Vinícius permaneceu em choque por tanto tempo que Luana chegou a cogitar que a ligação tivesse caído de vez. Quando ele finalmente reencontrou a voz, sua pergunta veio carregada de apreensão:
— O Ricardo sabe disso?
— Não, eu ainda não contei nada para ele. — Respondeu ela, com firmeza.
Vinícius soltou o ar devagar, tentando processar a novidade e a gravidade da situação.
— Vou mandar o Vitor e mais alguns homens de confiança para Oeiras para cuidarem de você.
— De jeito nenhum. — Rebateu ela de pronto, justificando o receio que a afligia. — A família Ferraz ainda não tem a menor ideia da minha gravidez, mas a Helena já está desconfiada de algo. Se você enviar pessoas para me vigiar ou proteger de forma tão óbvia, o seu sobrinho corre o risco de nem chegar a nascer em segurança.
Vinícius se calou por um instante, ponderando sobre o cenário perigoso que se desenhava e percebendo que a situação era muito mais complexa do que imaginava. Ele decidiu não insistir no assunto do cunhado, mas expressou sua preocupação sincera.
— Mas me deixa aflito saber que você está totalmente só em Oeiras.
— Não se preocupe, tenho alguém muito competente ao meu lado que tem me ajudado bastante. Pode ficar tranquilo. E por favor, avise ao papai para que ele não sofra por antecipação.
Ao encerrar a chamada, Luana voltou os olhos para a tela do tablet, encarando as manchetes sensacionalistas com uma expressão pensativa.
...
Enquanto isso, Fernanda estacionava o carro nas proximidades do prédio residencial onde Naiara estava hospedada. Antes de destravar as portas, ela se virou para a jovem com um olhar severo e recomendou:
— Senhorita Naiara, acredito que o prazo de três dias seja mais do que suficiente para que tome uma decisão sensata. Espero que pense muito bem no seu próximo passo.
Naiara desceu do veículo e permaneceu imóvel na calçada, observando o carro se afastar até sumir na avenida. Apertando a bolsa contra o corpo com as mãos trêmulas, ela respirou fundo para controlar a ansiedade e seguiu em direção à portaria do condomínio.
Assim que abriu a porta de seu apartamento, ela se deparou com Bernardo sentado no sofá. Ele mantinha a atenção fixa na tela do celular, concentrado na repercussão das notícias que haviam tomado conta da internet logo cedo. Um frio na barriga a acometeu, fazendo com que ela se aproximasse com passos vacilantes, tentando não fazer barulho ao chamá-lo:
— Senhor Bernardo...
— Ele tocou em você? — Indagou Bernardo sem sequer erguer os olhos da tela, de onde continuava a rolar a página com desdém.
Um silêncio constrangedor se arrastou pelo cômodo por alguns instantes antes que ela negasse com um leve aceno de cabeça:
— Não...
"Ninguém melhor do que eu mesma sabe o que de fato aconteceu no quarto daquele hotel na noite passada...", pensou ela, sentindo um gosto amargo na boca.
— Pelo visto, aquele sujeito já estava de guarda armada. — Comentou Bernardo com um brilho maldoso nos olhos antes de bloquear o aparelho, levantar-se e caminhar na direção dela. — Mas isso não importa agora. O estrago que essa notícia vai causar já é mais do que suficiente para os meus planos.
Naiara manteve o rosto baixo. Ela ainda vestia o elegante traje de gala da noite anterior, mas os cabelos agora caíam desordenados sobre os ombros e a maquiagem impecável já havia sido totalmente removida, revelando suas feições naturais. Sem a produção e as cores fortes para realçar os traços, seu rosto parecia comum, perdendo quase toda a semelhança que outrora exibia com Luana.
Bernardo segurou o queixo dela com firmeza, forçando-a a erguer a cabeça, mas ela manteve as pálpebras baixas, sem coragem de encará-lo nos olhos.
— Você fica bem melhor quando está maquiada. — Comentou ele com frieza antes de soltá-la de forma brusca, pegar o paletó que estava sobre o encosto da poltrona e sair sem olhar para trás.
