(Ponto de vista de Kennedy)
Apoiei as costas no vidro, tentando recuperar o fôlego e o controle das pernas. "Por que as duas melhores experiências de tensão e desejo da minha vida tinham vindo de um homem que mal tinha me tocado?" Quando finalmente recuperei os sentidos, me despi e fui para o chuveiro com meu vibrador favorito, tentando aliviar o que ainda reverberava no meu corpo. Parte de mim torcia para que ele ouvisse qualquer sinal de que eu estava ali, enquanto outra parte se envergonhava por ele ter me afetado com tanta facilidade e não queria, de forma alguma, alimentar o ego dele.
Depois de três rodadas, minha energia enfim se esgotou. Era impressionante como minha imaginação ficava intensa quando ele era o centro dela. "Poderia acabar estragando a bateria recarregável se continuar assim…" Exausta, me enfiei na cama, e o meu humor mudou rapidamente enquanto me preparava para dormir, torcendo para estar cansada demais para que os sonhos fossem ruins.
No fim das contas, eu estava lidando com aquilo tudo melhor do que tinha imaginado. Os pesadelos ainda vinham, mas não do mesmo jeito. Eu não ficava mais presa neles, era como assistir a tudo de fora, sentada na plateia. Até o peso emocional parecia menor. Nada de acordar gritando, só aquela tristeza quieta pelas pessoas que eu tinha perdido. Às vezes, surgia a voz da Rayna na minha cabeça, inconfundível, dizendo que ter o Ryker por perto ajudava, ou que talvez fosse o cheiro dele.
No entanto, aquilo não descia para mim. Até porque não estava disposta a colocar esse mérito na conta dele. Para mim, não fazia sentido alguém ser apoio emocional e um baita pé no saco ao mesmo tempo. Preferia pensar que era eu mesma crescendo, aprendendo a encarar o que tinha acontecido e aceitando que aquela era a vida que eu tinha agora. E repetia isso todos os dias, quase como um mantra. "Quem sabe meu subconsciente não tivesse comprado a ideia também…"
Eu queria poder ligar para o Jer, o Ben ou a Rayna e conversar sobre tudo aquilo. Até falar com o Tommy já serviria. Mas não tive contato com nenhum deles desde que cheguei ali, e eu não sabia se era porque estavam ocupados vivendo as próprias vidas ou se era por causa do Ryker e das regras idiotas dele de me manter "contida". Pensar que a culpa era deles me ajudava a manter a raiva enquanto eu terminava de me arrumar para descer. Eu tinha pedido para o Bennet avisar que eu estava bem, caso ele tivesse autorização para falar por mim. Mas, como ele não comentou nada depois, eu não fazia ideia se tinha passado o recado ou não. Afinal, toda aquela situação me parecia absurda. Eu não fazia ideia de como funcionavam aquelas regras, e precisar de alguém como ponte para falar com meu próprio irmão era surreal, mas era a realidade que eu tinha que engolir por enquanto.
Na hora de me vestir, reparei em alguns roxos no meu corpo. Um eu até esperava, bem onde o ombro do Ryker tinha encostado em mim, mas os outros? Não fazia ideia de onde tinham vindo. Nenhum parecia sério, nada muito escuro ou grande, então achei que talvez eu tivesse me batido sem perceber, ou me debatido mais do que lembrava. Na verdade, eu não vinha me sentindo muito bem, só que isso podia ser por mil motivos. E com toda minha rotina virada de cabeça pra baixo, não seria surpresa se eu estivesse ficando gripada. O plano era simples: observar por uns dias, tomar chá, e se piorasse, conversar com a Robin sobre procurar um curandeiro.
Assim que entrei no refeitório, percebi que havia muito mais gente do que o habitual. Normalmente, os guerreiros que acordavam cedo já teriam passado por ali e estariam em patrulha. Eu, inclusive, sempre ajustava meus horários justamente para não cruzar com o turno deles, e não era por acaso. Apesar das cobranças constantes e das reclamações do Ryker, eu quase nunca saía da sede da alcateia, porque entendia o peso da rotina daqueles homens e a importância do trabalho que faziam. Como ainda não tinha clareza nenhuma sobre qual era o meu lugar ali, a solução mais fácil tinha sido simples: organizar cada passo meu para não atrapalhar e ficar fora do caminho sempre que possível.
Montei meu prato e deixei o olhar correr pela sala, tentando decidir onde sentar, porque o normal seria ficar com o Bennet e alguns dos guerreiros, mas eu não fazia a menor ideia do que tinha rolado depois que o Ryker me deixou no dia anterior. Por mais que eu até estivesse disposta a enfrentá-lo só para cutucar, eu não cruzaria a linha de colocar o trabalho ou a posição de outra pessoa em risco, ainda mais sabendo que tudo sempre acabava chegando nele, estivesse ele ali ou não. Eu não sabia exatamente o que ele tinha dito sobre eu manter distância, mas tinha certeza de que qualquer deslize sobraria para eles, do mesmo jeito que ele ameaçou fazer com o Jensen. E quando notei que o Jensen não estava ali no café da manhã, senti o peito apertar, torcendo de verdade para que o Ryker não tivesse batido nele só por ter me perdido, porque ninguém merecia pagar por isso.

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