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A Mulher que Fez o CEO Mais Frio Chorar na TV romance Capítulo 503

Luana observava as pessoas ao seu redor, imersa em um mar de pensamentos turbulentos. A inexperiência no trato com aquele tipo de gente pesava sobre seus ombros. Diante do dilema que aprisionava seu pai e seu irmão, lhe restava apenas a esperança de que, se o experimento obtivesse êxito, talvez houvesse uma luz no fim do túnel.

Contudo, os últimos dias serviram para limpar sua visão, pois sua própria situação era precária, como se caminhasse sobre o fio de uma navalha. A frieza calculista daquela família e suas intermináveis maquinações não lhe dariam tempo suficiente para aguardar uma reviravolta natural. Até o seu valor como pessoa era reduzido a um mero elo de ligação entre Afonso, Emanuel e "Luciano". Se fosse qualquer outro homem que lhes trouxesse benefício, ela sabia, com amarga certeza, que seria sacrificada sem hesitação.

Quando aquele dia chegasse, será que ainda poderia contar com a proteção do pai ou do irmão?

Luana inspirou profundamente, forçando o ar para dentro dos pulmões na tentativa de acalmar a tempestade interior.

— Por que está me revelando tudo isso? — Indagou ela, buscando os olhos dele.

— Porque agora sou o Luciano. Preciso que você tenha meios de se proteger, especialmente diante deles. Você não pode entregar o jogo, muito menos demonstrar fraqueza ou medo. — Explicou Ricardo.

Assim que terminou a frase, ele se levantou, ajustando o paletó com elegância, e caminhou em direção a outro grupo para brindar e negociar. Diferente do homem recluso que costumava ser, o personagem "Luciano" exigia traquejo social e, curiosamente, ao interpretar esse papel, Ricardo parecia se libertar de algumas de suas antigas amarras.

Ela o observou se afastar, a curiosidade pulsando ao se perguntar por que ele escolhera justamente aquela identidade. E o seu rosto...

Antes que pudesse aprofundar o raciocínio, uma voz masculina rompeu seu transe:

— Sra. Luana, imagino que seja a sua primeira vez em um lugar como este, não é?

Ela virou o rosto, deparando-se com um homem de aparência jovem, cabelos penteados para trás com excesso de gel e uma taça de bebida na mão, que acabara de se acomodar ao seu lado.

Num reflexo defensivo, Luana buscou Ricardo com o olhar, mas ele e o grupo com quem conversava já não estavam mais no camarote.

— Está procurando o Sr. Luciano? Ele saiu com alguns diretores do Grupo Fóton para discutir negócios. — Disse o homem, percebendo a inquietação dela, e logo emendou com um sorriso ensaiado. — Permita-me apresentar. Sou Otávio, diretor de RH do Grupo Alvorada. Aqui está meu cartão.

Luana aceitou o retângulo de papel com polidez, correndo os olhos pelas informações.

— Sra. Luana, é a sua primeira vez neste tipo de ambiente? — Insistiu Otávio Moraes, o tom de voz carregado de uma simpatia artificial. — Notei que parece um pouco deslocada.

O sorriso dele era constante, mas a voz trazia uma ponta de sondagem, como se estivesse testando o terreno. Luana franziu o cenho de leve, e a advertência de Ricardo ecoou em sua mente como um mantra: "não entregue o jogo, não demonstre medo."

— É apenas a primeira vez que venho a uma boate tão... extravagante. — Respondeu ela, assumindo uma postura mais altiva. — Se não fosse pelo Sr. Luciano, eu sequer saberia da existência deste lugar.

Otávio se serviu de mais uma dose, mantendo o olhar fixo nela.

— Ouvi dizer que, antes de voltar para Macondo, a senhora vivia em Oeiras. Por acaso não existem lugares assim por lá?

Luana devolveu o olhar, agora com um brilho de desafio.

— Oeiras não possui o mesmo ar de luxúria decadente de Macondo. — Retrucou, mudando o foco da conversa com astúcia. — A propósito, qual é o ramo de atuação da sua empresa?

Capítulo 504 1

Capítulo 504 2

Capítulo 504 3

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