Criança?
A primeira imagem que surgiu na mente de Luana foi a de Leonardo. À parte daquele assunto delicado envolvendo Vanessa e seu filho, ela não conseguia encontrar nenhuma outra explicação plausível que pudesse fazer Ricardo perder o controle daquele jeito.
— Eu faria mal a uma criança? — A voz dela veio acompanhada de um riso frio, carregado de incredulidade. — Sr. Ricardo, sinceramente, não sei o que o senhor quer insinuar com essas palavras.
Antes que pudesse recuar, ele avançou e agarrou seu pulso com força.
— Foi você quem comprou o bolo ou não? — Ele perguntou, sua voz firme, carregada de acusação.
O aperto dele não teve qualquer cuidado; a pressão era suficiente para machucar.
Instintivamente, Luana tentou se livrar, o nariz começando a ficar vermelho de irritação.
— O bolo foi a Vanessa quem me pediu para comprar. Sim, eu comprei, e daí?
Ricardo não se deu por satisfeito. Com um movimento rápido, puxou-a para ainda mais perto até que ambos ficassem separados por poucos centímetros, a respiração dele batendo quente e pesada.
— O Leo é alérgico a chocolate. Você sabia que aquele bolo quase custou a vida dele?
A dor no braço passou completamente despercebida diante das palavras que ele soltou.
Por um instante, Luana ficou parada, atordoada, o olhar vazio.
— A Vanessa não me contou nada sobre isso. — Ela disse, num tom baixo, como se a realidade ainda estivesse sendo processada.
— Continua mentindo. — O olhar dele, já sombrio, tornou-se ainda mais gelado enquanto se aproximava passo a passo. — A Vanessa já falou para você sobre a alergia. Que tipo de mãe não sabe do que o próprio filho é alérgico?
Luana recuou automaticamente. Cada passo seu a levava mais para trás até que as costas tocaram a frieza da parede. Não havia mais para onde fugir.
Ricardo olhava para ela como se pudesse atravessá-la com aquele olhar. Era duro, afiado, pronto para feri-la sem piedade. E tudo isso, apenas com base no que Vanessa contou.
Ele nem cogitou a possibilidade de que ela estivesse dizendo a verdade.
O coração de Luana disparou, um tremor profundo percorrendo seu corpo. Por dentro, parecia que ondas agitadas se acumulavam, pressionando seu peito até tornar a respiração difícil e dolorosa.
Os olhos dela começaram a queimar, ficando vermelhos. Ainda assim, insistiu em explicar:
— Ricardo, ela realmente não disse nada. Eu não sabia da alergia do Leonardo. Pensei que, como qualquer criança, ele fosse gostar de bolo de chocolate.
— Você acha mesmo que eu acreditaria nisso?
Aquela única frase foi como um golpe certeiro, lhe arrancando por dentro qualquer resquício de defesa.
Ela permaneceu em silêncio. Uma lágrima grossa e brilhante se formou, mas não chegou a cair. Sentia o peso do próprio coração afundando, como uma pedra jogada no fundo do mar, desaparecendo sem deixar ondulações.
Ela sabia que ele não acreditaria, mas ainda assim queria, desesperadamente, que acreditasse. No fundo, esperava que, só dessa vez, ele confiasse nela. Só que isso não passava de uma ilusão frágil e patética.
— Mas hoje cedo, você...
— Chega. — Interrompeu Ricardo, dando um passo à frente para se colocar entre as duas. Seus olhos eram gélidos, protetores apenas para Vanessa. — Luana, mesmo agora, não é capaz de se arrepender?
O peito de Luana contraiu de forma dolorosa. Sentiu as mãos e os pés completamente frios.
— Eu já disse, não sabia de nada! — A voz dela saiu trêmula, mas ainda firme.
— Dra. Luana, seja qual for o mal-entendido que tenha comigo, que venha diretamente a mim. Mas jamais toque no meu filho. Só tenho ele! — Disse Vanessa, o tom transbordando de indignação e inocência, como se fosse a única vítima naquela sala, enquanto Luana ocupava o lugar de vilã imperdoável.
O cansaço tomou conta de Luana. Até a consciência parecia prestes a lhe abandonar o corpo. Sua voz soou rouca, quase desvanecida:
— Eu... realmente não sabia...
— Não sabia? — Ricardo avançou, pousando a mão firme na nuca dela e a empurrando para baixo. — Então vai ficar ajoelhada aqui. Só quando ele acordar é que poderá se levantar.
Sem tempo para reagir, foi forçada a se ajoelhar junto à cama. Se não tivesse apoiado as mãos, teria batido com força na lateral do leito.
O peso da mão dele ainda pressionava suas costas, obrigando-a a se manter naquela posição.
Então, a voz dele soou junto ao seu ouvido, gelada e impiedosa:
— É tão difícil assim admitir que errou?

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: A Mulher que Fez o CEO Mais Frio Chorar na TV
Kd o capítulo 520???...
Quero ler o livro completo como faço?...
Ler o livro a partir do capitulo 561...
Ler o livro completo...