Luana observava as pessoas ao seu redor, imersa em um mar de pensamentos turbulentos. A inexperiência no trato com aquele tipo de gente pesava sobre seus ombros. Diante do dilema que aprisionava seu pai e seu irmão, lhe restava apenas a esperança de que, se o experimento obtivesse êxito, talvez houvesse uma luz no fim do túnel.
Contudo, os últimos dias serviram para limpar sua visão, pois sua própria situação era precária, como se caminhasse sobre o fio de uma navalha. A frieza calculista daquela família e suas intermináveis maquinações não lhe dariam tempo suficiente para aguardar uma reviravolta natural. Até o seu valor como pessoa era reduzido a um mero elo de ligação entre Afonso, Emanuel e "Luciano". Se fosse qualquer outro homem que lhes trouxesse benefício, ela sabia, com amarga certeza, que seria sacrificada sem hesitação.
Quando aquele dia chegasse, será que ainda poderia contar com a proteção do pai ou do irmão?
Luana inspirou profundamente, forçando o ar para dentro dos pulmões na tentativa de acalmar a tempestade interior.
— Por que está me revelando tudo isso? — Indagou ela, buscando os olhos dele.
— Porque agora sou o Luciano. Preciso que você tenha meios de se proteger, especialmente diante deles. Você não pode entregar o jogo, muito menos demonstrar fraqueza ou medo. — Explicou Ricardo.
Assim que terminou a frase, ele se levantou, ajustando o paletó com elegância, e caminhou em direção a outro grupo para brindar e negociar. Diferente do homem recluso que costumava ser, o personagem "Luciano" exigia traquejo social e, curiosamente, ao interpretar esse papel, Ricardo parecia se libertar de algumas de suas antigas amarras.
Ela o observou se afastar, a curiosidade pulsando ao se perguntar por que ele escolhera justamente aquela identidade. E o seu rosto...
Antes que pudesse aprofundar o raciocínio, uma voz masculina rompeu seu transe:
— Sra. Luana, imagino que seja a sua primeira vez em um lugar como este, não é?
Ela virou o rosto, deparando-se com um homem de aparência jovem, cabelos penteados para trás com excesso de gel e uma taça de bebida na mão, que acabara de se acomodar ao seu lado.
Num reflexo defensivo, Luana buscou Ricardo com o olhar, mas ele e o grupo com quem conversava já não estavam mais no camarote.
— Está procurando o Sr. Luciano? Ele saiu com alguns diretores do Grupo Fóton para discutir negócios. — Disse o homem, percebendo a inquietação dela, e logo emendou com um sorriso ensaiado. — Permita-me apresentar. Sou Otávio, diretor de RH do Grupo Alvorada. Aqui está meu cartão.
Luana aceitou o retângulo de papel com polidez, correndo os olhos pelas informações.
— Sra. Luana, é a sua primeira vez neste tipo de ambiente? — Insistiu Otávio Moraes, o tom de voz carregado de uma simpatia artificial. — Notei que parece um pouco deslocada.
O sorriso dele era constante, mas a voz trazia uma ponta de sondagem, como se estivesse testando o terreno. Luana franziu o cenho de leve, e a advertência de Ricardo ecoou em sua mente como um mantra: "não entregue o jogo, não demonstre medo."
— É apenas a primeira vez que venho a uma boate tão... extravagante. — Respondeu ela, assumindo uma postura mais altiva. — Se não fosse pelo Sr. Luciano, eu sequer saberia da existência deste lugar.
Otávio se serviu de mais uma dose, mantendo o olhar fixo nela.
— Ouvi dizer que, antes de voltar para Macondo, a senhora vivia em Oeiras. Por acaso não existem lugares assim por lá?
Luana devolveu o olhar, agora com um brilho de desafio.
— Oeiras não possui o mesmo ar de luxúria decadente de Macondo. — Retrucou, mudando o foco da conversa com astúcia. — A propósito, qual é o ramo de atuação da sua empresa?
Naquele instante, Otávio, que observava tudo à distância, largou sua bebida e os seguiu silenciosamente, mantendo-se nas sombras.
Enquanto aguardavam o elevador no corredor luxuoso, Luana olhou para Ricardo, que permanecia em silêncio.
— Onde você se meteu? — Perguntou ela.
— Fui resolver alguns assuntos. — Respondeu ele, virando o rosto na direção dela e estreitando os olhos com um ar provocador. — Por quê? Sentiu saudade?
Ela revirou os olhos, sem palavras para a audácia dele.
— Pelo que vi, você se saiu muito bem na minha ausência.
Luana ergueu o queixo, orgulhosa.
— Claro, tudo porque eu...
A frase morreu em sua garganta. Ricardo inclinou o corpo bruscamente em sua direção, invadindo seu espaço pessoal. Ela travou, surpresa, e quando tentou falar, o dedo indicador dele pousou sobre seus lábios, silenciando-a.
— Tem gente olhando. — Sussurrou ele, com a voz rouca.

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: A Mulher que Fez o CEO Mais Frio Chorar na TV
Eu só espero que não role um sequestro dos bebês, essa história já está longa demais!...
estou achando essa história de remédio adulterado muito cansativa, e está se alongando muito, já está na hora de por um ponto final nessa história ....
até que enfim, Luana e Ricardo...
Quantos capítulos tem esse livro, está parecendo novela mexicana, não tem fim, são quantas gerações????...
Como é bom ver Ricardo e Luana que amor lindo, amooo...
Sou negra e feia, mas me valorizo! As brancas deveriam se impor mais ainda e sendo lindas então......
Não consigo mais comprar moedas. Sempre aparece a mesma mensagem com a informação que a compra é inviável pelo lado cliente, mesmo o pagamento sendo por PIX...
Porque não consigo mais ler? Tem mais de 1 semana que li o capítulo 646 e não liberam os outros. Vejo que já tem até o 654....
Como faço pra ler o livro completo tem como comprar por aqui...
Como ler a partir do capítulo 596?...