— O que houve com você? Por que essa cara de enterro logo cedo?
— Não consigo entender o que passou pela cabeça de vocês ao permitir que uma mulher como a Naiara se aproximasse do Ricardo! — Protestou Anabela, com a voz carregada de desdém. — Aquela dali não é flor que se cheire, e eu não tenho a menor intenção de ser chifrada antes mesmo de subir ao altar!
Anabela nutria por Naiara o mesmo desprezo profundo que sentia por Luana. Na verdade, qualquer pessoa ou assunto que estivesse sequer associado a Luana era o suficiente para despertar sua fúria imediata.
Helena suspirou, fitando a filha com uma mistura de cansaço e impaciência diante de tamanha imaturidade.
— Você nunca consegue manter a cabeça fria. — Ponderou ela, ajeitando a postura com elegância. — A Naiara não passa de um brinquedo passageiro, uma distração insignificante. Você conhece muito bem a fama de conquistador do senhor Bernardo. No futuro, quando você assumir o posto de matriarca da família Marques, o fato de ele voltar ou não para casa será o menor dos seus problemas. O seu objetivo deve ser o poder absoluto, e não tentar controlar os passos de um homem.
— Só de pensar nos dois juntos, dividindo a mesma cama, sinto uma náusea insuportável! — Rebateu Anabela, cruzando os braços com visível repulsa. — Quer saber, mãe? Não quero mais me casar com o Bernardo!
A verdade era que ela nunca desejava aquela união. Se fosse para dar um passo tão importante, que fosse para se casar com alguém de um patamar muito superior; no fundo, ela desprezava a família Marques com todas as suas forças e os considerava indignos de sua atenção.
— Deixe de criancice. — Ralhou Helena, levantando-se da cadeira com um olhar gélido. — O Bernardo aceitar se casar com você já é uma enorme concessão, então trate de não escolher demais.
Sem dar espaço para réplicas, ela deu as costas e se retirou.
Aquelas palavras fustigantes caíram sobre Anabela como um balde de água gelada, aniquilando de vez qualquer resquício de esperança que ela ainda guardasse no peito. No fim das contas, desde o escândalo em que havia tentado dopar o Vinícius, sua reputação em Oeiras havia ruído por completo, eliminando qualquer chance de conseguir um casamento vantajoso com a alta sociedade.
"Mas será que a culpa é mesmo minha? Não foi a mãe quem arquitetou aquele plano desastroso e me empurrou para esse abismo em primeiro lugar?", ela se questionou em pensamento, sentindo a raiva borbulhar em seu íntimo.
Incapaz de conter a fúria que a consumia, Anabela avançou contra a mesa de jantar e, com um gesto violento, varreu toda a louça fina diretamente para o chão, deliciando-se com o som dos pratos se despedaçando. Ela não estava mais disposta a engolir sapos e aceitar aquela humilhação constante, mesmo que a responsável por seu tormento fosse a sua própria mãe.

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: A Mulher que Fez o CEO Mais Frio Chorar na TV
Eu só espero que não role um sequestro dos bebês, essa história já está longa demais!...
estou achando essa história de remédio adulterado muito cansativa, e está se alongando muito, já está na hora de por um ponto final nessa história ....
até que enfim, Luana e Ricardo...
Quantos capítulos tem esse livro, está parecendo novela mexicana, não tem fim, são quantas gerações????...
Como é bom ver Ricardo e Luana que amor lindo, amooo...
Sou negra e feia, mas me valorizo! As brancas deveriam se impor mais ainda e sendo lindas então......
Não consigo mais comprar moedas. Sempre aparece a mesma mensagem com a informação que a compra é inviável pelo lado cliente, mesmo o pagamento sendo por PIX...
Porque não consigo mais ler? Tem mais de 1 semana que li o capítulo 646 e não liberam os outros. Vejo que já tem até o 654....
Como faço pra ler o livro completo tem como comprar por aqui...
Como ler a partir do capítulo 596?...