— Mas por que eu deveria acreditar em você? — Questionou Luana, com a voz trêmula de desconfiança. Considerando o histórico recente em que a mulher à sua frente havia conspirado com Vanessa, Luana não ousava depositar sua fé naquelas palavras sem hesitação.
Ivana manteve a expressão inalterada, devolvendo o olhar com uma frieza calculada.
— Você tem todo o direito de não acreditar, é claro. — Respondeu ela, num tom monocórdico. — De qualquer forma, o que precisava ser dito, eu já disse.
Sem esperar por uma réplica, Ivana girou nos calcanhares e saiu do quarto, deixando a porta bater levemente atrás de si. Luana franziu a testa, afundando-se em seus pensamentos enquanto processava as informações; fugir ou permanecer ali era uma aposta de alto risco, e ela precisava decidir rápido.
Enquanto isso, Ivana atravessou o corredor acompanhada por um segurança até chegar ao grande salão de jantar, onde Júlio e o pequeno Leonardo faziam sua refeição. O menino mantinha uma postura rígida, lançando olhares cautelosos e vigilantes em direção ao avô recém-descoberto. Até aquele dia, ele jamais sabia da existência de um pai ou avô, pois sua mãe nunca mencionava nada a respeito.
Ao entrar, Ivana fixou os olhos em Leonardo, deduzindo imediatamente que aquele era o filho de Vanessa. Ela caminhou até a mesa com passos firmes, puxou uma cadeira e se sentou sem pedir licença, servindo-se de um copo d'água.
— Não imaginei que você traria a criança para cá tão cedo. — Comentou ela, observando o menino.
Júlio, que servia um pouco de comida no prato de Leonardo, ergueu o olhar brevemente.
— Você foi ver a garota? — Indagou ele, ignorando o comentário anterior.
Ivana hesitou por uma fração de segundo, mas logo abriu um sorriso cínico.
— E por que não iria? Afinal, ela é minha sobrinha de sangue. Eu, como tia, não tenho o direito de demonstrar um pouco de compaixão?
— Compaixão ou arrependimento? — Retrucou Júlio, encarando-a com um olhar carregado de significado. — Não se esqueça de que ela é filha de Danilo.
O sorriso de Ivana desapareceu num instante, dando lugar a uma máscara de indiferença.
— Mas não é minha filha. — Disparou ela, seca.
Júlio sorriu, satisfeito com a resposta, e não disse mais nada. Percebendo a tensão entre os adultos, Leonardo permaneceu em silêncio, comendo o mais rápido que pôde. Assim que terminou, Júlio acariciou o topo da cabeça do menino num gesto que tentava ser avô, mas soava possessivo.
— Leonardo, seja um bom garoto e vá brincar com o tio segurança lá fora. — Instruiu Júlio, com voz mansa. — Se quiser comprar qualquer brinquedo, é só pedir a eles.
O menino assentiu obedientemente, segurou a mão estendida pelo guarda-costas e deixou a sala de jantar, aliviado por escapar daquela atmosfera pesada. Júlio pegou o guardanapo de linho sobre a mesa, limpou o canto da boca com elegância e voltou sua atenção para a mulher.
— Mandei meus homens espalharem a notícia para Danilo. Pela filha dele, imagino que ele deva aparecer, não acha?
O corpo de Ivana se retesou por alguns segundos e suas mãos se fecharam instintivamente sob a mesa, mas ela permaneceu calada. Observando cada micro expressão no rosto dela, Júlio soltou uma risada baixa.
— E devo agradecer a você, Ivana. Graças à sua "ajuda", descobri que a preciosa filha dele é a mesma garotinha daquele passado distante, não é mesmo?
Ivana lançou um olhar para ele que era um misto de sorriso forçado e desprezo, recusando-se a verbalizar qualquer reação.
...
A noite caiu, envolvendo a propriedade num silêncio denso.
No quarto onde era mantida prisioneira, Luana começou a gritar e bater na porta. Pouco depois, um homem corpulento e de rosto desconhecido abriu a porta abruptamente. Pelo sotaque carregado e a postura agressiva, ficava claro que a guarda havia sido trocada, exatamente como Ivana alertara.
Com agilidade, ela se içou para o parapeito, passando as pernas para o lado de fora e buscando apoio na borda estreita da fachada. Seu corpo ficou totalmente suspenso no ar por um momento terrível, até que seus pés encontraram uma saliência firme. Abaixo dela, a água do lago parecia tinta preta, turva e exalando um odor de lodo e podridão.
Percebendo o silêncio suspeito, o guarda começou a chutar a madeira.
— Que demora é essa? Abre essa porta agora!
O coração de Luana disparou, batendo tão forte que parecia estar na garganta. Quando ouviu o som da porta sendo arrombada com um estrondo, ela prendeu a respiração e saltou para o vazio.
O impacto com a água foi gelado e chocante.
— Merda! — O guarda correu até a janela aberta, vendo apenas as ondulações na água escura. — Alguém ajuda aqui! A garota fugiu!
O lago não era fundo; ao cair, Luana sentiu o lodo no fundo, mas a água suja batia apenas em sua cintura. Ignorando o cheiro nauseabundo que impregnava suas roupas, ela se levantou rapidamente e correu, chapinhando pela água até alcançar a proteção do canavial. Logo atrás, feixes de lanternas começaram a varrer a escuridão e vozes gritavam ordens.
— Rápido! Ela foi por ali!
Luana não ousou olhar para trás. Seus pulmões queimavam e as folhas afiadas das canas cortavam sua pele, mas ela sabia que parar significava o fim. Ela corria às cegas, sem saber para onde o caminho levava, guiada apenas pelo instinto de sobrevivência.
De repente, seu pé prendeu em uma raiz exposta que ela não vira na escuridão. O mundo girou e ela caiu violentamente, rolando por um barranco íngreme até que seu corpo parou no acostamento de uma estrada de asfalto.
Sua cabeça bateu contra o chão duro, e uma tontura avassaladora a dominou. Através da visão turva, ela percebeu luzes fortes de faróis rasgando a noite, vindo em sua direção. O carro parou e, do meio daquele clarão ofuscante, uma silhueta masculina alta e imponente emergiu, caminhando em sua direção.
Ela tentou focar a visão, mas não conseguiu distinguir o rosto. Antes que pudesse dizer qualquer coisa, a escuridão a engoliu por completo e ela desmaiou.

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: A Mulher que Fez o CEO Mais Frio Chorar na TV
Eu só espero que não role um sequestro dos bebês, essa história já está longa demais!...
estou achando essa história de remédio adulterado muito cansativa, e está se alongando muito, já está na hora de por um ponto final nessa história ....
até que enfim, Luana e Ricardo...
Quantos capítulos tem esse livro, está parecendo novela mexicana, não tem fim, são quantas gerações????...
Como é bom ver Ricardo e Luana que amor lindo, amooo...
Sou negra e feia, mas me valorizo! As brancas deveriam se impor mais ainda e sendo lindas então......
Não consigo mais comprar moedas. Sempre aparece a mesma mensagem com a informação que a compra é inviável pelo lado cliente, mesmo o pagamento sendo por PIX...
Porque não consigo mais ler? Tem mais de 1 semana que li o capítulo 646 e não liberam os outros. Vejo que já tem até o 654....
Como faço pra ler o livro completo tem como comprar por aqui...
Como ler a partir do capítulo 596?...