— Quem ousa maltratar minha querida?
A voz estridente de Sra. Souza ecoou pelo corredor como um trovão inesperado. Ela saiu disparada da loja, agarrou as pelúcias que tinha nas mãos e começou a arremessá-las com força na direção de Helena e Anabela.
— Dona, não! — Luana tentou segurar o braço dela, mas Sra. Souza já estava descontrolada, jogando um ursinho de pelúcia atrás do outro.
— Mulheres ruins! Vocês são horríveis!
Helena e Anabela recuaram instintivamente, levantando os braços para se proteger da saraivada inusitada. Anabela, que já estava no limite, perdeu toda a compostura.
— Sua louca! Que porra é essa? Está doente da cabeça, é?
O ar ao redor pareceu congelar.
— Anabela. — A voz de Vinícius saiu baixa, mas carregada de uma autoridade gélida que fez até Helena se encolher. O tom gentil de antes havia desaparecido, substituído por algo muito mais perigoso. — Tenha respeito ao falar da minha mãe. Não pense que vou passar a mão na sua cabeça só porque você é herdeira da família Ferraz.
Mãe?
Anabela sentiu o chão sumir debaixo dos pés, o rosto ficando lívido.
— Ela... ela é a Sra. Souza?
Helena também estava vendo a famosa Sra. Souza pela primeira vez. A mulher à sua frente tinha praticamente a mesma idade que ela, beirando os cinquenta, mas possuía uma beleza natural devastadora, daquelas que o tempo parecia incapaz de tocar. Ossos perfeitos, traços delicados, uma elegância que dispensava qualquer artifício.
Helena conhecia bem os rumores que circulavam sobre a esposa de Danilo Souza e seus problemas mentais. Mas mesmo assim, Danilo a adorava como se fosse a única mulher no mundo, o filho a protegia ferozmente, e até os sogros a tratavam com carinho genuíno.
Havia uma história antiga nos círculos de elite de Macondo sobre um empresário rico que, ao ver a beleza da Sra. Souza e saber de sua condição, tentou se aproveitar dela. No dia seguinte, o homem simplesmente desapareceu. Nunca mais foi visto. Ninguém perguntou. Ninguém investigou.
Desde então, ninguém em Macondo ousava desrespeitar a Sra. Souza. Mesmo com seus problemas, ela tinha o marido, o filho e toda a família ao seu lado.
Helena sempre achou que essas histórias fossem exageradas. Mas agora, vendo a mulher de perto e sentindo a tensão no ar, acreditou em cada palavra.
— Sra. Souza, por favor, a senhora nos entendeu mal. — Helena forçou um sorriso conciliador e deu um passo cauteloso à frente. — Não tínhamos má intenção alguma.
Mas antes que pudesse se aproximar, Sra. Souza agarrou outra pelúcia e a arremessou com força.
— Fica longe de mim! Mulher má! Você machucou minha querida! Não gosto de você!
— Sra. Souza, vem cá. Chega de jogar coisas, tá? — Luana finalmente conseguiu segurar o braço de Sra. Souza, falando num tom suave e paciente.
Não era por pena de Helena ou Anabela, mas sim porque jogar coisas realmente não era um bom hábito.
Surpreendentemente, Sra. Souza parou na hora e se agarrou a Luana como uma criança assustada.
— Querida, odeio elas. Manda elas embora! Agora!
Helena cerrou os punhos, mas engoliu a raiva. Sabia que não tinha escolha. Forçou um sorriso tenso e fez uma reverência educada.
— Peço desculpas pela intromissão. Vamos embora agora.
— Mãe... — Anabela ainda hesitava, claramente relutante.
Helena a fuzilou com um olhar afiado. Anabela mordeu a língua e engoliu a frustração que queimava dentro dela, mas, em sua cabeça, toda aquela humilhação tinha um único culpado, Luana.
...
Depois que Helena e Anabela finalmente se foram, Vinícius e Luana levaram Sra. Souza de volta ao quarto do hospital. Luana olhou para o relógio, já passava das duas da tarde.
— Sr. Vinícius, preciso voltar para o hospital.
— Quebrar as coisas vai fazer o Vinícius te respeitar? — Sua voz estava fria, cortante. — Como é que fui parir uma filha tão burra?
— Mãe! — Anabela se virou bruscamente, os olhos vermelhos de raiva e lágrimas. — Sou sua filha! Como você pode falar assim comigo?
Desde pequena, Anabela sempre teve tudo e ninguém nunca a contrariou. Ser repreendida pelos próprios pais era impensável.
Helena se sentou no sofá com um suspiro pesado.
— Justamente porque você é minha filha que me importo. Se não fosse, eu nem perderia meu tempo. — Ela cruzou as pernas, olhando a filha com um misto de decepção e cansaço. — Você acha que a família Souza não tem outras opções além de você? Peço para você controlar esse temperamento, e você me escuta? Olha ao seu redor. Quem mais te aguenta além de mim e seu pai?
Anabela ficou muda. Após um longo silêncio, baixou a cabeça e se sentou ao lado da mãe, fazendo biquinho.
— Mãe, desculpa. É que eu... não aceito. Como é que a Luana, aquela aproveitadora, consegue tudo isso? Não é justo.
— Sabe por que ela consegue? Porque ela é mais esperta que você. Mais discreta. E nesses últimos anos, até sua avó começou a gostar mais dela do que de você. — Helena pausou, deixando as palavras afundarem. — Você sabia disso ou estava fingindo que não via?
Os olhos de Anabela ficaram vermelhos. Ela mordeu o lábio com força para não chorar.
Não entendia. Ela era a herdeira legítima da família Ferraz, e Luana era uma estranha. Então por que a avó preferia ela?
Ao ver o silêncio da filha, Helena suavizou o tom e passou a mão no cabelo de Anabela.
— Anabela, tudo o que faço é por você. Se você realmente quer se casar com o Sr. Vinícius, precisa me ouvir. Senão, vai passar a vida inteira à sombra do Ricardo, sendo motivo de piada para sua tia Amanda e todo mundo.
— Eu entendi. — Anabela respondeu, apertando os lábios.
— Fica tranquila. — Helena segurou a mão da filha, os olhos brilhando com determinação fria. — Não importa o que eu tenha que fazer, vou garantir que ele não tenha escolha a não ser aceitar você.
Um plano sombrio começou a se formar na mente de Helena.

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: A Mulher que Fez o CEO Mais Frio Chorar na TV
Eu só espero que não role um sequestro dos bebês, essa história já está longa demais!...
estou achando essa história de remédio adulterado muito cansativa, e está se alongando muito, já está na hora de por um ponto final nessa história ....
até que enfim, Luana e Ricardo...
Quantos capítulos tem esse livro, está parecendo novela mexicana, não tem fim, são quantas gerações????...
Como é bom ver Ricardo e Luana que amor lindo, amooo...
Sou negra e feia, mas me valorizo! As brancas deveriam se impor mais ainda e sendo lindas então......
Não consigo mais comprar moedas. Sempre aparece a mesma mensagem com a informação que a compra é inviável pelo lado cliente, mesmo o pagamento sendo por PIX...
Porque não consigo mais ler? Tem mais de 1 semana que li o capítulo 646 e não liberam os outros. Vejo que já tem até o 654....
Como faço pra ler o livro completo tem como comprar por aqui...
Como ler a partir do capítulo 596?...