A brisa soprava suave pelo campo quando Carlos olhou para a vasta extensão verdejante ao redor. A folhagem exibia um tom esmeralda entrelaçado com fios dourados, e embora o inverno já se aproximasse, a paisagem continuava deslumbrante.
— Como eu poderia me recusar a vê-lo? — Ela desviou o olhar do horizonte e soltou uma risada carregada de sarcasmo. — Afinal de contas, o senhor foi meu pai durante décadas. Se não me deu a vida, pelo menos me criou, não é verdade?
— E você ousa falar em criação comigo depois da forma como decidiu me retribuir? — O olhar de Afonso endureceu, revelando uma ferocidade contida.
Ela ignorou a hostilidade do patriarca, enfiou as mãos nos bolsos e caminhou alguns passos para o lado, mantendo a postura arrogante.
— Mas eu retribuí da melhor maneira possível. Foi preciso que eu causasse todo esse caos para que os seus filhos finalmente entendessem a importância de se unirem. Caso contrário, a família Souza continuaria se matando em disputas internas antes mesmo do seu funeral, e isso só te traria mais dor de cabeça.
— Então eu deveria te agradecer pela generosidade. — Rebateu Afonso, soltando um sorriso seco que logo desapareceu, dando lugar a uma expressão sombria. — Você quer me convencer de que a verdadeira causa das brigas internas da família Souza e de toda a desarmonia entre os irmãos sempre foi o César e a Yasmin, incluindo a Érica. É isso que está tentando dizer?
Carlos preferiu o silêncio.
— Posso estar velho, mas ainda não perdi a clareza das coisas. — Continuou Afonso, os dedos enrugados acariciando o castão da bengala enquanto falava num tom pausado e firme. — Sempre soube que a aproximação do César e da Yasmin com a Érica escondia segundas intenções. Meus dois filhos nunca tiveram grande talento para os negócios, e isso não me preocupa. Quanto à Érica, eu a conheço melhor do que ninguém. Ela não tem nenhuma base sólida além da minha proteção, sendo o tipo de mulher fácil de controlar, que se dá por satisfeita com um pouco de luxo e dinheiro. Durante todos esses anos ao meu lado, ela nunca teve a ambição de tomar o controle de nada. Então, eu pergunto, quando foi que essa ideia surgiu na cabeça dela?
Ele virou o rosto para encará-la, com as palavras carregadas de insinuações pesadas.
— Imagino que alguém a tenha instigado a desejar aquilo que não lhe pertencia, alimentando uma ganância que nunca fez parte da sua natureza.
— Ela sempre foi gananciosa. — Respondeu Carlos, soltando um riso gélido. — O senhor acha mesmo que ela precisou de algum empurrãozinho meu?
— Gananciosa, sim, mas covarde. — A expressão do velho permaneceu inabalável. — Se ela fosse tão ousada, teria agido logo depois de nos casarmos. Você sequer é do mesmo sangue que ela. Por que ela precisaria de você para armar um plano tão arriscado? Se eu estivesse no lugar da Érica e tivesse que criar a filha de outra pessoa, veria você apenas como um estorvo perigoso e teria resolvido o problema muito cedo.
— O senhor não entende nada! — A voz dela subiu algumas oitavas, traindo a irritação acumulada. — Ela só me usou! O único objetivo daquela mulher ao me fazer passar pelo seu filho era garantir riqueza e luxo dentro da família Souza. Enquanto eu estivesse por perto e fosse vista como um herdeiro legítimo, a posição dela estaria mais do que assegurada!
— E você vai ter a audácia de negar que também a usou? Vai me dizer olhando nos olhos que o caso entre ela e o César não teve o seu dedo no meio?
Afonso bateu a ponta da bengala contra o chão com toda a força, fazendo o som seco ecoar pelo ar.
Carlos se calou no mesmo instante. Seus dedos se fecharam em punhos apertados ao longo do corpo, e os traços do seu rosto assumiram uma frieza assustadora.
— Então o senhor veio até aqui, no meio do nada, apenas para me oferecer essas opções tão generosas?
— Não há outro caminho para você, e nós dois sabemos disso.
— Que piada de mau gosto! — O grito de Carlos cortou o ar enquanto ela batia as palmas das mãos com violência contra o tampo da mesa de pedra. Os seguranças que aguardavam a poucos metros de distância entraram em alerta máximo no mesmo segundo, com as mãos nas armas, prontos para eliminá-la ao menor sinal de movimento brusco. — Escuta aqui, seu velho desgraçado! Não ouse esquecer de que o seu precioso neto ainda está em minhas mãos. O senhor acha mesmo que me falta coragem para acabar com a vida daquele garoto?
— Então vá em frente e faça o serviço. — A resposta de Afonso foi cortante e veio sem um pingo de hesitação.
Carlos cerrou os dentes, forçando um sorriso distorcido pela raiva.
— Essa confiança toda é só porque conseguiram infiltrar os seus capangas no meio dos meus homens de confiança?
O silêncio do velho confirmou todas as suspeitas que ela já nutria. O sorriso torto se transformou numa risada histérica que ecoou através da quietude da floresta isolada.
— Pode ficar tranquilo, porque eu já sabia disso o tempo todo. E quer saber? Não faz a menor diferença. Afinal, há um pequeno detalhe que fiz questão de esconder dos seus espiões. — Inclinando a cabeça de lado com uma expressão perversa e debochada, ela prolongou o suspense de propósito. — Decidi deixar um presentinho instalado naquela casa. Não é grande coisa, sabe? São apenas... digamos, alguns explosivos prontos para ir pelos ares.

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: A Mulher que Fez o CEO Mais Frio Chorar na TV
Eu só espero que não role um sequestro dos bebês, essa história já está longa demais!...
estou achando essa história de remédio adulterado muito cansativa, e está se alongando muito, já está na hora de por um ponto final nessa história ....
até que enfim, Luana e Ricardo...
Quantos capítulos tem esse livro, está parecendo novela mexicana, não tem fim, são quantas gerações????...
Como é bom ver Ricardo e Luana que amor lindo, amooo...
Sou negra e feia, mas me valorizo! As brancas deveriam se impor mais ainda e sendo lindas então......
Não consigo mais comprar moedas. Sempre aparece a mesma mensagem com a informação que a compra é inviável pelo lado cliente, mesmo o pagamento sendo por PIX...
Porque não consigo mais ler? Tem mais de 1 semana que li o capítulo 646 e não liberam os outros. Vejo que já tem até o 654....
Como faço pra ler o livro completo tem como comprar por aqui...
Como ler a partir do capítulo 596?...