Luana examinou o rosto à sua frente. Embora os traços fossem tecnicamente perfeitos, havia uma artificialidade inquietante neles que saltava aos olhos. Mesmo sabendo das cirurgias plásticas, era impossível não notar a semelhança inegável com sua mãe no formato dos olhos e nas sobrancelhas, o que explicava aquela sensação de familiaridade que sentira no primeiro encontro.
Recuperando-se de seus devaneios, Luana foi direto ao ponto:
— Já que a senhora e minha mãe são irmãs gêmeas, por que decidiu agir contra mim?
A expressão de Ivana esfriou num instante. Sem se intimidar, Luana prosseguiu:
— Foi você quem trocou o resultado do exame de DNA da Luciana, não foi? Você queria tanto assim impedir que a família Souza me reconhecesse e me levasse de volta?
— Confesso que não esperava que eles conseguissem te encontrar. — Admitiu Ivana, girando a xícara de chá na mão com um ar sombrio. — Afinal, passaram-se mais de vinte anos. Quem diria que aquela louca da sua mãe conseguiria te reconhecer? É irônico... mesmo tendo perdido a sanidade, ela parece lúcida o suficiente para certas coisas.
— Mas ela é sua ir...
— Cale a boca! — Interrompeu Ivana, batendo a xícara na mesa com força suficiente para fazer o chá transbordar, salpicando o tampo de vidro. Ela encarou Luana com uma mistura volátil de fúria, mágoa e ressentimento. — Você não sabe de nada! Irmã? Que tipo de irmã? Só porque tínhamos o mesmo rosto? Aos olhos dos nossos pais e da família, eu e ela nunca fomos iguais. A Gisele nasceu apenas alguns segundos antes de mim, e isso bastou para torná-la a primogênita da família Moura. Todo o amor, todos os recursos, tudo era dela!
Ela fez uma pausa, a respiração pesada, antes de continuar:
— Só porque tínhamos temperamentos diferentes... Ela era doce, sabia agradar e manipular os mais velhos com palavras bonitas. Eu, por outro lado, me recusava a viver de aparências e queria provar meu valor pelo talento, mas acabava sempre sendo comparada e rebaixada, considerada inferior a ela em tudo.
Ivana se inclinou para frente, os olhos faiscando.
— E tem mais, a pessoa que deveria ter se casado com seu pai, originalmente, era eu!
Luana ficou paralisada com a revelação.
— Está surpresa? — Zombou Ivana, soltando um riso amargo. — É a verdade. O casamento arranjado pela família Souza a princípio era comigo, e fui a primeira a conhecer seu pai.
Lentamente, ela ergueu as mãos enluvadas na altura do peito.
— Você deve estar curiosa para saber por que nunca tiro isto, não é? Quer ver?
Sem esperar resposta, ela despiu as luvas de renda calmamente. O que se revelou chocou Luana. O dorso das mãos estava coberto por cicatrizes de queimaduras antigas e enxertos de pele, uma visão grotesca, áspera e dolorosa.
Luana demorou a processar a imagem, os olhos arregalados.


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Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: A Mulher que Fez o CEO Mais Frio Chorar na TV
Kd o capítulo 520???...
Quero ler o livro completo como faço?...
Ler o livro a partir do capitulo 561...
Ler o livro completo...