Ao ver Emanuel entrar, a tensão no rosto de Yasmin foi imediata e palpável.
Érica, sempre observadora, notou a mudança brusca na expressão da cunhada e franziu o cenho, desviando o olhar logo em seguida, imersa em seus próprios pensamentos.
— Estão todos aqui, que bom. — Comentou Emanuel com um sorriso casual, acomodando-se no ambiente antes de se voltar para o patriarca. — Pai.
Afonso, que bebericava seu chá, pousou a xícara na mesa de centro.
— Você voltou. Já está sabendo das notícias? — Indagou o velho.
Os dedos de Yasmin se fecharam com força ao redor do próprio vestido, traindo sua ansiedade crescente. Desde que Emanuel estreitara laços com a poderosa família Monteiro, de Cingapura, sua postura mudara drasticamente, inclinando-se de forma óbvia para o lado da família do quarto irmão. O retorno repentino dele, justo naquele momento de crise, não podia ser coincidência. Certamente não traria nada de bom.
— Ouvi dizer, sim. A repercussão na internet está imensa. — Disse Emanuel, sentando-se confortavelmente no sofá da sala de estar. Havia uma leveza calculada em seu tom. — Mas imagino que o meu irmão tenha uma solução para isso, não?
Naquele momento, a empregada se aproximou com cautela, servindo uma xícara de chá fumegante para o recém-chegado, tentando fazer o mínimo de ruído possível diante da atmosfera pesada.
Sentado do outro lado, Danilo soltou uma risada nasalada, carregada de desdém.
— O Vinícius já está cuidando de tudo. Quanto a essas calúnias online. Assim que a polícia liberar as imagens da câmera do carro, toda essa farsa vai desmoronar por conta própria.
— É verdade, faz sentido. — Concordou Érica, esboçando um sorriso fraco. Ela se virou para Yasmin, buscando apoio. — O único problema é se a família do idoso resolver fazer um escândalo maior do que o necessário.
Yasmin captou a deixa imediatamente e assentiu, aproveitando para destilar seu veneno:
— Pois é. O que não falta hoje em dia é gente desonesta querendo tirar vantagem. Se eles decidirem nos extorquir por causa desse acidente, teremos uma dor de cabeça enorme.
— Quem não deve, não teme. Vocês não precisam se preocupar com isso. — Cortou Danilo, levantando-se de súbito. Ele ajeitou o paletó e olhou para Afonso. — Pai, tenho compromissos. Não vou ficar para o jantar.
Afonso apenas assentiu, dispensando-o.
Danilo atravessou a sala e saiu para o pátio, mas antes que pudesse chegar ao carro, uma voz o deteve.
— Danilo.
Ele parou e girou nos calcanhares. Era Emanuel.
Emanuel caminhou até ele, parando a uma distância respeitosa, mas com um olhar indecifrável.
— Sobre o incidente com a Luana... se precisarem de qualquer coisa, eu posso ajudar. Afinal, somos todos uma família.
Diante daquela oferta repentina, Danilo não hesitou. Seu instinto gritava para manter distância.
— Agradeço a intenção, Emanuel, mas os assuntos da nossa casa resolvemos sozinhos. — Respondeu Danilo, com firmeza.
Sem dar margem para réplicas, ele deu as costas e saiu apressado. Mesmo que a oferta de Emanuel fosse, na sua descrença, genuína, viria certamente com um preço ou segundas intenções. A cautela era a única aliada de Danilo naquele momento.
...
Como Yasmin previu, a situação saiu do controle. A família do idoso atropelado foi protestar na sede do Grupo Souza. Inflamados pelos boatos online, repórteres cercaram o edifício, bloqueando completamente a entrada principal.
Yasmin se encontrou com o filho do idoso atropelado. Sem dizer muito, estendeu-lhe um envelope pardo volumoso. O homem pegou o pacote com as duas mãos, sentindo o peso satisfatório. Havia pelo menos dez maços de dinheiro vivo ali dentro.
— Isso deve ser o suficiente. — Disse Yasmin, com frieza. — Mas se vocês conseguirem inflamar ainda mais a opinião pública contra ela, posso adicionar mais cem mil.
Os olhos do homem brilharam de ganância. Ele abriu um sorriso largo, revelando dentes amarelados.
— É mais do que suficiente! Mas... a senhora me garante que isso é voluntário, certo? Que não vai pedir de volta depois?
Yasmin soltou uma risada de escárnio. Para ela, duzentos mil não passavam do preço de uma bolsa de grife.
— Pode ficar tranquilo. Desde que façam o serviço direito. Caso contrário... — Ela deixou a ameaça no ar.
— Deixa com a gente! — Garantiu o homem, batendo no peito.
Yasmin entrou em seu carro e partiu, sem notar que, a poucos metros dali, um SUV preto estava estacionado com as luzes apagadas.
O vidro traseiro desceu lentamente. Roberto tirou os óculos escuros e conferiu as fotos em alta resolução na tela de sua câmera profissional. O rosto de Yasmin e a troca de dinheiro estavam nítidos. Com a outra mão, ele levou o celular ao ouvido.
— Trabalhei de paparazzo de graça o dia todo para você. — Reclamou Roberto, em tom de brincadeira. — Não mereço nenhuma recompensa por esse furo?
Do outro lado da linha, Ricardo saía do hospital, a expressão séria.
— Posso arranjar um encontro às cegas para você. — Respondeu ele, seco.

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: A Mulher que Fez o CEO Mais Frio Chorar na TV
Eu só espero que não role um sequestro dos bebês, essa história já está longa demais!...
estou achando essa história de remédio adulterado muito cansativa, e está se alongando muito, já está na hora de por um ponto final nessa história ....
até que enfim, Luana e Ricardo...
Quantos capítulos tem esse livro, está parecendo novela mexicana, não tem fim, são quantas gerações????...
Como é bom ver Ricardo e Luana que amor lindo, amooo...
Sou negra e feia, mas me valorizo! As brancas deveriam se impor mais ainda e sendo lindas então......
Não consigo mais comprar moedas. Sempre aparece a mesma mensagem com a informação que a compra é inviável pelo lado cliente, mesmo o pagamento sendo por PIX...
Porque não consigo mais ler? Tem mais de 1 semana que li o capítulo 646 e não liberam os outros. Vejo que já tem até o 654....
Como faço pra ler o livro completo tem como comprar por aqui...
Como ler a partir do capítulo 596?...