Valentino fez uma pausa antes de responder, mantendo o tom de voz inalterado.
— Ele fica assim quando as coisas não saem como planejado. Não ligue, é o jeito dele lidar com frustrações.
— Aconteceu alguma coisa grave? — Insistiu Luana, percebendo que havia algo mais.
Ele optou por não entrar em detalhes e fechou a pasta que estava sobre a mesa, mudando o foco da conversa.
— Você precisava de algo?
Lembrando-se do motivo de sua visita, Luana retomou a postura profissional.
— Sim, eu estava analisando o projeto de tratamento centralizado para AD. Queria saber se o reposicionamento de fármacos antigos para encurtar o tempo de pesquisa e reduzir custos não poderia, de alguma forma, comprometer a eficácia da intervenção.
Valentino entrelaçou os dedos sobre a mesa, encarando-a com seriedade profissional.
— Se conseguirmos garantir a estabilidade do medicamento e que a eficácia não sofra descontos, essa abordagem pode ser um grande avanço, não um problema.
— Mas você não acha o risco muito alto? — Questionou Luana, a preocupação transparecendo na voz. — Afinal, reutilizar medicamentos envolve variáveis demais.
Ele assentiu levemente, concordando com a premissa, mas não com o medo.
— O risco existe, sem dúvida. Mas a ciência caminha justamente através da tentativa e erro. Se não tentarmos, como saberemos o limite?
Luana o observou por um momento, surpresa com a convicção inabalável dele. Diante daquela determinação, seus receios pareceram menores, e ela acabou sorrindo.
— Talvez eu esteja me preocupando à toa mesmo.
— Você só está pensando na sua mãe. — Observou Valentino, com suavidade.
O sorriso de Luana ganhou um matiz amargo ao ouvir aquilo. Percebendo a mudança sutil no olhar dela, Valentino desfez o aperto das mãos e, num impulso para dissipar a melancolia que se instalava, sugeriu:
— Que tal... você pagar o meu jantar hoje à noite?
Luana piscou, pega de surpresa pela mudança repentina de assunto. Valentino desviou o olhar para a janela, mantendo a expressão neutra enquanto inventava uma desculpa plausível.
— Estou precisando economizar ultimamente. E, se bem me lembro, você ainda me deve duas refeições.
O riso dela voltou, agora mais leve e genuíno.
— Está bem, combinado.
...
Enquanto isso, no último andar do Hotel Emanuel, Vinícius se encontrava no clube privado, um espaço exclusivo e inacessível ao público geral, onde Emanuel costumava receber seus convidados mais ilustres.
— Colocar sua irmã em contato com o Sr. Luciano foi, de fato, ideia minha. Mas, pelo que observei, ela não pareceu rejeitar a companhia dele. — Pontuou Emanuel, fazendo Vinícius travar o maxilar e sustentar o olhar do tio. — Você conhece a situação da família Souza. A desunião reina. César, sua tia Yasmin e seu tio César estão vigiando cada passo seu e do seu pai. Agora que sua irmã voltou, para eles, ela é apenas mais uma concorrente na disputa pela herança. Quanto mais vocês a protegem, mais expõem o ponto fraco de vocês. Isso é praticamente um convite para que a usem contra vocês.
Vinícius apertou o copo de chá com força, fazendo o líquido transbordar e queimar a pele de sua mão. Ele nem piscou, ignorando a dor física.
— E o senhor? Não está fazendo exatamente a mesma coisa? Usando-a?
— Minha posição é diferente. — Retrucou Emanuel, com frieza pragmática. — Eu não pretendo ficar preso a essas disputas mesquinhas de Macondo. Pouco me importa se o romance entre sua irmã e o Sr. Luciano vai vingar ou não; meu único interesse é garantir que meus negócios se expandam para o exterior sem obstáculos.
O objetivo de Emanuel era claro, tão cristalino que Vinícius não conseguiu detectar nenhum traço de falsidade. Talvez porque, naquele aspecto, o tio nunca tivesse se preocupado em esconder sua ambição.
Vinícius se levantou, pronto para dar as costas àquela conversa, quando a voz de Emanuel o deteve.
— Espere.
Ao se virar, Vinícius viu o tio deslizar uma fotografia sobre a mesa de madeira polida.
— O que é isso? — Perguntou, desconfiado.
Emanuel levou o copo aos lábios, bebendo devagar antes de responder com um sorriso enigmático:
— Aquilo que você estava procurando.

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: A Mulher que Fez o CEO Mais Frio Chorar na TV
Eu só espero que não role um sequestro dos bebês, essa história já está longa demais!...
estou achando essa história de remédio adulterado muito cansativa, e está se alongando muito, já está na hora de por um ponto final nessa história ....
até que enfim, Luana e Ricardo...
Quantos capítulos tem esse livro, está parecendo novela mexicana, não tem fim, são quantas gerações????...
Como é bom ver Ricardo e Luana que amor lindo, amooo...
Sou negra e feia, mas me valorizo! As brancas deveriam se impor mais ainda e sendo lindas então......
Não consigo mais comprar moedas. Sempre aparece a mesma mensagem com a informação que a compra é inviável pelo lado cliente, mesmo o pagamento sendo por PIX...
Porque não consigo mais ler? Tem mais de 1 semana que li o capítulo 646 e não liberam os outros. Vejo que já tem até o 654....
Como faço pra ler o livro completo tem como comprar por aqui...
Como ler a partir do capítulo 596?...