(Ponto de Vista de Kennedy)
Minha cabeça latejava. "Será que eu tinha bebido ontem à noite? Não, acho que não tinha bebido nada desde que me mudei…" Apesar da vontade de abrir os olhos, minhas pálpebras pesavam tanto que mal se moviam. Era como se estivessem coladas.
Ainda assim, eu estava tão confortável que não queria me mexer por mais um tempo. A escuridão me chamava de volta. "Só mais alguns minutinhos." Então respirei fundo e me afundei ainda mais no cobertor macio que me envolvia.
Quando voltei a recobrar a consciência, a primeira coisa que senti foi um formigamento espalhado por todo o corpo.
— Ei, docinho. Consegue me ouvir?
— Oi? — Murmurei. Eu reconhecia aquela voz grave e vibrante, e, por algum motivo, gostava dela muito mais do que deveria. Eu nem lembrava mais de onde tinha saído aquele pensamento. No entanto, enchi os pulmões de ar mais uma vez. E o perfume dele me cercou na mesma hora, fresco, com aquele toque de alecrim e hortelã que me envolvia por completo.
"Aquilo não fazia sentido. Ele não deveria estar ali comigo…" Respirei de novo, tentando entender o que estava acontecendo. "Talvez eu ainda estivesse sonhando. Porque, no fim, ele sempre escolheria alguém como a Amy… Não alguém como eu…" Inspirei fundo e soltei o ar. "Estava bom demais para ser real…"
— Kennedy?
— O quê? — Sussurrei. Minha voz saiu áspera, como se fosse cascalho.
Ele riu baixo, tão perto da minha orelha que um arrepio percorreu meu corpo inteiro.
— Abre esses olhos para mim, linda.
Soltei um pequeno gemido de protesto.
— Não. — Acabei me acomodando ainda mais na cama. Ela era confortável demais, e o sonho com o Ryker estava simplesmente perfeito… Por isso, eu não tinha a menor vontade de abrir os olhos e acabar com aquilo.
— Por que não? — Senti uma leve pressão nas minhas costas.
— Porque é um sonho bom. Eu não quero que ele desapareça.
A risada grave dele fez outro arrepio correr pela minha pele.
— Então por que você não abre os olhos e confere se realmente é um sonho?
Resmunguei de novo, respirei fundo mais uma vez e, lentamente, entreabri os olhos. A primeira coisa que vi foi a garganta mais sexy que já tinha visto na vida. "Uma garganta podia ser sexy?" Inclinei a cabeça devagar e percebi que estava tão perto que meu nariz quase roçava a pele quente diante de mim. "Isso explicava por que o cheiro dele estava tão forte…" Senti o pomo de Adão dele se mover e vi arrepios percorrerem a pele dele.
Quando finalmente não consegui mais adiar, levantei o olhar e encarei aqueles olhos verdes esmeralda.

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