— Mas quando eu for embora, ele vai ter a Vanessa do lado dele, sem ninguém para atrapalhar. — Continuou Luana, encarando o chão como se falasse mais para si do que para ele. — Por ela, ele assina qualquer coisa.
Era só questão de tempo.
— Quando chegar lá, me manda mensagem. — Pediu Vinícius.
Luana levantou o olhar e sorriu, os olhos se curvando em duas luas crescentes.
— Mando, sim. — Respondeu com suavidade.
Mas antes que ele pudesse dizer qualquer outra coisa, uma voz ecoou pelo corredor, fria e firme:
— Aonde vocês vão?
Ricardo estava na cadeira de rodas, os cotovelos largados nos apoios, os dedos entrelaçados com uma postura relaxada que contrastava com a tensão no ar. O segurança empurrava a cadeira num ritmo lento e constante.
O sorriso de Luana travou. Por um instante, ela simplesmente não soube como reagir.
Vinícius, por sua vez, manteve-se firme, encarando Ricardo com uma expressão neutra.
— Soube que o senhor estava se recuperando no hospital. — Ele disse, num tom controlado. — Parece que é verdade.
Ricardo inclinou levemente a cabeça, um meio sorriso surgindo nos lábios.
— Que gentileza do senhor se preocupar comigo, Sr. Vinícius. — A voz soou suave, quase irônica. — Já está praticando para ser genro da família Ferraz?
O sorriso de Vinícius se desfez de imediato.
— Acho que vou ter que decepcioná-lo. — Ele respondeu sem alterar o tom, mas o olhar endureceu.
— Já mudou de ideia? — Retrucou Ricardo, girando um pouco a cadeira como se quisesse estudar melhor a reação do outro.
— Não recusei publicamente porque quis poupar vocês do escândalo. — Rebateu Vinícius, firme. — Afinal, se isso vazar, quem sai perdendo é a família Ferraz. O senhor não vai realmente tentar me obrigar a casar com sua prima, vai, Sr. Ricardo?
Ricardo se ajeitou na cadeira, apoiando o cotovelo no braço de metal e descansando a mão na lateral da cabeça. Um olhar de soslaio, calculado, deslizou até Luana, que permanecia imóvel atrás de Vinícius.
— Meu medo é que seu pai leve a sério. — Ele murmurou, com calma.
O semblante de Vinícius perdeu qualquer vestígio de humor.
— Luana. — Chamou Ricardo, sem pressa, a voz baixa, porém carregada de autoridade. — Vem aqui.
Fazia três dias que ele estava internado. Três dias que Luana aparecia no hospital, mas nunca no quarto dele, nunca para vê-lo.
Ela apertou os lábios, trocou um olhar breve com Vinícius e caminhou até Ricardo. Sem dizer nada, agarrou as alças da cadeira.
— Me leva para o quarto. — Disse Ricardo, com voz baixa, quase sem expressão.
O segurança recuou para o lado sem precisar ouvir duas vezes.
Luana empurrou a cadeira em silêncio pelo corredor. Eles subiram até o andar reservado, entraram no quarto e ela parou perto da porta, pronta para ir embora.

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