No trajeto, enquanto Liliane mexia no celular distraída, o segurança olhou pelo retrovisor e franziu o cenho.
— Srta. Liliane, parece que tem um carro nos seguindo.
Ela se virou para olhar pelo vidro traseiro e o reconhecimento foi imediato.
— Por que ele? — Murmurou, confusa.
Era Valentino. Ele a estava seguindo?
— Quer que a gente despiste o sujeito? — Perguntou o motorista, já segurando o volante com mais força.
Liliane apoiou o queixo na mão, pensativa.
— Não. Diminua a velocidade. Vamos ver se ele ultrapassa.
O motorista obedeceu. O carro de trás, percebendo a redução, acelerou e os ultrapassou rapidamente, mas, para surpresa de todos, cortou a frente da van e freou bruscamente, bloqueando a rua.
A parada violenta quase arremessou Liliane contra o banco da frente.
— Esse cara é maluco? — O motorista, furioso, soltou o cinto e colocou a cabeça para fora da janela. — Aprendeu a dirigir onde, imbecil? Comprou a carteira na feira?
Valentino desceu do carro com uma calma irritante, ignorando os insultos. Percebendo a tensão, o motorista e o segurança desceram prontos para o confronto físico, mas Liliane correu para intervir.
— Esperem! É conhecido, é conhecido! Parem!
Valentino sacudiu uma poeira inexistente do casaco, mantendo a compostura elegante de sempre.
— Srta. Liliane, não disse que fugiu de casa e não tinha para onde ir? Ainda tem dinheiro para contratar dois guarda-costas particulares?
— Hã... — Liliane travou por um segundo, tentando improvisar. — Foi um parente! Um parente distante que contratou, só fiquei sabendo hoje...
— E esse parente seria o Ricardo? — Cortou Valentino, direto.
Ela engoliu em seco.
— Exato. — Ele suspirou, com um ar nostálgico ensaiado. — Eram idênticas na aparência, mas opostas na personalidade. Se fossem flores, sua mãe seria uma peônia branca, delicada, e sua tia, uma rosa vermelha cheia de espinhos.
— Não sei muito sobre o passado delas. — Respondeu Luana, tentando encerrar o assunto.
Júlio riu baixo, tamborilando os dedos na mesa de forma rítmica.
— Então vamos falar sobre o que você sabe.
Percebendo o subtexto da frase, Luana apertou as mãos com força sob a mesa.
— Relaxe, não precisa ficar nervosa. A polícia está me vigiando, o que eu poderia fazer aqui dentro? — Ele se recostou na cadeira, mantendo a fachada polida de um cavalheiro inofensivo. — Só quero saber uma coisa, como vocês escaparam das mãos deles naquele dia?
Na época do sequestro, havia cinco vigias no cativeiro. Júlio, o mandante, raramente aparecia, preferindo manipular tudo das sombras e deixar o trabalho sujo para seus comparsas. Seis crianças contra cinco homens adultos... a fuga seria impossível pela força bruta. Se não fosse pelo conflito interno entre os sequestradores e o fato de três deles terem saído naquele momento crucial, ela jamais teria conseguido enganar os dois restantes. Era pura sorte e instinto de sobrevivência.
— Não precisa responder se não quiser, é mera curiosidade. — O olhar de Júlio escureceu, fixando-a como um falcão que avista a presa indefesa. — Mas confesso que estou surpreso por você ainda me reconhecer depois de tantos anos.

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: A Mulher que Fez o CEO Mais Frio Chorar na TV
Como faço pra ler o livro completo tem como comprar por aqui...
Como ler a partir do capítulo 596?...
São quantos capítulos?...
Kd o capítulo 520???...
Quero ler o livro completo como faço?...
Ler o livro a partir do capitulo 561...
Ler o livro completo...