Amanda tomou o caldo até a última gota, num silêncio que só foi quebrado quando Ricardo, percebendo que ela não sabia como retomar a conversa, decidiu falar.
— Como a vovó está?
O clima pesado se dissipou um pouco com a mudança de assunto.
— Ela está bem, dentro do possível. — Respondeu ela, mais calma. — Ela já sabia que seu tio Henrique havia trocado os remédios, então ingeriu propositalmente uma pequena quantidade, apenas o suficiente para encenar, mas longe de ser uma dose letal.
Amanda suspirou, um misto de decepção e cansaço no olhar.
— Ela esperava ver algum traço de arrependimento em Henrique, uma hesitação que fosse. Mas, infelizmente, ele está cego pela ganância e pelos lucros imediatos.
Ricardo se serviu de um copo da água, pensativo.
— O tio Henrique deve ter acumulado muita insatisfação ao longo desses anos.
— O Henrique nunca teve pulso firme, não é um homem feito para os negócios. — Explicou Amanda, com a franqueza de quem conhecia bem a família. — Sua avó sempre soube disso, por isso nunca permitiu que ele assumisse o controle total. Mas ele não enxerga dessa forma; acha apenas que sua avó favorece cegamente você e seu pai.
Ela ergueu os olhos para o filho, revelando uma exaustão profunda.
— Ricardo... assim que resolver as coisas aqui, volte para Oeiras, por favor.
— Vou. — Prometeu ele, num tom baixo e grave. O ar ficou estagnado por alguns segundos. Ricardo colocou o copo sobre a mesa, o som do vidro contra a madeira ecoando no silêncio, e acrescentou. — No entanto, desconfio que o tio Henrique e a tia Helena já sabiam que eu estava em Macondo há algum tempo.
Amanda congelou por um instante, a compreensão iluminando seu rosto.
— Então, o Henrique tentou agir contra sua avó justamente porque descobriu que você estava vivo?
— Exatamente. Se não fosse por isso, ele teria agido muito antes nesses últimos seis meses. — Ponderou Ricardo.
A revelação deixou a expressão de Amanda ainda mais complexa e sombria. Após refletir por um momento, ela disse:
— Bom, agora que a família Ferraz está sob o comando do seu pai, conseguiremos segurar as pontas por um tempo. O plano deles falhou desta vez, mas não sabemos o que tentarão a seguir.
Percebendo a angústia dela, Ricardo tratou de tranquilizá-la com firmeza:
— Fique tranquila. Deixei a Fernanda vigiando tudo de perto. Eles não vão conseguir o que querem.
Amanda soltou o ar, visivelmente mais aliviada.
— A propósito... — Disse Ricardo, os lábios se movendo devagar. — Há mais uma coisa que preciso contar à senhora.
...
Na manhã seguinte, ao descer as escadas e não encontrar o pai, Luana puxou uma cadeira e se sentou à mesa de café da manhã.
— Papai saiu tão cedo assim?
Vinícius desviou o olhar da revista que lia e a encarou, erguendo uma sobrancelha com certo tédio.
— Você concordou com o noivado, esqueceu?
Luana sorriu sem graça, esfregando a têmpora para disfarçar o constrangimento, e se calou. Enquanto tomava seu mingau, não percebeu o olhar de Vinícius, que havia escurecido, carregando um segredo obscuro e difícil de verbalizar.
Mais tarde, Vinícius acompanhou Luana até antiga mansão da família Souza. Originalmente, era o pai quem deveria estar ali, mas ele preferiu inventar uma desculpa para fugir da realidade e não ter que encarar o noivado da filha.
Enquanto atravessavam o jardim, o destino, sempre irônico, colocou Carlos no caminho deles.
Considerando o último encontro que tiveram, Luana ainda se sentia incomodada com as palavras de Carlos. Fosse um aviso genuíno ou uma ameaça velada, estava na cara que se ela estivesse em um lado oposto ao dele, Carlos não hesitaria em derrubá-la.
Carlos lançou um olhar breve e indecifrável para Luana antes de transferir sua atenção totalmente para Vinícius.
— Desde que sua irmã retornou, suas visitas à antiga mansão se tornaram bastante frequentes, não é?
Luana olhou para o irmão. O rosto de Vinícius permanecia impassível, uma máscara de frieza e distanciamento, embora seus olhos traíssem um estado de alerta, como um animal acuado pronto para o ataque.
— Pare de vigiar os assuntos da minha família. — Advertiu Vinícius, com a voz cortante.
— Estou vigiando, mas não são os assuntos da sua família.
Carlos deu um passo à frente, parando perigosamente perto de Vinícius, invadindo seu espaço pessoal. Ele ergueu a mão como se fosse ajustar o alfinete na lapela do outro. Quando Vinícius recuou ligeiramente o corpo num gesto de repulsa, a mão de Carlos desviou suavemente para o ombro dele, espanando uma poeira imaginária do terno num gesto de intimidade forçada e perturbadora.
— Eu já disse... — Sussurrou Carlos, mantendo o contato visual. — Não quero ser seu inimigo.

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: A Mulher que Fez o CEO Mais Frio Chorar na TV
Não consigo mais comprar moedas. Sempre aparece a mesma mensagem com a informação que a compra é inviável pelo lado cliente, mesmo o pagamento sendo por PIX...
Porque não consigo mais ler? Tem mais de 1 semana que li o capítulo 646 e não liberam os outros. Vejo que já tem até o 654....
Como faço pra ler o livro completo tem como comprar por aqui...
Como ler a partir do capítulo 596?...
São quantos capítulos?...
Kd o capítulo 520???...
Quero ler o livro completo como faço?...
Ler o livro a partir do capitulo 561...
Ler o livro completo...