O grito ecoou pela rua no mesmo instante em que o corpo de Leonardo despencou da escada.
Os pedestres e os clientes da cafeteria se sobressaltaram, o pânico rompendo o silêncio da tarde.
— Uma criança... uma criança caiu!
Enquanto alguns corriam para ligar para o resgate e outros se aproximavam para verificar o estado do menino, Vanessa saiu do café como uma fera fora de controle.
— Meu filho! — Ela gritou, com a voz dilacerada.
Ela abriu caminho entre as pessoas e se jogou de joelhos ao lado de Leonardo, agarrando o corpo pequeno nos braços, chorando com um desespero que parecia lhe rasgar o peito.
— Foi culpa da mamãe... Mamãe devia ter te protegido... Me perdoa, meu amor, me perdoa!
Douglas e Agatha desceram as escadas logo atrás, atônitos.
Vanessa ergueu o rosto, os olhos vermelhos de raiva e lágrimas, e apontou para eles.
— Foram eles! Foram eles que empurraram o meu filho!
O murmúrio se espalhou entre os curiosos.
— Meu Deus, que tipo de gente faz isso com uma criança?
— Monstros, só pode!
Tomado de fúria, Douglas avançou um passo, a voz rouca e indignada.
— Mentira! Foi ela mesma quem o empurrou!
— É verdade! — Reforçou Agatha, nervosa. — Ela fez isso sozinha, não temos nada a ver com isso!
Mas o caos já estava instaurado. O menino caíra da escada, e lá em cima não havia testemunha alguma. Ninguém sabia quem dizia a verdade.
Vanessa apertava Leonardo contra o peito, o rosto transtornado.
— É meu filho, como eu poderia machucá-lo? Sei que vocês querem me afastar do Ricardo, que fariam qualquer coisa para me tirar da vida dele... Vou embora, se é isso que querem, mas o meu filho é inocente! — A voz dela se quebrou num grito desesperado. — Leo, meu amor, aguenta firme! Cadê a ambulância? Por que a ambulância ainda não chegou?
O choro do menino e o desespero daquela mãe tocaram muitos dos que assistiam à cena. Afinal, quem acreditaria que uma mulher seria capaz de ferir o próprio filho?
Logo, os olhares se voltaram contra o casal Freitas.
Em questão de segundos, a revolta da multidão se voltou contra Douglas e Agatha. Alguns gritavam, outros xingavam, e um dos presentes, tomado pela fúria, arremessou o copo de café que ainda tinha nas mãos.
Agatha instintivamente se colocou diante de Douglas e acabou atingida em cheio, o líquido quente se espalhando pelo vestido e lhe manchando a pele.
Ela ficou coberta de manchas escuras, o cheiro amargo do café queimando no ar.
Douglas olhou para a esposa, o peito tomado por raiva e impotência. Tentou responder, mas, de repente, sentiu o coração apertar com força. O som ao redor se tornou distante, e uma pontada violenta lhe atravessou o peito. A respiração falhou.
— Douglas! — Gritou Agatha, agarrando-o antes que caísse.
A confusão só aumentava.
Quando Ricardo chegou ao local, chamado às pressas pelo telefone, deparou-se com um cenário caótico, onde se misturavam gritos, café derramado pelo chão e uma multidão de curiosos aglomerados.
O olhar dele percorreu o tumulto até encontrar Douglas caído nos braços de Agatha, e, por um instante, tudo ao redor pareceu silenciar.
— Ricardo! — Vanessa gritou entre soluços. — O Leo... ele não está bem!
Ricardo olhou para o menino desfalecido nos braços dela, com o rosto tenso.
— Deve estar a caminho, senhor.
Ricardo acenou devagar com a cabeça.
— Então levem o menino primeiro.
Agatha o encarou, incrédula. Um nó lhe subiu à garganta, e as forças se esvaíram do corpo. A desesperança tomou o lugar da raiva.
Os paramédicos recolheram Leonardo com rapidez. Temendo que Ricardo ficasse, Vanessa segurou a mão dele com força.
— Vem conosco, por favor. Eu... eu não consigo ir sozinha.
Ricardo hesitou por um breve instante, depois concordou com um aceno.
A sirene ecoou enquanto a ambulância se afastava pela avenida. O som foi se perdendo aos poucos, até desaparecer.
Agatha ficou de joelhos, o corpo do marido pesando em seus braços. A pele dele estava fria, e as pupilas se dilatavam lentamente.
— Douglas... Douglas! — Agatha chamou, a voz tomada de terror. — Alguém, por favor, me ajuda!
Mas ninguém se moveu. Os curiosos, antes inflamados, agora se afastavam em silêncio, evitando olhar.
Ela tentou reanimá-lo, a respiração entrecortada, as lágrimas se misturando ao suor e à poeira.
— Douglas, por favor, fica comigo... — Murmurou, sem resposta.
Quando finalmente percebeu que o corpo dele estava imóvel, a realidade a atingiu como um golpe. Um grito rompeu de dentro dela, rouco, desesperado, ecoando pelo ar abafado.
Naquele dia, o mundo de Agatha desabou por completo.

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: A Mulher que Fez o CEO Mais Frio Chorar na TV
Eu só espero que não role um sequestro dos bebês, essa história já está longa demais!...
estou achando essa história de remédio adulterado muito cansativa, e está se alongando muito, já está na hora de por um ponto final nessa história ....
até que enfim, Luana e Ricardo...
Quantos capítulos tem esse livro, está parecendo novela mexicana, não tem fim, são quantas gerações????...
Como é bom ver Ricardo e Luana que amor lindo, amooo...
Sou negra e feia, mas me valorizo! As brancas deveriam se impor mais ainda e sendo lindas então......
Não consigo mais comprar moedas. Sempre aparece a mesma mensagem com a informação que a compra é inviável pelo lado cliente, mesmo o pagamento sendo por PIX...
Porque não consigo mais ler? Tem mais de 1 semana que li o capítulo 646 e não liberam os outros. Vejo que já tem até o 654....
Como faço pra ler o livro completo tem como comprar por aqui...
Como ler a partir do capítulo 596?...