Luana recobrou os sentidos num sobressalto, acenou em despedida para o diretor e saiu do escritório acompanhando Ricardo. No corredor, ela apressou o passo para alcançá-lo, incapaz de conter a curiosidade e a apreensão.
— Você vai comprar a empresa da vovó Sofia usando a identidade de Sr. Luciano? — Questionou ela, num sussurro urgente.
Ricardo parou de andar e se virou para ela, com naturalidade.
— E de que outra forma seria?
— A vovó Sofia sabe disso?
— Não, ela não sabe.
Luana respirou fundo, tentando controlar a indignação.
— Ricardo, sua avó ainda está internada no hospital. Você fazendo uma manobra dessas... não tem medo de que ela...
— Se você está tão preocupada com a vovó, deveria ir visitá-la. — Interrompeu Ricardo, num tom despreocupado, enquanto seus dedos roçavam suavemente uma mecha de cabelo perto da orelha dela. — Tenho certeza de que ela sente sua falta.
Sentindo uma coceira incômoda na orelha e o coração acelerar, Luana se esquivou do toque.
— Eu não sou mais a neta por afinidade dela.
Ricardo soltou uma risada rouca.
— E precisa ser neta para fazer uma visita?
Ela se calou, sem argumentos. Na verdade, não era falta de vontade. Ela simplesmente não sabia como encarar Sofia depois de tudo o que acontecera.
Ele comprimiu os lábios num sorriso contido e, subitamente, assumiu um tom sério.
— A aquisição da Sinar Medical foi algo muito bem ponderado, Luana. Além do mais, a vovó vai concordar.
Luana o encarou por um momento, decidindo não questionar mais. Se ele estava tão seguro, talvez houvesse um plano maior que ela desconhecia.
...
A notícia de que a Sinar Medical estava prestes a ser adquirida chegou aos ouvidos de Henrique em menos de vinte e quatro horas. Embora ele estivesse atualmente no comando das operações da empresa, a autoridade final do conselho ainda permanecia nas mãos de ferro de Sofia.
O fato de ele ter sido o último a saber da fusão foi um golpe duro.

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