(Ponto de vista de Kennedy)
Eu sabia que precisava manter a cabeça no lugar. Não podia me comportar como aquelas garotas espalhafatosas ao redor do Jeremiah, muito menos como a Amy tinha feito na noite anterior.
Os Alfas viviam cercados por mulheres que queriam o título e o poder, não o homem por trás disso. Somado a isso, ele ainda demonstrava, sem muito esforço, que não gostava da ideia de lidar com uma humana. Mesmo assim, a lembrança do que aconteceu na noite anterior me fazia pensar que talvez ele estivesse mais aberto comigo do que eu imaginava.
E não foi só aquilo, o que rolou depois, durante o treino, também contou. Não era coisa da minha cabeça, ele tinha sentido também, os olhos dele entregavam isso fácil, mesmo que a boca jamais confirmasse. O problema era que aquilo não ia durar. Aquela tensão, aquelas provocações silenciosas… Tudo iria acabar assim que eu fosse embora com o Jeremiah, a Rayna e os outros em alguns dias. E, depois disso, talvez ele virasse só uma lembrança distante. Por isso eu precisava me acalmar.
Eu só tinha que manter uma coisa em mente: "Ele era só um cara. Nada mais. Um sujeito comum, presente no meu dia a dia. Ok, talvez comum não fosse exatamente a palavra ideal, considerando o tamanho, a gostosura absurda e o fato de ser Alfa até a alma. Mas, ainda assim... Só um cara."
Esse era o mantra que ecoava na minha cabeça quando ele entrou pelo lado do motorista. "Como alguém conseguia deixar o simples ato de sentar em um banco de picape sexy? Bem, estar sem camisa ajudava bastante… Não havia um teco de gordura naquele corpinho malhado."
Por um segundo, me perguntei se ele simplesmente vivia contraindo os músculos, como se fosse algo automático. Então veio o pigarro, seco, certeiro. "Droga. Ele tinha percebido!" Mesmo assim, meus olhos não obedeceram de imediato e subiram devagar até o rosto dele.
Toda a minha concentração foi para o espaço assim que ele puxou um sorriso de canto, convencido demais para ser ignorado. Ele sabia exatamente o efeito que causava, e parecia gostar disso…
O silêncio se esticou, desconfortável, e senti necessidade de dizer qualquer coisa para acabar com aquilo. "Por que esse cara conseguia me deixar sem reação? Ele era só bonito. Nada além disso… E gente bonita fazia parte da minha rotina." Limpei a garganta, reunindo forças para fazer meu cérebro voltar a operar.
— Como você sempre parece saber o que eu estou pensando? — Deixei escapar tudo de uma vez, antes que meu bom senso tivesse chance de me impedir. No entanto, assim que ouvi minha própria voz, a vontade foi de sumir. A pergunta saiu meio agressiva, com zero sutileza, aberta a mil interpretações diferentes. Resultado? Um desastre certificado.
— Como assim? — "Ah… Aquele sorriso idiota de novo!"
— Bem, ontem à noite… — Fiquei em silêncio por um segundo a mais do que devia, e foi o suficiente. Ele me encarou, e o olhar escureceu na hora. "Não. Aquele caminho não era uma opção, ainda mais presos sozinhos naquele espaço apertado!" Pigarriei de novo, tentando me recompor. — Você percebeu que eu estava meio tensa para dançar e me deu uma força. Eu, sinceramente, não costumo fazer dança coladinha com quem não é do meu grupo. Prefiro evitar, sabe? Sempre tem uns caras que passam dos limites, e eu odeio quando estranho vem me tocar.
"Podia jurar que ouvi ele conter um rosnado no peito…"
— E agora, quando você se ofereceu para me dar carona de volta pra casa da alcateia… Foi surreal, porque eu tinha acabado de pensar nisso. Eu tinha vindo a pé e nem sabia se meus amigos iam ter lugar para mim no carro. E você apareceu oferecendo, tipo, antes mesmo de eu abrir a boca. — Dei de ombros, fazendo parecer algo trivial. Não era, nem de longe, mas eu também queria descobrir se ele traria à tona o que tinha rolado na noite passada, porque ele soube exatamente como agir quando eu precisei.
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Um som baixo escapou dele, algo entre um grunhido e uma tentativa de se convencer a falar comigo. Ele sabia exatamente para onde meus pensamentos tinham ido, e havia uma boa chance de os dele estarem girando no mesmo lugar. Um ciclo excelente, por sinal.
— Bem… Quanto à dança, não teve muito mistério. Todo mundo já tinha se dividido, e acabamos ficando só nós dois, então… — Ele deu de ombros.

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