Anabela cambaleou um passo para trás, sentindo o sangue drenar de seu rosto até deixá-lo mortalmente pálido. Todos os convidados haviam testemunhado sua hostilidade gratuita contra Luana, e agora, diante da revelação da verdade, ninguém ousou interceder por ela. O silêncio da multidão era ensurdecedor e condenatório.
Percebendo a tensão, Luana puxou discretamente a manga do paletó de Vinícius e sussurrou:
— Deixe para lá, Vinícius. Há muita gente aqui. Não podemos deixar que a festa pare por causa dela.
Recuperando o foco, Vinícius suavizou a expressão e sorriu para a irmã.
— Tem razão, acabei me distraindo com bobagens. — Ele se voltou para Danilo. — Pai, podemos dar início à celebração?
Danilo assentiu prontamente e começou a cumprimentar os convidados, dispersando a atenção que estava focada no conflito. Aos poucos, o ambiente relaxou; as pessoas formaram pequenos grupos, retomando as conversas e brindes, deixando Anabela isolada no meio do jardim.
Até mesmo as socialites que costumavam bajulá-la mantiveram distância, temendo se associar à desgraça da família Ferraz. Humilhada e sem coragem de permanecer ali, Anabela girou nos calcanhares e saiu, carregando consigo a amargura de uma derrota pública.
A música suave da orquestra preencheu o ar, e Vinícius conduziu Luana para a primeira valsa da noite. Enquanto giravam pelo salão improvisado no jardim, a partida de Anabela foi completamente ignorada, era como se ela nunca tivesse existido.
— Não sabia que você dançava tão bem. — Elogiou Vinícius, com um sorriso cúmplice.
— Está me subestimando? — Luana ergueu o queixo, fingindo indignação.
— Jamais. Na verdade, estou com pena de ter que entregá-la a outro homem em breve. — Vinícius lançou um olhar divertido na direção de Valentino, que aguardava sua vez.
Quando a música mudou de ritmo, sinalizando a troca de pares, Vinícius soltou a mão da irmã. Ele estava prestes a entregá-la a Valentino, mas, num movimento rápido e inesperado, um homem mascarado interceptou o gesto e tomou Luana para si.
Tanto Vinícius quanto Valentino pararam, surpresos, e até o parceiro original do mascarado ficou sem reação. Todos os olhares se voltaram para o par inusitado que deslizava pelo centro da pista.
Luana apoiou a mão no ombro do estranho, erguendo os olhos para tentar decifrar o rosto oculto pela máscara veneziana. Seu coração falhou uma batida.
A altura, a profundidade do olhar, o contorno do maxilar... tudo nele lembrava Ricardo. A única dissonância era o perfume, uma fragrância amadeirada que Ricardo jamais usaria.
O homem encontrou o olhar dela por um breve segundo e desviou, friamente, sem dizer uma palavra. Ele a conduziu com firmeza e precisão, guiando seus passos em perfeita sincronia com a música.
"Não pode ser ele", pensou Luana, rindo internamente de sua própria esperança tola. "Ricardo está no exterior se tratando. Estou vendo coisas onde não existem."
Os outros convidados, presos à etiqueta do baile, continuaram dançando, embora a curiosidade fosse palpável.
Assim que a valsa terminou, o homem mascarado soltou Luana imediatamente e, sem se despedir, misturou-se à multidão, desaparecendo nas sombras. Luana permaneceu parada, observando o ponto onde ele sumira, com as mãos fechadas em punhos ao lado do corpo.
Valentino se aproximou, seguindo o olhar dela.
— Você o conhece?


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Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: A Mulher que Fez o CEO Mais Frio Chorar na TV
Kd o capítulo 520???...
Quero ler o livro completo como faço?...
Ler o livro a partir do capitulo 561...
Ler o livro completo...