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A Mulher que Fez o CEO Mais Frio Chorar na TV romance Capítulo 645

Afonso caminhou até o outro lado da sala, mantendo as mãos cruzadas nas costas. A postura rígida contrastava com o tom quase nostálgico de sua voz.

— Emanuel, de todos os meus filhos, você sempre foi o mais brilhante. É aquele em quem mais confio e, sem dúvida, o único que me entende de verdade. Se no passado você tivesse seguido o meu conselho e aceitado o casamento com a herdeira da família Andrade, o seu filho já estaria preparado para ser o meu sucessor perfeito, e não o Vinícius.

Natacha desviou o olhar para Emanuel, aguardando a reação dele.

O homem puxou o ar com força, enchendo os pulmões antes de soltar um suspiro carregado de anos de exaustão.

— Se eu tivesse obedecido e me casado com a filha da família Andrade, o senhor estaria satisfeito, é verdade. Mas será que eu ainda seria a mesma pessoa que sou hoje? Pai, confesso que às vezes sinto inveja dos meus irmãos mais novos. Pelo menos eles tiveram o luxo de fazer as próprias escolhas, um direito que nunca me foi concedido. Eu sei que o senhor me valoriza, mas já parou para pensar que toda essa expectativa sempre foi uma verdadeira corrente no meu pescoço?

As sobrancelhas de Afonso se juntaram em uma linha severa.

— Você está disposto a me desafiar e virar as costas para a sua família por causa deles?

— Se o senhor não os deixar em paz, não terei outra alternativa a não ser tentar. — Rebateu Emanuel, com uma voz firme e inabalável.

A atmosfera na sala de estar se tornou tão pesada que beirava o insuportável. Do lado de fora, os seguranças mal ousavam respirar mais alto. Atrás de Emanuel, Ângelo já havia compreendido toda a situação. O garoto percebeu que aquele senhor de feições duras era o avô que nunca tinha visto na vida.

Movido por um impulso de coragem, o menino deu um passo à frente, colocando-se diante do pai como um escudo protetor.

— Senhor, por favor, pare de atormentar o meu pai!

Ele não o chamou de avô.

"Se ele passou todos esses anos sem sequer me procurar, é óbvio que não se importa comigo. Não tenho motivos para tratá-lo como família.", pensou Ângelo, o maxilar travado de determinação.

Afonso observou a cena em silêncio. Um brilho fugaz cruzou o seu olhar, revelando uma mistura complexa de emoções que ele logo tratou de esconder.

— Ângelo, seja obediente e volte para o seu quarto agora. — Pediu Emanuel, tentando afastar o filho da linha de fogo. Ele fez um gesto para que Natacha levasse o garoto para dentro, mas o jovem se recusou a recuar.

— Eu já sou maior de idade, pai. Fiz dezoito anos! — Protestou Ângelo, estufando o peito. — Já sou um homem feito e tenho plena capacidade de assumir as minhas responsabilidades!

Emanuel ficou paralisado por um instante. Ao olhar para o filho com mais atenção, ele se deu conta de que o garoto já estava meia cabeça mais alto que ele. O tempo havia passado rápido demais; aquele já não era o menino frágil que precisava ser escondido do mundo.

— Já chega! — Murmurou Afonso. Ele fechou os olhos com força, como se tentasse afastar uma dor de cabeça iminente, e voltou a abri-los logo em seguida. — A minha intenção era apenas forçar um rompimento definitivo entre vocês. Não vim aqui para cometer nenhuma atrocidade. No fundo, eu só queria ver com os meus próprios olhos quem eram a mulher e o garoto que você protegeu com unhas e dentes, a ponto de suportar tudo calado por mais de dez anos.

Emanuel piscou, surpreso com a confissão inesperada, e voltou a encarar o pai.

Afonso soltou um riso anasalado, um som seco e sem humor.

— Tenho que admitir que ela tem os seus méritos.

Sem acrescentar mais nenhuma palavra, o velho patriarca virou as costas e caminhou em direção à saída, a expressão fechada de sempre.

Capítulo 645 1

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