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A Mulher que Fez o CEO Mais Frio Chorar na TV romance Capítulo 644

A resposta para essa pergunta, no entanto, já estava muito clara em seu coração.

Ricardo segurou a mão de Luana com delicadeza, a voz soando um pouco mais rouca e profunda.

— Sabe, essa história de status e origem familiar é apenas um padrão imposto pela sociedade. Não significa que seja a regra para todo mundo. Prefiro não me intrometer demais nos assuntos internos da sua família, mas o seu tio Emanuel tem sentimentos verdadeiros por eles. Por mais implacável que o Sr. Afonso seja, no fim das contas, só nos resta esperar para ver se ele vai ceder pelo bem do filho ou se continuará preso à própria teimosia.

Luana estreitou os olhos, encarando-o com uma expressão desconfiada e um sorriso de canto.

— Engraçado... Você sempre soube de tudo o que acontece na minha família. Como é que de repente decidiu não se intrometer mais?

Ele soltou uma risada baixa, o som vibrando no peito.

— Eu não sou onisciente, não sei de todas as coisas do mundo. — Fez uma breve pausa, os olhos fixos nos dela, e completou. — Só me interesso em saber tudo o que diz respeito a você.

Ela puxou a mão de volta, cruzando os braços na altura do peito, embora as bochechas tivessem ganhado um leve tom rosado.

— Que conversa fiada. Agora entendo como conseguiu enrolar o meu pai e deixá-lo irreconhecível.

Ricardo inclinou o corpo para a frente, aproximando o rosto do dela, sem conseguir conter um sorriso divertido.

— Sendo assim, acho que vou ter que continuar me esforçando.

...

Santa Luzia.

A sala de estar era imensa e de um silêncio quase absoluto. A quietude só era quebrada pelo brilho fragmentado do lustre de cristal, que projetava sombras e luzes sobre o piso de mármore polido como um espelho.

Natacha estava sentada no sofá de couro. Acostumada a brilhar diante das câmeras e a dominar qualquer cenário, era impossível negar que a presença de Afonso a deixava tensa. Contudo, apesar do nervosismo que tentava disfarçar, ela manteve a postura impecável, sem demonstrar qualquer sinal de submissão.

— Fico feliz que o senhor tenha vindo pessoalmente. — Começou ela, com uma voz firme e educada. — Pelo menos teve a oportunidade de conhecer o Ângelo.

Afonso girava um pesado anel de ouro no dedo indicador, um hábito antigo de quando estava imerso em pensamentos. O seu olhar frio se desviou para o adolescente que estava na outra ponta do cômodo, concentrado nos cadernos escolares. O garoto mantinha as costas retas, focado nos estudos, sem se deixar distrair pelo clima pesado ao seu redor.

Numa das estantes de vidro da sala, repousava uma coleção impressionante de troféus e medalhas de honra ao mérito que o menino havia conquistado na escola.

Ao ouvir o chamado, Ângelo levantou a cabeça dos livros e correu animado para a sala.

— Pai! Você chegou!

O menino estava alheio à atmosfera pesada que pairava no ambiente. Desde o início, ele não fazia a menor ideia de que o senhor de cabelos grisalhos sentado no sofá era o seu avô biológico. Na sua inocência, achava que fosse apenas um amigo da mãe ou algum diretor de TV querendo fechar um novo contrato.

Assim que viu o filho se aproximar, Emanuel agiu por instinto. Ele puxou Ângelo para trás de si, usando o próprio corpo como um escudo protetor. Encarou Afonso com os dentes trincados, lutando para conter a fúria.

— Se o senhor tem algum problema ou quer descontar a sua raiva, resolva isso comigo. Deixe os dois fora disso.

Afonso apoiou as mãos nos joelhos e se levantou devagar, a postura ainda imponente apesar da idade. Ele olhou para Emanuel e, em seguida, desviou a atenção para o garoto que espiava curioso por trás das costas do pai. Havia algo naqueles olhos brilhantes e determinados que o fez lembrar da juventude do próprio filho.

Um silêncio denso tomou conta da sala por alguns segundos. Quando o velho finalmente falou, o tom de voz era indecifrável, desprovido de qualquer emoção aparente.

— O que foi? Está com medo de que eu faça alguma coisa contra eles?

— E eu não deveria estar? — Rebateu Emanuel, sustentando o olhar do pai sem recuar um milímetro. — Afinal, esse sempre foi o seu jeito de resolver as coisas.

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