obviamente estava magoada, mas esse seria o estopim de tudo o que aconteceu entre eles durante esses anos.

Mesmo que assim fosse, foi o que conseguiu fazer para impedir que Lucila se machucasse ainda mais. Porque se fossem um casal de verdade, jamais se perdoaria pelo que teve que fazer para manter sua esposa e sua família a salvo da ruína e do escrutínio.

Lucila não esperou que ele respondesse, tirou o aparelho de suas mãos com um gesto firme.

“Mas vamos falar do meu suposto amante. Ontem a noite fui pegar um chá, e vi aquela criança encolhida debaixo da tempestade, na saída do portão. Fiz o que qualquer ser humano faria, eu o abriguei e o alimentei. Ele está todo machucado e desnutrido, obviamente estava sem comer há dias. Então eu o deixei ficar, e ele me pediu socorro até em seus delírios. Vou ajudar esse menino, em tudo que eu for capaz, e não há nada que possa me impedir.”

Vitório leu cada palavra que Lucila digitou como se recebesse uma rajada de balas no peito. A mulher sentada diante dele, não parecia em nada com a menina doce e compreensiva que ele havia deixado para trás dois anos antes, tentando protegê-la do próprio mundo sombrio em que vivia.

A Lucila que agora atirava aquelas verdades como facas afiadas, sem sequer usar a voz, sem usar palavras audíveis, e ainda assim, tão absurdamente contundente, feria seu orgulho como homem, mas também deixava sua determinação em frangalhos.

Ele estava furioso.

O tom implícito nas frases dela o acusava, o desafiava, e apontava tudo o que ele evitava olhar; e ela fazia isso com uma calma perigosamente afiada, que mais parecia a lâmina de um bisturi entrando na carne e a rasgando profundamente.

E, no entanto, sob toda essa ira, um sentimento ainda mais perturbador se formava em seu âmago.

Fascínio.

Lucila era muda, mas naquele momento falava mais alto do que qualquer voz que ele já ouviu na vida. Ela havia se tornado uma força intransponível que acabou de dobrar o seu ego, uma mulher que agora conhecia sua própria vontade, que o enfrentava como igual.

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