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A Mulher que Fez o CEO Mais Frio Chorar na TV romance Capítulo 446

Vanessa apertou as mãos com força, sentindo a tensão percorrer seus dedos, e sua expressão esfriou instantaneamente.

— Que absurdo é esse que você está inventando agora? — Disparou ela, com a voz carregada de desdém.

Luana a encarou, mantendo uma serenidade que contrastava com a agitação da outra.

— Você finge não acreditar para manter essa fachada, mas no fundo já sabe a verdade. — Respondeu Luana, com calma. — Para ser honesta, se eu não tivesse visto aquela pinta vermelha no seu pulso, jamais teria desconfiado.

A menção do sinal de nascença foi o estopim para Vanessa.

— Pare de falar sobre coisas que não existem! Eu não acredito em uma só palavra sua! — explodiu ela, incapaz de conter a raiva que a consumia. — E daí se eles forem meus pais biológicos? O fato de terem me gerado não significa que me criaram. Não sinto absolutamente nada por eles e, mesmo que morram, não significarão nada para mim!

Na lógica distorcida de Vanessa, ela era a única vítima da história, a filha abandonada. Por que deveria reconhecer pais e um irmão que, na sua cabeça, não tinham sentimentos e a descartaram? E, pior ainda, por que deveria se arrepender de qualquer coisa?

Luana consultou o relógio de pulso, restava apenas um minuto para o fim da visita.

— A verdade, Vanessa, é que Agatha nunca te abandonou. Você foi roubada e vendida pela senhora Vera. — Revelou Luana, decidindo que era hora de expor tudo. — Agatha me adotou apenas porque projetou em mim a imagem da filha perdida, aquela que ela acreditava ter sido abandonada. É uma tragédia cruel que ela se lembrasse daquela pinta no pulso da filha e, no fim, tenha morrido justamente pelas mãos dela.

Vanessa paralisou. Aquelas palavras a transportaram violentamente de volta ao dia em que Agatha caíra do prédio. Ela se lembrou de ter segurado Agatha por um breve momento; o olhar da mulher, estranhamente, não continha ódio. Naquele instante de adrenalina, Vanessa não se importara com o que ela tentava dizer, mas agora, tardiamente, a leitura labial fazia um sentido aterrorizante.

Sem esperar por uma reação ou defesa, Luana colocou o fone no gancho e se levantou, deixando a sala de visitas.

Pouco depois, a policial conduziu Vanessa de volta pelo corredor lúgubre. Um único raio de sol atravessava a claraboia, projetando-se no chão, mas ela permaneceu presa nas sombras. A ironia era amarga. Ela sempre desprezara seu pai adotivo, considerando-o um inseto que vivia na sarjeta. No entanto, sem perceber, ela acabara se transformando exatamente na mesma criatura que tanto abominava, rastejando na escuridão.

...

Isadora ia continuar falando, mas seus olhos se fixaram em algo atrás de Luana e ela travou. Endireitou a postura instintivamente na cadeira; dizer que não estava com medo seria mentira.

Luana se virou devagar e, ao dar de cara com Júlio, sentiu um terror genuíno percorrer sua espinha. A imagem daquele homem trouxe à tona a lembrança vívida daquele dia chuvoso anos atrás, e do olhar calmo e cruel que ele lhe lançara.

Júlio já havia notado a presença de Isadora. A garota se levantou num salto, exibindo uma expressão que misturava pânico e uma bravata forçada.

— Eu... foi o Fernando quem me deixou sair! — Exclamou ela, na defensiva, antes que ele pudesse acusá-la de fugir.

— Encontrando amigas? — Perguntou Júlio, ignorando a explicação atropelada dela. Seu sorriso era perturbadoramente amável, o que só aumentava a tensão.

Então, ele desviou o olhar para Luana. Seus olhos se fixaram nela com intensidade, e a expressão em seu rosto sofreu uma mudança sutil, quase imperceptível, como se ele tivesse acabado de encontrar uma peça que faltava no tabuleiro.

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