Afonso caminhou até o outro lado da sala, mantendo as mãos cruzadas nas costas. A postura rígida contrastava com o tom quase nostálgico de sua voz.
— Emanuel, de todos os meus filhos, você sempre foi o mais brilhante. É aquele em quem mais confio e, sem dúvida, o único que me entende de verdade. Se no passado você tivesse seguido o meu conselho e aceitado o casamento com a herdeira da família Andrade, o seu filho já estaria preparado para ser o meu sucessor perfeito, e não o Vinícius.
Natacha desviou o olhar para Emanuel, aguardando a reação dele.
O homem puxou o ar com força, enchendo os pulmões antes de soltar um suspiro carregado de anos de exaustão.
— Se eu tivesse obedecido e me casado com a filha da família Andrade, o senhor estaria satisfeito, é verdade. Mas será que eu ainda seria a mesma pessoa que sou hoje? Pai, confesso que às vezes sinto inveja dos meus irmãos mais novos. Pelo menos eles tiveram o luxo de fazer as próprias escolhas, um direito que nunca me foi concedido. Eu sei que o senhor me valoriza, mas já parou para pensar que toda essa expectativa sempre foi uma verdadeira corrente no meu pescoço?
As sobrancelhas de Afonso se juntaram em uma linha severa.
— Você está disposto a me desafiar e virar as costas para a sua família por causa deles?
— Se o senhor não os deixar em paz, não terei outra alternativa a não ser tentar. — Rebateu Emanuel, com uma voz firme e inabalável.
A atmosfera na sala de estar se tornou tão pesada que beirava o insuportável. Do lado de fora, os seguranças mal ousavam respirar mais alto. Atrás de Emanuel, Ângelo já havia compreendido toda a situação. O garoto percebeu que aquele senhor de feições duras era o avô que nunca tinha visto na vida.
Movido por um impulso de coragem, o menino deu um passo à frente, colocando-se diante do pai como um escudo protetor.
— Senhor, por favor, pare de atormentar o meu pai!
Ele não o chamou de avô.
"Se ele passou todos esses anos sem sequer me procurar, é óbvio que não se importa comigo. Não tenho motivos para tratá-lo como família.", pensou Ângelo, o maxilar travado de determinação.
Afonso observou a cena em silêncio. Um brilho fugaz cruzou o seu olhar, revelando uma mistura complexa de emoções que ele logo tratou de esconder.
— Ângelo, seja obediente e volte para o seu quarto agora. — Pediu Emanuel, tentando afastar o filho da linha de fogo. Ele fez um gesto para que Natacha levasse o garoto para dentro, mas o jovem se recusou a recuar.
— Eu já sou maior de idade, pai. Fiz dezoito anos! — Protestou Ângelo, estufando o peito. — Já sou um homem feito e tenho plena capacidade de assumir as minhas responsabilidades!
Emanuel ficou paralisado por um instante. Ao olhar para o filho com mais atenção, ele se deu conta de que o garoto já estava meia cabeça mais alto que ele. O tempo havia passado rápido demais; aquele já não era o menino frágil que precisava ser escondido do mundo.
— Já chega! — Murmurou Afonso. Ele fechou os olhos com força, como se tentasse afastar uma dor de cabeça iminente, e voltou a abri-los logo em seguida. — A minha intenção era apenas forçar um rompimento definitivo entre vocês. Não vim aqui para cometer nenhuma atrocidade. No fundo, eu só queria ver com os meus próprios olhos quem eram a mulher e o garoto que você protegeu com unhas e dentes, a ponto de suportar tudo calado por mais de dez anos.
Emanuel piscou, surpreso com a confissão inesperada, e voltou a encarar o pai.
Afonso soltou um riso anasalado, um som seco e sem humor.
— Tenho que admitir que ela tem os seus méritos.
Sem acrescentar mais nenhuma palavra, o velho patriarca virou as costas e caminhou em direção à saída, a expressão fechada de sempre.
Afonso se acomodou no sofá de couro da biblioteca. Em poucos minutos, o mordomo surgiu com uma xícara de água quente para acalmar a garganta. O velho aceitou a bebida, o rosto voltando a exibir a habitual máscara de indiferença.
— Enquanto eu tiver fôlego de vida, aquela mulher e o garoto não colocarão os pés nesta casa. Não adianta tentarem me convencer do contrário, a minha decisão está tomada.
Danilo puxou levemente o canto da boca.
"Que coisa mais agourenta. Dizer que a mulher só entra na família depois que ele morrer... Bate na madeira.", pensou ele, achando a teimosia do pai um tanto exagerada.
— Vô, no fundo, o senhor já não é mais contra o relacionamento do tio Emanuel com eles, não é verdade? — Provocou Vinícius, quebrando o silêncio.
A pergunta fez Afonso franzir a testa. Ele pousou a xícara no pires com uma calma calculada.
— E faria alguma diferença se eu fosse contra?
Vinícius baixou os olhos, optando por não responder.
— Estou ficando velho. — Suspirou Afonso, a voz soando subitamente cansada.
Após um longo momento de silêncio, ele se apoiou na bengala, levantou-se do sofá e subiu as escadas em direção ao quarto, deixando os dois para trás.

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: A Mulher que Fez o CEO Mais Frio Chorar na TV
Eu só espero que não role um sequestro dos bebês, essa história já está longa demais!...
estou achando essa história de remédio adulterado muito cansativa, e está se alongando muito, já está na hora de por um ponto final nessa história ....
até que enfim, Luana e Ricardo...
Quantos capítulos tem esse livro, está parecendo novela mexicana, não tem fim, são quantas gerações????...
Como é bom ver Ricardo e Luana que amor lindo, amooo...
Sou negra e feia, mas me valorizo! As brancas deveriam se impor mais ainda e sendo lindas então......
Não consigo mais comprar moedas. Sempre aparece a mesma mensagem com a informação que a compra é inviável pelo lado cliente, mesmo o pagamento sendo por PIX...
Porque não consigo mais ler? Tem mais de 1 semana que li o capítulo 646 e não liberam os outros. Vejo que já tem até o 654....
Como faço pra ler o livro completo tem como comprar por aqui...
Como ler a partir do capítulo 596?...