POV: AIRYS
Daimon agarrou meu pescoço com firmeza, dominante, sem me ferir. Sua mão quente pressionava minha pele sensível, me puxando para mais perto de seus lábios até nossos olhares se alinharem. Meu corpo estremeceu com a intensidade dele. Seus olhos terrosos cintilavam em vermelho, Fenrir à espreita, ardendo entre nós.
— Não mais do que eu a amo, minha rainha. — A voz dele saiu carregada, grossa, vibrando entre nós. Seus olhos desceram lentamente para os meus lábios antes de voltarem aos meus, me prendendo sem chance de fuga. — Podíamos deixar Jasper de babá e irmos para casa.
— Ei, eu estou aqui e ouvindo vocês dois... fala sério... — Jasper bufou, revirando os olhos enquanto se levantava com aquele ar debochado. — Vão lá, eu seguro os pestinhas.
Mas antes de nos afastarmos, vi Savanna correndo em pequenos saltos. Seu rosto parecia diferente, iluminado, mais leve e muito mais feliz do que em qualquer outro momento. Meu peito aqueceu ao vê-la assim.
Ela trabalhava comigo no hospital, era a médica-chefe do centro de trauma, uma parceira incansável. Juntas abrimos vagas para novos médicos, formamos residentes, criamos um programa sólido que nos enchia de orgulho. Os pilares do hospital foram reerguidos, alianças com novas alcateias foram seladas, e hoje recebíamos pacientes e alunos de todos os estados. Tudo prosperava, como deveria ser.
— Qual o motivo de toda essa felicidade? — perguntei, arqueando a sobrancelha.
Jasper se virou para sua companheira, puxando-a para mais perto e deixando um beijo estalado em sua bochecha, o que fez Savanna sorrir ainda mais.
— Devo ficar com ciúmes? — ele provocou, arqueando uma sobrancelha com aquele olhar maroto. — Quem foi que te deixou tão feliz assim?
— Você! — Savanna riu, os olhos brilhando, erguendo o teste diante dele com as mãos trêmulas. — Estamos grávidos!
Por um segundo, Jasper congelou. Os olhos dele se arregalaram e logo depois cintilaram com um brilho diferente, carregado de emoção. O sorriso surgiu largo, quase infantil.
Ele a ergueu do chão num impulso, girando-a no ar com tanta euforia que o riso dela se misturou a um pequeno grito.
— Eu vou ser... eu vou ser pai! — a voz de Jasper ecoou, rouca de incredulidade, quase um grito de vitória. Ele parou o giro apenas para encher o rosto e os lábios de Savanna com uma sequência de beijos apressados, ansiosos, apaixonados. — Você vai ser mãe... minha Bravinha, você vai ser a mãe mais linda e incrível que existe!
— Parabéns, beta. — Daimon declarou com respeito, a voz firme mas carregada de algo raro nele: reconhecimento sincero. — Ser pai é a maior conquista de um homem.
— Parabéns, meu amigo. — acrescentei com um sorriso maroto. — Agora chega de tequila pra você. — Provoquei, e Jasper caiu na risada, balançando a cabeça.
Ele não se conteve.
— Pirralhos! — gritou, levantando os braços no ar. — Eu vou ser pai!
As crianças pararam no mesmo instante, os olhos arregalados e brilhantes. Alec foi a primeira a correr até ele, os bracinhos se enroscando em suas pernas com força.
— Tio Jasper vai ter um bebê? — ela perguntou ofegante, o rosto iluminado por pura alegria.
Theron não perdeu tempo, pulando no colo de Savanna e quase a derrubando.
— Eu sabia que vocês iam aprontar alguma! — disse, sapeca, mas sorrindo com orgulho.

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