Ricardo até cogitou evitar o assunto, mas, ao ouvir o tom de voz dela carregado de uma insinuação de que não queria vê-lo de volta em casa, franziu o cenho, sentindo-se provocado.
Deu um passo firme em sua direção, permitindo que o olhar percorresse seu corpo sem qualquer disfarce.
— Esta é a minha casa. Volto quando quiser.
Num reflexo, Luana tentou se esquivar, mas ele estendeu os braços e a puxou contra si. Os fios úmidos de seu cabelo, ainda molhado, grudavam na pele clara, e os olhos cristalinos, tomados pelo pânico, transmitiam uma fragilidade que saltava aos olhos.
A pequena pinta castanho-escura no canto do olho acentuava uma sensualidade quase dolorosa de se encarar.
A ponta dos dedos quentes dele roçou de leve aquela marquinha; a garganta contraiu instintivamente enquanto, sem perceber, calculava mentalmente que já fazia meses desde a última vez que a tocara.
Luana reconhecia aquele olhar ardente, conhecia bem demais e, sentindo o perigo, tentou empurrá-lo de forma atrapalhada.
— As camisinhas acabaram...
— Eu comprei. — Respondeu Ricardo, com a voz mais rouca que o normal, a mão firme em suas costas e o rosto se inclinando para o pescoço dela.
O gesto foi tão íntimo que chegou a assustá-la. Antes que pudesse reagir, o homem a ergueu nos braços.
Quando o colchão afundou sob o peso de ambos, Luana se viu presa entre os braços dele. O calor intenso de seu corpo era como sempre, semelhante a um ferro em brasa, e cada toque parecia capaz de incendiá-la por completo.
No meio daquela confusão de sensações, uma lembrança dolorosa surgiu em sua mente, o dia em que ele a havia tocado pela primeira vez.
Era a primeira vez dela também, mas, em vez de carinho ou cuidado, ele a tratava como um simples objeto, usando-a conforme a própria vontade, lhe deixando apenas dores espalhadas pelo corpo e cicatrizes na alma.
Depois disso, a cada novo encontro, um leve sentimento de repulsa insistia em aparecer. Ainda assim, por amá-lo, Luana se esforçava para agradá-lo, para corresponder aos seus desejos, transformando-se numa espécie de instrumento para aliviar a tensão dele.
E agora, diante de uma intimidade que incluía até preliminares, ela não sabia o que pensar.
Fechou os olhos, permitindo que as lágrimas escapassem silenciosamente pelas pálpebras. Não retribuiu, tampouco resistiu de forma evidente, mas o corpo transmitia uma tensão que Ricardo percebeu.
No momento decisivo, ele interrompeu o movimento.
De cima, encarou o olhar melancólico dela, vazio e resignado, como de alguém que caminha para o próprio destino sem esperança de retorno.
— Você não quer que eu te toque? — Perguntou ele, com o semblante fechado.
Ela manteve o olhar firme, sem demonstrar pressa na resposta.
— Após me obrigar a me ajoelhar hoje, senhor Ricardo, ainda acha que eu estaria disposta a isso? Bate com uma mão e afaga com a outra... é assim que funciona?
— Ricardo, o Leo quer saber se você ainda vem hoje à noite. — Perguntou ela num tom cauteloso.
— Vou aí daqui a pouco.
— Está bem. — Respondeu ela, encerrando a chamada com um suspiro de alívio.
Por mais que quisesse negar, Ricardo ainda se importava com ela e com a criança.
Chegou ao hospital já passava das nove e meia da noite. Leonardo, ao vê-lo, abriu um sorriso radiante; queria que ele ficasse para lhe fazer companhia.
— Ricardo, você não vai embora hoje, vai?
Ricardo se sentou na beirada da cama e, ao encarar os olhos puros da criança, sentiu o peito se apertar.
— Está bem, pode dormir. Fico aqui.
Só então Leonardo fechou lentamente os olhos.
Ao voltar do banho, Vanessa encontrou aquela cena. Um sorriso suave surgiu nos seus lábios, e ela se aproximou devagar.

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: A Mulher que Fez o CEO Mais Frio Chorar na TV
Eu só espero que não role um sequestro dos bebês, essa história já está longa demais!...
estou achando essa história de remédio adulterado muito cansativa, e está se alongando muito, já está na hora de por um ponto final nessa história ....
até que enfim, Luana e Ricardo...
Quantos capítulos tem esse livro, está parecendo novela mexicana, não tem fim, são quantas gerações????...
Como é bom ver Ricardo e Luana que amor lindo, amooo...
Sou negra e feia, mas me valorizo! As brancas deveriam se impor mais ainda e sendo lindas então......
Não consigo mais comprar moedas. Sempre aparece a mesma mensagem com a informação que a compra é inviável pelo lado cliente, mesmo o pagamento sendo por PIX...
Porque não consigo mais ler? Tem mais de 1 semana que li o capítulo 646 e não liberam os outros. Vejo que já tem até o 654....
Como faço pra ler o livro completo tem como comprar por aqui...
Como ler a partir do capítulo 596?...