Após resolver toda a burocracia do hospital para o velório de Douglas, Luana desceu ao térreo com o coração pesado, conduzindo a mãe pela mão trêmula e fria.
Perto da entrada, avistou Bernardo encostado no carro. O homem endireitou a postura assim que a viu e veio ao encontro das duas, o semblante sério e o olhar solidário.
— Fiquei sabendo do que aconteceu... — Disse ele, em voz baixa, escolhendo as palavras com cuidado. — Sinto muito, de verdade.
Luana parou diante dele, mas não conseguiu responder. As palavras simplesmente não vinham.
Bernardo se voltou para Agatha, inclinando levemente a cabeça num gesto de respeito.
— Meus sentimentos, dona Agatha. Que Deus conforte o coração da senhora.
Ela apenas assentiu, o olhar vazio e distante, como se a alma tivesse se retirado do corpo e deixado apenas a casca, cansada, abatida e tomada pelo luto.
— Bernardo... — Murmurou Luana, a voz rouca de tanto conter o choro. — Preciso levar minha mãe para casa.
— Você não devia dirigir nesse estado. — Respondeu ele, firme, sem hesitar. — Levo vocês.
Luana hesitou por um instante, mas acabou assentindo.
— Obrigada.
Durante o trajeto, o silêncio tomou conta do carro. O som do motor era o único ruído entre eles. Bernardo dirigia com atenção, o olhar alternando entre a estrada e o retrovisor enquanto observava discretamente o rosto de Luana, pálido, tenso e sem cor.
Quando chegaram à frente da casa da família Freitas, uma vizinha que varria a calçada levantou os olhos e, sem perceber o clima, gritou com entusiasmo:
— Olha só, Agatha! Seu genro veio te visitar!
O gesto de Bernardo, que segurava o braço de Agatha para ajudá-la a descer, congelou por um instante. Ele não respondeu, apenas continuou o movimento e a acompanhou até o portão, sustentando o corpo frágil dela com cuidado.
Agatha, no entanto, não reagiu. Talvez não tivesse ouvido, talvez simplesmente não quisesse ouvir.
Luana também ignorou o comentário. Tudo o que queria era levar a mãe para dentro e fazê-la deitar.
A vizinha, curiosa, ainda comentou em tom baixo:
— Que cara é essa? Parecem até que morreu alguém...
Bernardo fingiu não ouvir. Seguiu atrás de Luana, ajudando-a a acomodar Agatha na cama. A mulher ficou parada por um tempo à beira do colchão, os olhos úmidos e o rosto mergulhado em tristeza.
— Quero ficar sozinha. — Disse Agatha, a voz quase um sussurro.
Luana quis insistir, mas percebeu que seria inútil.
— Tá bem. Fico na sala. Se precisar, me chama.
Fechou a porta devagar e voltou para o corredor, onde Bernardo a esperava encostado na parede.
— Ela vai ficar bem? — Perguntou ele, num tom suave.
— Vai... ou pelo menos, quero acreditar nisso. — Ela respondeu, tentando manter a voz firme.
Bernardo deu um passo à frente.

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