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A Luna Indesejada do Alfa romance Capítulo 101

(Ponto de Vista de Kennedy)

Com um sorriso claramente cansado, Bennet tentou me chamar com um gesto, provavelmente esperando que eu fosse até ele depois de ter passado a noite inteira lidando com qualquer ameaça que aparecesse. Eu, porém, só balancei a cabeça em negativa. Assim que virei as costas e caminhei até uma mesa alta e solitária no canto do fundo, percebi que o rosto dele mudou na mesma hora, tomado por preocupação.

"Esses caras provavelmente sairiam dali em breve, então eu me sentaria depois…"

Ele ainda me olhou confuso, mas continuei caminhando sem parar. No momento que me sentei, percebi que, por puro hábito, não conseguia ficar de costas para o salão, então acabei presa ali, observando as pessoas. Enquanto isso, elas entravam e saíam, tentando e falhando miseravelmente em fingir que não estavam olhando para mim, sentada sozinha no canto, à medida que cochichavam novos rumores.

Logo comecei a revisar mentalmente tudo o que poderia fazer para a escola naquele dia, onde precisei lembrar de perguntar para Robin sobre meu notebook e meu celular. Ainda que ela precisasse me dar novos, pelo menos aquilo já me devolveria um pouco de liberdade, algo que eu não sentia havia tempo demais.

Provavelmente eu já estava absurdamente atrasada em tudo, e pensar nisso era o suficiente para fazer minha pele se arrepiar de inquietação. Por outro lado, a ideia de estudar na varanda nos dias de clima bom parecia perfeita.

Eu realmente adorava que o escritório que ela estava me deixando usar tivesse tantas janelas, porque me fazia sentir menos enclausurada e ainda me permitia observar a floresta mudando ao longo do dia. Mesmo assim, só de saber que eu não estava realmente "autorizada" a sair era o que mais me sufocava.

De repente, uma risadinha aguda me tirou dos meus pensamentos e, imediatamente, minha atenção se voltou para a entrada da sala de café da manhã. Ryker entrou, arrastando Amy logo atrás. Ela parecia completamente descabelada e… Bem f*dida.

"Então ela tinha passado a noite com ele depois dele ter saído dali me deixando furiosa e frustrada?"

A verdade era que eu nem sabia por que aquilo estava me incomodando tanto. Não deveria, já que nós dois não estávamos juntos, pouco importando o que a Deusa da Lua quisesse.

Ainda assim, considerando tudo o que ele tinha falado sobre eu me manter afastada dos guerreiros, seria o mínimo esperar que ele também mantivesse distância de outras mulheres, ao menos em público. Afinal, já era humilhante o bastante todo mundo saber que ele não me queria e que ainda planejava me rejeitar.

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— Ryker, você anda muito carrancudo de manhã… Se estiver precisando de algo para melhorar o clima, talvez eu possa resolver isso. — Cantarolando de propósito, ela elevou a voz o bastante para que todo mundo no cômodo escutasse, mantendo os olhos fixos em mim.

— Ué, vocês não ficaram sabendo? Agora eu estou proibida de passar tempo com vocês. Porque, aparentemente, eu distraio todo mundo, faço gente se machucar e ainda fico conversando demais com guerreiros do sexo masculino. — Deixei minha voz subir um pouco mais enquanto continuava:

— O que também é visto como flerte e, claro, uma falta de respeito com o meu companheiro. Então, nos próximos tempos, eu vou ficar no meu escritório ou no meu quarto. Talvez seja melhor vocês arrumarem outra coisa para fazer, porque vão acabar morrendo de tédio.

Assim que terminei, me virei e fui embora. Enquanto caminhava, respirei fundo várias vezes para engolir o nó que se formava na minha garganta, piscando rápido para conter as lágrimas. "Eu iria superar isso. Ele não merecia minhas lágrimas…"

Se o Ryker resolvesse vir atrás de mim para reclamar da cena que eu fiz no café da manhã, ia ter que correr para me alcançar. Eu fui direto para o escritório e me larguei no sofazinho que tinha ali. A essa altura, a fome já tinha sumido completamente. E, no fundo, eu sabia que não devia deixar ele mexer tanto comigo daquele jeito, mas mexia.

Desde que nos conhecemos na festa da Rayna, eu não consegui sequer pensar em estar com outra pessoa que não fosse ele. Sempre que imaginava sair com alguém ou ficar com alguém, era o rosto dele que surgia na minha mente. E, ainda assim, ele parecia completamente imune a mim, a ponto de entrar ali com uma mulher pendurada no braço, provavelmente depois de passar a noite inteira com ela, e não me dedicar mais do que um simples olhar.

No fim das contas, ele não sentia absolutamente nada. E, sendo bem sincera, era exatamente isso que todo mundo dizia sobre ele. Eu sempre acreditei que o tal vínculo de companheiros deixava o parceiro impossível de resistir, mas talvez isso só funcionasse entre lobos. Eu era humana, não tinha uma loba dentro de mim. E talvez por isso também não existisse nenhum tipo de atração por mim, como aquela que o Jeremiah sentia pela Rayna.

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