Anabela desviou o olhar de Liliane e fixou os olhos em Luana, que caminhava pelo corredor formado pelos convidados. O ódio que nutria pela cunhada continuava intacto, queimando em seu peito.
"Se não fosse por essa mulher, a minha avó nunca teria me olhado com tanto desprezo.", pensava ela, cerrando os punhos. "O Ricardo não teria me mandado para fora do país, e eu não estaria vivendo esse inferno com os meus pais."
Alheia aos olhares venenosos, Luana parou diante do altar improvisado e encarou a foto de Sofia. Ela puxou o ar com força, lutando para conter o choro que ameaçava rasgar sua garganta. Depois de alguns segundos de silêncio em respeito à matriarca, ela se virou para Alexandre.
— Pai... — Chamou ela, com a voz rouca e carregada de dor, usando o termo de afeto que sempre reservou ao sogro.
Antes que Alexandre pudesse esboçar qualquer reação, Sandra, a mãe de Liliane, franziu a testa e mediu a recém-chegada de cima a baixo.
— Será que ela é...? — Perguntou a mulher, sem fazer questão de baixar o tom de voz.
Helena viu a oportunidade perfeita e deu um passo à frente, com um sorriso de canto de boca.
— Ora, quem mais seria? É a famosa nora da Amanda! Aquela mesma que transformou a vida do Ricardo num inferno no ano passado por causa de um divórcio, fazendo o coitado quase perder a vida. E, se querem saber a verdade nua e crua, a Sofia e a Amanda só sofreram esse acidente horrível porque estavam correndo para Macondo atrás dela!
A declaração de Helena causou um choque no salão. Os convidados começaram a cochichar, trocando olhares de espanto e reprovação. Os funcionários mais novos, que conheciam Luana apenas pelas fofocas dos corredores, não conseguiram esconder a curiosidade.
— Então é essa a mulher que fez o Sr. Ricardo abandonar a casa por seis meses? — Sussurrou uma das empregadas.
— Não vejo nada demais nela. Como é que um homem feito o Sr. Ricardo ficou tão cego de amor? — Respondeu outra, balançando a cabeça.
Cada palavra, cada sussurro de desprezo chegava aos ouvidos de Luana com clareza. Ela sabia muito bem o que estava acontecendo. Helena queria humilhá-la em público e, de quebra, jogar os pais de Amanda contra ela.
Ao ouvirem a acusação, Ismael e Lavínia fecharam a expressão e passaram a encará-la com um misto de mágoa e hostilidade.
Liliane apertava os próprios dedos, inquieta. Ela sabia que a acusação era injusta e pensou em dar um passo à frente para defender Luana. Mas, no exato momento em que tomou coragem para abrir a boca, uma voz grave e imponente ecoou da entrada do salão.
— Tia Helena, qual é a necessidade de atacar uma pessoa de fora da família num momento de luto? Ela e eu já estamos divorciados.
Luana virou o rosto num solavanco. Ricardo estava parado perto da porta, vestindo um sobretudo preto pesado, trazendo o frio da rua para dentro do ambiente.
Os dias de ausência haviam deixado marcas profundas nele. O rosto estava coberto por uma barba por fazer, o que deixava os traços de sua mandíbula ainda mais duros e marcados. Aquele olhar sempre acolhedor havia sumido, substituído por uma frieza cortante que afastava qualquer um que ousasse se aproximar.
Helena tomou um susto com a repreensão, mas logo forçou um sorriso amarelo para disfarçar o constrangimento.
— Que estranho ouvir isso de você. Os boatos que chegaram até nós diziam que vocês tinham acabado de ficar noivos lá em Macondo.
— A senhora nem estava em Macondo, mas parece saber mais da minha vida do que eu mesmo. — Rebateu Ricardo, com um tom carregado de ironia e aviso.
A mulher engoliu em seco, sem coragem para retrucar, e recuou um passo.
Ricardo ignorou o resto das pessoas e caminhou na direção de Luana. O som de seus sapatos de couro ecoava no piso de mármore, quebrando o silêncio tenso do ambiente. Ele parou a poucos centímetros dela e a encarou sem demonstrar nenhuma emoção.
— Vamos dar andamento aos papéis do divórcio. Acabou.
O peito de Luana subiu e desceu num ritmo acelerado. Ela cruzou os braços, tentando conter o tremor que tomava conta do seu corpo.
— É bom que você esteja brincando comigo, Ricardo.
— Dessa vez eu não estou brincando. — Afirmou ele, sem piscar.
Ela observou aquele rosto apático, sentindo uma mistura de raiva e desespero borbulhar no estômago. Um riso amargo e sem humor escapou de seus lábios.
— Isso tudo é porque eu cheguei aqui acompanhada do Valentino? É por isso que você está agindo assim?
— O Valentino não tem nada a ver com isso, Luana. — Cortou ele, sem paciência.
— Então qual é o motivo? Me diz!
Diante da insistência dela, a respiração de Ricardo também ficou pesada. Os olhos dele brilharam com uma emoção contida, algo denso e indecifrável que ela não conseguiu compreender.
— O motivo é que eu desisti. Só isso. Será que você pode aceitar?

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: A Mulher que Fez o CEO Mais Frio Chorar na TV
Eu só espero que não role um sequestro dos bebês, essa história já está longa demais!...
estou achando essa história de remédio adulterado muito cansativa, e está se alongando muito, já está na hora de por um ponto final nessa história ....
até que enfim, Luana e Ricardo...
Quantos capítulos tem esse livro, está parecendo novela mexicana, não tem fim, são quantas gerações????...
Como é bom ver Ricardo e Luana que amor lindo, amooo...
Sou negra e feia, mas me valorizo! As brancas deveriam se impor mais ainda e sendo lindas então......
Não consigo mais comprar moedas. Sempre aparece a mesma mensagem com a informação que a compra é inviável pelo lado cliente, mesmo o pagamento sendo por PIX...
Porque não consigo mais ler? Tem mais de 1 semana que li o capítulo 646 e não liberam os outros. Vejo que já tem até o 654....
Como faço pra ler o livro completo tem como comprar por aqui...
Como ler a partir do capítulo 596?...