À medida que o crepúsculo tingia o céu, Luana se despediu dos colegas na entrada do edifício e dirigiu-se à garagem subterrânea. As luzes do corredor se acendiam automaticamente, uma a uma, acompanhando seus passos, até que ela estancou bruscamente ao reconhecer a silhueta à sua frente.
Ricardo estava recostado no capô do carro dela, com os braços cruzados e uma postura que mesclava uma indolência enganosa com uma opressão latente, impossível de ser ignorada. O olhar dele repousava sobre ela, firme e impenetrável. Desde aquela noite fatídica, Luana ainda não decidira como encarar a situação, ficando em dúvida entre agir com a frieza de quem apenas contratou um acompanhante de luxo ou simplesmente fingir que nada aconteceu. Para sua infelicidade, ele tomou a iniciativa de quebrar o silêncio.
— Você não acha que me deve uma explicação sobre a outra noite? — Indagou ele, a voz grave ecoando no concreto frio.
Luana piscou, desconcertada pela abordagem direta.
— Que explicação eu deveria lhe dar?
Ricardo desencostou do carro e se aproximou num movimento fluido, invadindo o espaço pessoal dela.
— Me diga... — Sussurrou ele, inclinando-se levemente. — O meu desempenho não foi satisfatório?
Luana emudeceu. Então ele veio até ali apenas para cobrar satisfações sobre o ego ferido?
Diante do silêncio dela, ele soltou um riso baixo e rouco.
— É estranho, porque tenho a nítida impressão de que fui muito competente naquela noite.
Sentindo o rosto arder, Luana estalou a língua em desaprovação e tentou contorná-lo para fugir daquela conversa constrangedora. No entanto, Ricardo foi mais rápido: com um puxão suave, mas firme, ele a trouxe para si, fazendo-a colidir contra o peito dele.
— Agora você sente vergonha? — Provocou ele, sustentando-a pela cintura. — Não parecia tão tímida quando teve a audácia de deixar aquele bilhete e dinheiro na mesa de cabeceira.
Ela ergueu o queixo, recusando-se a intimidar.
— Comparado à sua "cara de pau", deixar um bilhete foi um ato de pura cortesia da minha parte.
Ricardo estreitou os olhos, avaliando-a com um misto de diversão e perigo. Aproveitando a brecha, Luana se desvencilhou do abraço e recuou um passo, ajeitando a roupa.
— Mas, mudando de assunto... Como você sabia que eu estava naquele camarote naquela noite?
— Não foi você mesma quem me enviou a localização? — Rebateu ele, arqueando uma sobrancelha.
— Eu não... — Luana travou no meio da frase.
Num reflexo imediato, ela sacou o celular e abriu o histórico de conversas do WhatsApp. Ao verificar as mensagens de dois dias atrás, sentiu o sangue gelar: na pressa e na confusão do momento, ela havia realmente enviado o endereço para Ricardo. Na lista de contatos, o nome dele estava logo acima do de Vinícius, e ela cometera um erro crasso.
Então era por isso que Vinícius não aparecera e ficara tão furioso com o fato de ela ter passado a noite fora. Ela havia mandado o "S.O.S." para a pessoa errada.
Enquanto ela processava o erro, Ricardo alisou as mangas da camisa, e seu tom adquiriu uma nuance de ironia cortante.
Luana sorriu com polidez diplomática e afastou a mão dele com delicadeza.
— Primeiro, não pretendo me casar novamente. Segundo, muito menos cogito reatar laços antigos ou criar novos que me prendam. Espero que o senhor entenda minha posição.
Sem esperar por uma réplica, Luana o contornou rapidamente, entrou no carro e travou as portas, deixando-o sozinho na garagem semiluminada.
Durante o trajeto, a mente de Luana era um turbilhão. Flashbacks do passado invadiam seus pensamentos sem permissão. As mágoas negligenciadas e as humilhações vividas estavam gravadas profundamente em sua alma. Tão profundamente que, mesmo diante da possibilidade de um afeto genuíno, sua reação instintiva era o recuo e a desconfiança.
"Chega, não vou pensar nisso agora", decidiu ela, forçando-se a limpar a mente. Tinha problemas mais urgentes para resolver: a aliança traiçoeira entre a família Lopes e sua tia Yasmin.
Como previsto, não demorou para que rumores maliciosos sobre um suposto envolvimento íntimo entre ela e Tomás se espalhassem por Macondo. A fofoca foi o pretexto perfeito para que Afonso a convocasse de volta à mansão da família.
Ao chegar ao casarão, Luana desceu do carro e notou que Vinícius fizera o mesmo, caminhando ao seu lado com determinação.
— Vinícius, você não precisa...
— Fique tranquila. — Interrompeu ele, com um sorriso reconfortante. — Vou enfrentar isso com você.
Ouvir aquilo aqueceu o coração de Luana, que assentiu, sentindo-se mais forte para a batalha que viria a seguir.

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: A Mulher que Fez o CEO Mais Frio Chorar na TV
Eu só espero que não role um sequestro dos bebês, essa história já está longa demais!...
estou achando essa história de remédio adulterado muito cansativa, e está se alongando muito, já está na hora de por um ponto final nessa história ....
até que enfim, Luana e Ricardo...
Quantos capítulos tem esse livro, está parecendo novela mexicana, não tem fim, são quantas gerações????...
Como é bom ver Ricardo e Luana que amor lindo, amooo...
Sou negra e feia, mas me valorizo! As brancas deveriam se impor mais ainda e sendo lindas então......
Não consigo mais comprar moedas. Sempre aparece a mesma mensagem com a informação que a compra é inviável pelo lado cliente, mesmo o pagamento sendo por PIX...
Porque não consigo mais ler? Tem mais de 1 semana que li o capítulo 646 e não liberam os outros. Vejo que já tem até o 654....
Como faço pra ler o livro completo tem como comprar por aqui...
Como ler a partir do capítulo 596?...