Dois dias se passaram.
Luana saiu do prédio de cirurgia do hospital. O ar cheirava a desinfetante e café velho, e ela mal havia dado dois passos quando avistou Bernardo parado próximo à porta giratória. Pessoas entravam e saíam sem reparar nele, mas ele parecia deslocado, como se esperasse alguém.
Ela hesitou por um instante, depois caminhou em sua direção.
— Bernardo?
Ele se virou e, ao fazê-lo, o rosto dele se iluminou com um sorriso discreto, quase contido.
— Ah, é você.
— O que está fazendo aqui parado? — Perguntou ela, curiosa.
Bernardo desviou o olhar, como se procurasse uma desculpa.
— Esperando alguém.
Na verdade, ele havia ido até lá para vê-la, mas não sabia como justificar. Tinha medo de que ela levasse a sério as palavras de Ricardo e o evitasse.
Luana percebeu o embaraço e soltou um leve riso.
— Sentar no saguão não custa nada, sabia? Podia ter esperado lá dentro.
— No momento, não consigo ficar parado. — Respondeu ele, tentando disfarçar o nervosismo. O olhar dele deslizou brevemente até o abdômen dela, mas logo se desviou, como se quisesse evitar qualquer mal-entendido. — Como está sua mãe?
— Está bem. — Respondeu Luana, simples, com um aceno.
— Naquele dia... — Bernardo começou, com a voz um pouco tensa. — Fui embora de repente, sem me despedir de você nem da sua mãe. Vocês devem ter achado estranho, né?
— Não dá para te culpar pelo que aconteceu. Eu também não esperava que o Ricardo aparecesse daquele jeito.
Ele pareceu relaxar um pouco, e o sorriso discreto voltou ao seu rosto.
— Luana, se um dia você descobrisse que fiz algo errado com você, pararia de falar comigo?
Ela franziu as sobrancelhas, sem entender.
— Você fez alguma coisa?
— Estou falando "se".
Luana pensou por um momento antes de responder:
— Depende, né? Sou tranquila. Se for besteira, dá para relevar.
— Ricardo! Eu estou trabalhando! — Ela sussurrou, envergonhada, tentando se soltar.
— Trabalhando até se machucar desse jeito? Que trabalho é esse? — Respondeu ele, sem diminuir o passo, levando-a como se nada mais importasse.
Ela tentou protestar de novo, mas ele não lhe deu espaço. Saíram do setor médico sob o olhar atônito das enfermeiras, que trocavam olhares entre si, espantadas. Para muitas delas, Vanessa era a namorada oficial de Ricardo e ver Luana nos braços dele era o bastante para reacender todos os boatos que andavam adormecidos pelos corredores.
No estacionamento, Vanessa surgiu ao longe, caminhando com calma. Observou a cena em silêncio por alguns segundos, vendo Ricardo abrir a porta do carro e ajudar Luana a se acomodar, e por um breve instante o ódio brilhou em seus olhos antes que ela compusesse uma expressão de falsa surpresa.
— A doutora Luana se machucou? — Ela perguntou num tom meloso, inclinando levemente a cabeça. — Pelo que ouvi, esse tipo de situação costuma exigir internação...
Luana a encarou com frieza.
— Que tipo de situação?
Vanessa abriu um meio sorriso.
— Ouvi dizer que você está grávida. Quando uma mulher grávida cai, o risco de aborto é enorme. — O olhar dela, coberto por uma máscara de compaixão, deixava transparecer um prazer disfarçado. — Sou mãe. Sei bem o que é perder um filho.
As palavras soaram frias, quase ensaiadas, e naquele instante tudo fez sentido para Luana.
Bernardo a havia alertado para tomar cuidado com a barriga porque, assim como todos, acreditava que ela estava grávida. E agora ficava claro que alguém queria que ela perdesse o bebê que sequer existia.

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: A Mulher que Fez o CEO Mais Frio Chorar na TV
Eu só espero que não role um sequestro dos bebês, essa história já está longa demais!...
estou achando essa história de remédio adulterado muito cansativa, e está se alongando muito, já está na hora de por um ponto final nessa história ....
até que enfim, Luana e Ricardo...
Quantos capítulos tem esse livro, está parecendo novela mexicana, não tem fim, são quantas gerações????...
Como é bom ver Ricardo e Luana que amor lindo, amooo...
Sou negra e feia, mas me valorizo! As brancas deveriam se impor mais ainda e sendo lindas então......
Não consigo mais comprar moedas. Sempre aparece a mesma mensagem com a informação que a compra é inviável pelo lado cliente, mesmo o pagamento sendo por PIX...
Porque não consigo mais ler? Tem mais de 1 semana que li o capítulo 646 e não liberam os outros. Vejo que já tem até o 654....
Como faço pra ler o livro completo tem como comprar por aqui...
Como ler a partir do capítulo 596?...