(Ponto de Vista de Kennedy)
Todos ficaram apenas me olhando, e essa era justamente a parte que eu mais odiava: a pena nos olhos deles. Não havia nada que qualquer um de nós pudesse ter feito de forma diferente. Isso era algo que eu já tinha aceitado. A situação era o que era. A única parte com a qual eu ainda lutava era a lembrança de estar ali, presa, com os corpos sem vida dos meus pais ao meu lado.
Respirei fundo, e Ryker me puxou ainda mais para perto. Foi então que percebi que ele estava me abraçando, em público, e, surpreendentemente, eu não me sentia nem um pouco desconfortável.
— Já faz mais de três anos. Não estou dizendo que não dói às vezes, mas também não posso passar a vida inteira me colocando como vítima. Os pesadelos melhoraram, o que torna tudo um pouco mais fácil para mim. — Ergui os olhos para Ryker no instante em que uma percepção me atingiu. Meus pesadelos tinham melhorado desde que eu me mudei para cá... E mesmo quando eu estava no pior momento com ele, eles não voltaram. "Será que ele também tinha percebido essa mudança?"
— O quê? — Ele se afastou um pouco para olhar diretamente para o meu rosto.
— Eu não tenho certeza. — Ele parecia confuso, e eu não podia culpá-lo, porque nem eu mesma conseguia explicar aquilo.
Terminamos de comer e então voltei a me encher de camadas de roupa para irmos juntos até o campo de treinamento. Dessa vez fui com Ryker no automóvel dele. Não conversamos durante o caminho, porém o silêncio entre nós também não pareceu estranho.
Assim que meus pés tocaram o chão, alguém me pegou no colo e me jogou por cima do ombro, sob uma chuva de risadas.
— Mas… Que porr*! — Empurrei as costas da criatura que me carregava e percebi que era Danny. — O que você está fazendo?
Ele estava pulando, literalmente pulando como uma criança, e aquilo estava fazendo um estrago na minha bexiga.
— Bennet e o Alfinha já ficaram tempo demais com você. Agora é a minha vez, hoje você é minha parceira! — Ele gargalhou enquanto começava a correr, mesmo com Ryker gritando atrás dele para parar com aquela palhaçada.
As crianças soltaram gritos e risadas com as loucuras de Danny, e acabei entrando na brincadeira também. Aquilo era ridículo, mas também era divertido. Na sequência, ele me colocou no chão no lado mais distante do campo de treinamento, o mais longe possível de Ryker, Josh e dos filhotes.

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