(Ponto de Vista de Kennedy)
A coisa mais absurdamente quente tinha acontecido, e eu simplesmente não podia contar pra ninguém. Falar com os caras estava fora de cogitação, porque eles surtariam. Eles nunca quiseram ouvir nada sobre minha vida sexual, mesmo sendo esse o tema favorito nas conversas entre eles. E falar com a Rayna também não era uma opção, já que tinha sido com o irmão dela. Ela jamais ia querer saber disso, assim como eu fugia de qualquer detalhe envolvendo o Jeremiah. "Que saco!"
Eu fiquei tão molhada, e meu clítoris tão inchado, que precisei me tocar de novo no banho, e foi quase tão intenso quanto quando eu estava parada ao lado da sacada dele, ouvindo suas respirações pesadas, seus gemidos e o leve estalo do punho quando ele batia contra a própria pelve. E aquele rosnado que reverberou pelo espaço pequeno da sacada entre nós enviou ondas de choque pelo meu corpo, de modo que gozei com tanta força que até o simples atrito de caminhar de volta para o meu quarto já me deixava pronta para ir de novo.
Já deitada, me contorcendo de impaciência, com o corpo fervendo e pulsando entre as coxas, entendi que não ia dormir tão cedo. Aí fiz uma loucura… Inédita, mas tão boa que com certeza iria ter repeteco. Virei de joelhos e sentei na minha própria mão, cavalgando desinibida.
Do jeito que a coisa tava indo, eu já sabia: não ia sobrar nem a calcinha até o dia seguinte. Melhor seria manter quilômetros de distância de caras altos, morenos e com esse talento maldito de mexer com a minha cabeça.
Consegui dormir algumas horas, mas estava inquieta demais para passar das cinco, ainda mais porque o treino especial, apenas para convidados, só começaria às nove. "Pelo visto, aos sábados até o Alfa dormia um pouco mais…"
Então, vesti minhas roupas de treino, joguei um moletom por cima, porque eu era extremamente friorenta e conseguia sentir frio até no meio do verão, e decidi explorar a alcateia enquanto tinha a chance. Além disso, resolvi sair antes que alguém achasse que eu precisava de quatro escoltas e um guia.
Encontrei a sala de café da manhã com muito mais facilidade naquela manhã, e, dessa vez, realmente tinha café da manhã. Todas as ômegas circulando por ali eram extremamente solícitas e, mesmo com a mesa farta que haviam preparado, pelo menos três perguntaram se eu queria que algo especial fosse pedido à cozinha.
Peguei praticamente um pouco de tudo e comi com calma, aproveitando cada momento. Depois, segui em direção à porta da frente. Eu não fazia ideia de para onde estava indo, mas o sol já tinha subido e a manhã estava fresca, porém muito agradável, por isso segui pela longa estrada de acesso, apenas para ver onde ela me levaria.
Só depois de quase dez minutos cheguei ao final do caminho, com a escolha óbvia entre seguir reto ou virar à esquerda. Como eu já sabia que seguir em frente levava direto ao centro da cidade, virei à esquerda. Apostei que o parquinho ficava por ali, e filhotes sempre foram o melhor jeito de entender como uma alcateia realmente funcionava. Eles não filtravam nada e, quase sempre, eram diretos sem crueldade, dizendo as coisas exatamente como viam.
Aquela alcateia era linda de se andar sem pressa. As casas e lojas tinham sido construídas respeitando ao máximo as árvores, então tudo parecia integrado, natural, convidativo. Ainda não era bem a época das cores fortes do outono, mas dava para sentir que ali a altitude era maior do que na minha alcateia, e isso, junto com o ar frio, já começava a clarear os verdes e puxar tons suaves de amarelo, anunciando a mudança da estação. O que eu mais amava era o cheiro da floresta espalhado por todos os cantos, porque, mesmo sendo um lugar cheio de gente, o que predominava era a natureza, não fumaça de carro nem asfalto quente. Talvez por isso eu me sentisse tão leve naquele lugar.
Escolher aquele caminho tinha sido a decisão certa. Ao longe, eu já conseguia ver o parquinho, mas, antes dele, num campo aberto, um monte de pequenos corria atrás da bola, jogando futebol. Alguns filhotes menores ficaram sentados de lado, vibrando e torcendo pelos seus favoritos, como se aquilo fosse uma final de campeonato.
Copyright ©️ 2024 Miss L Writes and Ember Mantel Productions
Me aproximei de uma garotinha cuja trança caramelo descia pelas costas.
— Oi! Posso assistir com você?
— Claro! — Ela olhou para mim, depois para os jogadores e, em seguida, voltou a me encarar. — Você é nova aqui, né? Eu não lembro de já ter te visto antes… E eu não devia conversar com estranhos.
— Eu sou nova aqui. Meu nome é Kennedy. O meu Alfa é o companheiro da Rayna, e a gente veio visitar antes dela se mudar para a minha alcateia.

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: A Luna Indesejada do Alfa