Luana nunca poderia imaginar que Ricardo chegasse a ser tão implacável. Por Vanessa, ele era capaz de qualquer coisa, sem medir consequências.
— Luana, olha o jeito que você fala! — Em vez de defender a filha, Douglas a repreendeu pelo tom usado e, para agradar Ricardo, completou com um sorriso forçado. — Ricardo, não se irrite, ela só é um pouco impetuosa.
Sem responder ao pai, Luana manteve os olhos fixos em Ricardo. Ele se recostou na cadeira, os braços apoiados de forma displicente e o olhar gélido se encontrou com o dela.
— Luiz agrediu uma pessoa. A família da vítima não aceita acordo algum e exige que ele vá para a cadeia. Ou será que vocês, por ter se aproximado da minha família, acha que podem simplesmente ignorar a justiça?
Douglas e Agatha estremeceram, empalidecendo diante da acusação.
Luana cerrou os punhos e respondeu com voz firme:
— Se ele realmente deixou alguém em estado grave, então deve responder sim. Mas você ao menos verificou o que aconteceu de verdade?
Ricardo franziu a testa, mas não interrompeu.
— Fui falar com o advogado no mesmo dia. Nos autos está claro que Luiz não começou a briga. Ele apenas reagiu e, sim, se excedeu, mas foi legítima defesa. — Continuou Luana.
— Não sou advogado. — Rebateu Ricardo, sem qualquer emoção.
O coração de Luana pareceu despencar. Encostou as mãos na mesa e explodiu pela primeira vez:
— Ricardo, afinal, o que você quer de mim?
Em seis anos de casamento, sempre encenava a esposa perfeita, paciente e silenciosa. Agora, pela primeira vez, a máscara caía.
Fernanda não conseguiu disfarçar a surpresa. Mal conhecia Luana, mas a impressão que tinha era a de uma mulher dócil, sem nunca levantar a voz. Exatamente por isso, muitos acreditavam que ela fosse fácil de dobrar.
Ricardo tamborilava os dedos sobre a mesa, sem pressa, em um silêncio que pesava mais do que qualquer palavra. Todos esperavam uma explosão, um rompante de fúria. Porém, em vez disso, ele apenas deixou um sorriso quase imperceptível escapar pelo canto da boca.
— Ou Luiz vai para a prisão, ou você se curva diante de Vanessa. É você quem decide.
Luana ficou imóvel, sentindo até o ar pesar nos pulmões.
— Você sabe muito bem que...
— Luana, é só baixar a cabeça um pouco. O futuro do seu irmão não vale esse gesto? — Interrompeu Douglas, em tom de súplica.
Ela voltou o rosto para o pai com incredulidade, os olhos marejados. Diziam que os pais eram o porto seguro dos filhos, mas o dela só lhe oferecia o peso da cobrança, mas nunca a segurança do apoio.
Agatha hesitou, mordeu os lábios e, mesmo sabendo da injustiça, acabou se rendendo:


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