(Ponto de Vista de Kennedy)
— Você deveria ao menos ouvir o que o Alfa tem a dizer, não acha?
Eu o ignorei novamente, embora não deixasse de perceber o tom por trás das palavras. "Ele estava me alertando, implorando ou me ameaçando?"
— Não é assim que se fala com uma Luna, Dirk. — O "k" do nome dele saiu da minha boca seco, quase como galhos estalando. — Se o seu Alfa fosse um Alfa de verdade, saberia disso. — Continuei olhando ao redor, deixando claro que ele era completamente irrelevante para mim.
Não havia mais móveis nem pertences ali dentro. "Então era assim que eles conseguiam empacotar tudo e se mover tão rápido... As coisas pessoais provavelmente ficavam em outro lugar ou simplesmente eram abandonadas." No fim das contas, ficou claro para mim que aqueles abrigos onde eles dormiam eram as estruturas mais visíveis espalhadas pela floresta.
— De quem é este lugar? — Perguntei apenas para mantê-lo falando, torcendo para que ele cometesse algum deslize e revelasse algo útil. Ainda assim me movi para o chão, porque não aguentava mais o cheiro. No fundo, eu não sabia se todos os intrusos fediam assim porque simplesmente eram horríveis com higiene ou se não pertencer a uma alcateia causava algum tipo de efeito neles.
— Já que está conosco, Luninha, considere isso um privilégio: vai passar as noites na minha humilde morada.
Tive que engolir o gosto ácido que subia pela minha garganta.
'Ryker... Me encontre, por favor. Venha me buscar. Traga os garotos, rastreie meu cheiro pela floresta se for preciso...'
— Então era você por trás de toda essa dor de cabeça que eu estou tendo. — Uma voz profunda e áspera surgiu atrás de Dirk. Se eu não estivesse tão assustada com o que poderia acontecer comigo, talvez tivesse percebido o humor escondido naquele tom.
— Eu não fiz nada que uma pessoa minimamente sensata não faria na minha situação. Portanto, diga logo o que você quer, para acabarmos com isso e eu poder ir para casa. — Tentei parecer indiferente, quase entediada. Afinal, eu sabia que não podia demonstrar medo, porque isso não me levaria a lugar nenhum. E reagir com raiva ou agressividade só faria aquilo durar mais.
Uma risada baixa escapou da abertura da porta.
— Pelo menos uma coisa nos disseram corretamente. Você é bem atrevida, não é?
— Eu fui arrancada dos meus amigos e da minha família e ainda estou sendo mantida aqui contra a minha vontade. E você ainda acha que eu estou errada?
Ele nem sequer tinha entrado ainda. Dirk permanecia plantado na frente da passagem, enquanto o estranho se escondia atrás dele, usando o corpo do outro como proteção. "Covarde!"

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