Luana observava o impasse entre os dois homens, sentindo-se momentaneamente perdida, incapaz de decifrar a real profundidade daquela tensão. Vinícius, porém, não hesitou; mantendo a expressão impávida, afastou a mão do outro com um gesto firme e decidido.
— Cruzar a minha linha é o mesmo que se declarar meu inimigo. — Avisou ele, com a voz gelada, antes de se virar para Luana. — Vamos embora.
Ainda atordoada, Luana recuperou a postura e acompanhou Vinícius em direção ao salão principal. Carlos permaneceu estático, observando as costas dos dois enquanto se afastavam. Seus dedos roçavam uns nos outros em um tique nervoso e inconsciente, enquanto seu olhar escurecia, carregado de pensamentos sombrios.
Luana ainda tentava processar a cena que acabara de presenciar, mas antes que pudesse formular qualquer pergunta, chegaram à sala de estar. O ambiente estava movimentado, pois além de César, Soraia e Rita marcavam presença, e Ricardo, naturalmente, também estava lá.
— Que bom que chegou, Luana. — Disse Afonso, cuja satisfação era evidente ao pousar a xícara de chá sobre a mesa. — A família Souza não celebrava boas novas há muito tempo. Se este noivado se concretizar, somado ao projeto que Emanuel mencionou, teremos motivos de sobra para comemorar, uma alegria dupla.
— Com certeza. — Concordou Emanuel, exibindo um sorriso ameno.
— E Danilo, por que não veio? — Indagou Soraia, franzindo a testa. — Como ele pode faltar a um evento tão importante envolvendo a própria filha?
Sentado de frente para Ricardo, Vinícius ouviu a provocação, mas foi Ricardo quem respondeu, encarando o outro com um brilho divertido no olhar.
— A ausência do meu sogro não é problema. — Retrucou Ricardo, com naturalidade. — A presença do meu cunhado aqui já é uma honra suficiente para mim.
Vinícius franziu o cenho, incomodado, e optou pelo silêncio. Soraia e Afonso trocaram olhares rápidos, surpresos com a audácia. Afinal, era apenas um noivado, o casamento sequer fora marcado, e ele já distribuía títulos de "sogro" e "cunhado" com tamanha intimidade.
Afonso, no entanto, não se deixou abalar. Como patriarca e testemunha, já havia instruído Soraia a cuidar dos preparativos do noivado de Luana. Originalmente, aquela tarefa caberia a Gisele, a mãe da noiva, mas dadas as circunstâncias delicadas de sua saúde, a responsabilidade recaíra sobre Soraia.
— Se tiver algum plano ou desejo específico para a festa, Luana, venha falar comigo. — Disse Soraia, voltando-se para a sobrinha com um aceno solícito. — Você faz parte da família Souza, e vou fazer questão de que sua celebração seja impecável.
— Agradeço muito, tia Soraia. — Respondeu Luana, sincera. Na verdade, ela nunca havia pensado em como seria seu noivado, tampouco conhecia os protocolos e rituais dessas cerimônias tradicionais.
Naquele momento, Roberto adentrou o recinto trazendo duas pastas de documentos, atraindo a atenção de todos. Ao cruzar o olhar com Luana, ele a cumprimentou com um aceno discreto e se postou ao lado de Ricardo com a postura profissional de sempre.
O potencial daquela região marítima era de conhecimento público no mundo dos negócios, era uma mina de ouro inexplorada. E Ricardo estava simplesmente entregando aquilo aos Souza como um dote? Até mesmo os bilionários de Oeiras hesitariam em se desfazer de algo tão valioso.
O olhar de Afonso se fixou em Ricardo, agora com uma nova camada de respeito e desconfiança. A influência da família Monteiro em Porto do Presépio era inegável, mas Suriano pertencia à jurisdição de Valdória. Conseguir aqueles direitos exigia conexões governamentais profundas, e, até onde Afonso sabia, aquela área estava sob controle de outra família poderosa. O fato de Ricardo ter conseguido isso pouco tempo após chegar a Macondo provava que seus tentáculos alcançavam muito além do que imaginavam.
Emanuel, porém, manteve a calma, sorrindo levemente.
— Sr. Luciano, o senhor é realmente generoso. Tem certeza de que está disposto a ceder isso à família Souza?
Ricardo sorriu de volta, encostando-se no sofá.
— Em breve seremos todos da mesma família. Não há por que falar em perdas ou ganhos.
Se ele não fosse capaz de sacrificar ativos para garantir a posição e o respeito de sua esposa, que tipo de marido seria?

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: A Mulher que Fez o CEO Mais Frio Chorar na TV
Eu só espero que não role um sequestro dos bebês, essa história já está longa demais!...
estou achando essa história de remédio adulterado muito cansativa, e está se alongando muito, já está na hora de por um ponto final nessa história ....
até que enfim, Luana e Ricardo...
Quantos capítulos tem esse livro, está parecendo novela mexicana, não tem fim, são quantas gerações????...
Como é bom ver Ricardo e Luana que amor lindo, amooo...
Sou negra e feia, mas me valorizo! As brancas deveriam se impor mais ainda e sendo lindas então......
Não consigo mais comprar moedas. Sempre aparece a mesma mensagem com a informação que a compra é inviável pelo lado cliente, mesmo o pagamento sendo por PIX...
Porque não consigo mais ler? Tem mais de 1 semana que li o capítulo 646 e não liberam os outros. Vejo que já tem até o 654....
Como faço pra ler o livro completo tem como comprar por aqui...
Como ler a partir do capítulo 596?...