— Acho que você perdeu o juízo de vez! — Esbravejou Afonso. Com as veias do pescoço saltadas, ele a fuzilava com o olhar.
— Eu já enlouqueci faz muito tempo. — Carol recuou alguns passos, abriu os braços em sinal de rendição e soltou uma risada amarga. — Depois que a Érica me injetou aqueles hormônios e eu descobri toda a verdade sobre a minha família, percebi que não havia mais salvação para mim. Aquele explosivo foi preparado justamente para acabar com a minha vida e a sua ao mesmo tempo, pois eu tinha a certeza de que você viria atrás de mim para proteger o Vinícius!
O peito de Afonso subia e descia em uma respiração pesada. Ele fechou os olhos com força, tentando recuperar um pingo de compostura.
— Então você deveria ter me chamado para resolvermos isso sozinhos.
— Mudei de ideia. — Ela caminhou sem pressa até o outro lado do coreto, demonstrando um descaso absoluto por tudo e por todos ao seu redor. — Fiquei pensando que o senhor já está na reta final da vida e vai morrer logo de qualquer jeito, então não vale a pena perder meu tempo te torturando. Mas o Vinícius é uma história diferente. Ele é jovem, tem um futuro pela frente e, acima de tudo, é o neto que o senhor mais valoriza.
— Carol... — Afonso puxou o ar e se levantou devagar. Acostumado a estar sempre no controle da situação e a agir com pulso firme, o patriarca da família transparecia agora uma vulnerabilidade que beirava o desespero. Ele manteve o silêncio por alguns instantes, tentando decifrar as intenções da garota. — O que você quer de mim afinal?
— Eu quero... — Os cílios dela tremeram, e a voz perdeu a força no meio da frase. — Deixa para lá. Já não existe mais nada nesse mundo que eu queira.
Apoiando todo o peso do corpo em sua bengala, o velho se aproximou com passos cautelosos.
— Entendo o tamanho do ódio que você carrega no coração, mas não se esqueça de que você e o Vinícius cresceram juntos e sempre foram muito apegados. Você não tem o direito de fazer isso com ele. A sua vingança é contra mim, não é? Então pode tirar a minha vida. Se a minha morte for o suficiente para aplacar a sua raiva, aceito o meu destino sem reclamar.
Um sorriso debochado surgiu nos lábios da jovem.
— Sendo assim, por que o senhor não se ajoelha e implora para eu poupá-lo?
A expressão de Afonso escureceu no mesmo instante. Para um homem de sua idade, com tanto poder e influência, dobrar os joelhos diante de uma garota era a pior das humilhações. Contudo, para a surpresa de todos, ele hesitou apenas por um breve segundo antes de ceder e se prostrar no chão frio.
Os seguranças que acompanhavam a cena ficaram em estado de choque. Confusos com a atitude submissa do chefe, eles trocaram olhares assustados e deram um passo à frente no impulso de intervir.
— Senhor Afonso...
— Não deem mais nenhum passo! — Ordenou ele, mantendo-se de costas para os subordinados. Diante do tom autoritário, os homens congelaram no lugar e não ousaram se mover.
Ao ver a figura outrora imponente ajoelhada aos seus pés, os olhos de Carol ganharam um brilho de pura fúria e ela soltou uma gargalhada carregada de escárnio.
— Quem diria que o grande e intocável líder da família Souza, um ditador egoísta e sem coração, seria capaz de se ajoelhar para salvar outra pessoa! Quando a Yasmin morreu, o senhor não demonstrou um pingo de remorso. Cheguei a pensar que você não tivesse sequer uma consciência guardada aí dentro.
Afonso permaneceu em um silêncio sepulcral, engolindo as provocações calado.
— Vovô! — A voz de Vinícius rasgou a tensão do ambiente.
— Eu já estou no fim da vida, o que acontece comigo não tem importância. O que eu não podia permitir era ficar parado vendo você correr perigo.
— De que perigo você está falando? — Indagou Vinícius.
— Ela armou um dispositivo com temporizador na casa. Toda essa encenação foi planejada só para me forçar a matá-la! — O olhar do velho transbordava uma agressividade sombria. Logo depois, ele soltou um longo suspiro e fechou os olhos. — Chamem a polícia.
O peito de Carol arfava, emitindo um som cada vez mais fraco. Com os dedos ensanguentados, ela apertou o tecido da camisa de Vinícius em uma tentativa desesperada de se agarrar à vida. Ao repousar o rosto no peito do rapaz, pareceu que o resto de suas forças a havia abandonado.
— Não... não tem dispositivo nenhum. Inventei tudo para enganar ele. Fiz isso de propósito...
A confissão caiu como uma bomba. Afonso congelou no banco, arregalando os olhos ao perceber o tamanho do próprio erro.
— Eu não tive coragem... não tive coragem de tirar a minha própria vida. Mas acho que agora acabou. — A voz dela falhava a cada palavra, arrastando-se em seu suspiro final. — Vinícius... fico tão feliz... por ter conseguido te ver mais uma vez.
Assim que as últimas palavras escaparam de seus lábios, o aperto frouxo de sua mão cedeu, escorregando pelo braço do rapaz até repousar inerte sobre a poça vermelha no chão de pedra. Não houve mais nenhum movimento, e ela partiu sem sequer conseguir fechar os olhos.
Poucos minutos depois, o som agudo das sirenes de polícia começou a ecoar à distância, anunciando que a tragédia já não tinha mais volta.

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: A Mulher que Fez o CEO Mais Frio Chorar na TV
Eu só espero que não role um sequestro dos bebês, essa história já está longa demais!...
estou achando essa história de remédio adulterado muito cansativa, e está se alongando muito, já está na hora de por um ponto final nessa história ....
até que enfim, Luana e Ricardo...
Quantos capítulos tem esse livro, está parecendo novela mexicana, não tem fim, são quantas gerações????...
Como é bom ver Ricardo e Luana que amor lindo, amooo...
Sou negra e feia, mas me valorizo! As brancas deveriam se impor mais ainda e sendo lindas então......
Não consigo mais comprar moedas. Sempre aparece a mesma mensagem com a informação que a compra é inviável pelo lado cliente, mesmo o pagamento sendo por PIX...
Porque não consigo mais ler? Tem mais de 1 semana que li o capítulo 646 e não liberam os outros. Vejo que já tem até o 654....
Como faço pra ler o livro completo tem como comprar por aqui...
Como ler a partir do capítulo 596?...