Helena não esperava tamanha cautela e agressividade vindo de César, mas no momento, a prioridade era garantir o "sim". Quanto a lidar com as ameaças dele... bom, isso seria um problema para a Helena do futuro resolver.
— Fechado. — Concordou ela.
...
Mais tarde naquele dia, Luana chegou à clínica de repouso para visitar sua mãe. Assim que entrou no quarto, porém, sentiu um frio na espinha ao ver que a cama estava vazia, perfeitamente arrumada. Apenas uma enfermeira estava no local, dobrando alguns lençóis.
— Onde está minha mãe? — Perguntou Luana, tentando controlar a ansiedade que crescia em seu peito.
— A senhora está falando da Sra. Souza? — A enfermeira sorriu, tranquila. — Ah, ela desceu agorinha mesmo. Um senhor veio visitá-la e a levou para tomar um ar no jardim.
Luana franziu a testa, confusa.
— Que senhor?
A enfermeira já tinha visto o pai e o irmão de Luana, então saberia reconhecê-los. Poderia ser o Ricardo?
— Olha, eu não conheço... — Explicou a funcionária, com um olhar sonhador. — Mas era um homem muito distinto, bonito mesmo, com uma pele de porcelana que parecia de artista de novela. Ah, e ele chamou a Sra. Souza de "cunhada".
O sangue de Luana gelou. Sua mente ficou em branco por um segundo, e apenas um nome ecoou em sua cabeça: Carlos.
Sem dizer mais nada, ela girou nos calcanhares e correu para as escadas, ignorando o elevador. Estava prestes a ligar para Rita para conseguir o número de Carlos, mas assim que chegou ao jardim, avistou a cena que tanto temia.
Lá estava sua mãe, sentada na cadeira de rodas, e Carlos logo atrás, empurrando-a devagar por entre os canteiros de flores. O mais surpreendente não era a presença dele, mas o fato de que a Sra. Souza parecia estar tendo um momento de lucidez, conversando animadamente com ele.
— Mãe! — Gritou Luana, apressando o passo em direção a eles.
A Sra. Souza virou a cabeça e, ao ver a filha, seus olhos brilharam.
— Luana?
Luana lançou um olhar cortante para Carlos, mas se agachou diante da mãe, segurando suas mãos trêmulas.
— Mãe... a senhora lembra de mim?
— Mas é claro que lembro, minha filha. — Respondeu a senhora, estendendo a mão para acariciar o rosto de Luana e afastar uma mecha de cabelo de sua testa. O sorriso dela era de uma ternura dolorosa. — Você é minha menina, meu tesouro. Como é que uma mãe vai esquecer a própria filha?
Luana sentiu um nó na garganta e os olhos arderem. Se não fosse a crueldade do Alzheimer, sua mãe jamais a esqueceria. Engolindo o choro para não assustá-la, Luana se levantou e sua postura mudou num instante de filha amorosa para uma leoa protegendo a cria.
— Você acha que eu sou ingênua? — Confrontou ela. — A questão fiscal do Grupo Souza... foi obra sua, não foi? Não tente dizer que é um mal-entendido.
Carlos não se irritou. Pelo contrário, soltou uma risada baixa e caminhou tranquilamente até um banco próximo.
— Tudo bem, eu admito. Fui eu. Mas entenda, isso é um assunto entre mim e seu irmão, apenas um jogo. E convenhamos... seu irmão é um homem inteligente. Você acha mesmo que ele não consegue resolver um probleminha desses?
Luana ficou atônita, observando-o. Havia algo estranho no tom de voz dele. Ela esperava ódio, rancor, vingança... mas o que ouvia soava mais como mágoa, como uma criança que faz birra para chamar a atenção. Parecia um comportamento imaturo, quase mesquinho.
— Afinal de contas... qual é a sua relação com meu irmão? — Perguntou ela, a dúvida estampada no rosto. — Vocês eram amigos e viraram inimigos? O que aconteceu?
Carlos se virou para ela, e o sorriso em seu rosto se alargou, tornando-se quase radiante, mas sem calor algum.
— E o que você gostaria que nós fossemos?
Luana o encarou, analisando cada detalhe. Nunca tinha visto Carlos sorrir daquele jeito. Era inegável que ele era um homem bonito, mas de uma beleza singular. Seus traços eram delicados, quase femininos, uma beleza andrógina que não lembrava em nada a robustez de Afonso.
E, olhando bem, Luana percebeu outra coisa intrigante. Ele também não se parecia nem um pouco com Érica.

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: A Mulher que Fez o CEO Mais Frio Chorar na TV
Não consigo mais comprar moedas. Sempre aparece a mesma mensagem com a informação que a compra é inviável pelo lado cliente, mesmo o pagamento sendo por PIX...
Porque não consigo mais ler? Tem mais de 1 semana que li o capítulo 646 e não liberam os outros. Vejo que já tem até o 654....
Como faço pra ler o livro completo tem como comprar por aqui...
Como ler a partir do capítulo 596?...
São quantos capítulos?...
Kd o capítulo 520???...
Quero ler o livro completo como faço?...
Ler o livro a partir do capitulo 561...
Ler o livro completo...