Luana lutou tanto pelo divórcio, mas agora que finalmente segurava a liberdade nas mãos, a alegria esperada não veio. Pelo contrário, parecia que todo o amor e o ódio que consumiram seus dias haviam se dissipado com a fumaça daquela explosão, deixando para trás apenas um silêncio oco.
Dez dias haviam se passado desde a tragédia. A mansão da família Oliveira permanecia sob um cerco vigilante, com agentes da polícia monitorando o perímetro dia e noite. Até que as suspeitas fossem totalmente esclarecidas, Júlio estava proibido de deixar o país, tendo cada passo seu vigiado como se estivesse sob uma lupa.
No escritório, a fumaça do cigarro de Júlio desenhava espirais cinzentas contra a janela. Quando o celular sobre a mesa vibrou, ele sacudiu as cinzas com indiferença e atendeu. Após ouvir a voz do outro lado, apagou o toco do cigarro na taça de vinho, observando o líquido vermelho chiar ao extinguir a brasa.
— Aqui no país está tudo sob controle. — Garantiu Júlio, com a voz arrastada e cínica. — Aproveite a lua de mel com sua esposa e trate de não a decepcionar.
Pouco depois de encerrar a chamada, um de seus subordinados entrou no escritório e parou diante da mesa, hesitante.
— Chefe...
Antes que o homem pudesse continuar, Júlio ergueu a mão num gesto seco, ordenando silêncio, e indicou com a cabeça que deveriam conversar no quarto. O capanga entendeu o recado imediatamente. Aquele ambiente poderia estar grampeado.
Já na segurança do quarto, o homem retomou a fala, mais confiante:
— Chefe, a polícia continua fuçando em tudo, mas já cuidei de "limpar" o pessoal temporário que contratamos. Os irmãos de confiança, seguindo suas ordens, já partiram para o Porto do Presépio atrás do Guilherme.
— Ótimo. — Murmurou Júlio, girando duas nozes de nogueira na mão, o som rítmico preenchendo o silêncio. — É uma pena. A explosão levou o herdeiro dos Ferraz, mas falhou em matar o neto da família Alencar.
— Se não fosse pela sua misericórdia em dar a eles uma chance de escapar, estariam todos mortos! — Adulou o capanga, curvando-se levemente.
Júlio soltou uma risada fria, desprovida de humor.
— Presas devem ser caçadas e torturadas lentamente, é aí que está a diversão. Mas ver o Domingos explodir... isso, sim, foi o prato principal que eu queria saborear. É o fim que todo covarde merece.
— O senhor tem toda a razão. — Concordou o homem, subserviente.
— A propósito, a família Ferraz ainda está ocupada chorando pelo Ricardo?
— Bem... — O capanga hesitou por um instante. — De Oeiras não chega muita coisa. Como não há corpo, parece que os Ferraz se recusam a oficializar a morte.
Júlio se levantou e caminhou até a janela, observando o jardim vigiado.
— Não importa. A família já está um caos. Agora você pode entrar em contato com aquela nossa aliada na casa da família Ferraz.
Naquele momento, um funcionário da transportadora gritou da calçada:
— Dona Luana, já carregamos tudo!
— Está bem! — Gritou ela de volta, virando-se para o vizinho. — Professor Valentino, então já vou indo.
Ela deu alguns passos, mas parou. Uma inquietação a fez girar nos calcanhares e voltar até ficar frente a frente com ele.
— Tenha cuidado com o Júlio. — Alertou ela, baixando o tom de voz. — O sequestro daquela época teve o dedo dele, e ele guardava muito rancor do seu avô.
Valentino paralisou por alguns segundos, as sobrancelhas se unindo em preocupação, mas logo assentiu.
— Tudo bem, obrigado pelo aviso.
Ele a observou entrar no carro e partir com o caminhão de mudança. O punho que ele mantinha cerrado ao lado do corpo foi se soltando devagar, e um sorriso de resignação brotou em seus lábios. Ele sabia que havia perdido naquele dia. Talvez, tivesse perdido no momento exato em que a memória dela escolheu lembrar apenas de Ricardo.

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: A Mulher que Fez o CEO Mais Frio Chorar na TV
Eu só espero que não role um sequestro dos bebês, essa história já está longa demais!...
estou achando essa história de remédio adulterado muito cansativa, e está se alongando muito, já está na hora de por um ponto final nessa história ....
até que enfim, Luana e Ricardo...
Quantos capítulos tem esse livro, está parecendo novela mexicana, não tem fim, são quantas gerações????...
Como é bom ver Ricardo e Luana que amor lindo, amooo...
Sou negra e feia, mas me valorizo! As brancas deveriam se impor mais ainda e sendo lindas então......
Não consigo mais comprar moedas. Sempre aparece a mesma mensagem com a informação que a compra é inviável pelo lado cliente, mesmo o pagamento sendo por PIX...
Porque não consigo mais ler? Tem mais de 1 semana que li o capítulo 646 e não liberam os outros. Vejo que já tem até o 654....
Como faço pra ler o livro completo tem como comprar por aqui...
Como ler a partir do capítulo 596?...