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A Mulher que Fez o CEO Mais Frio Chorar na TV romance Capítulo 686

Dois dias se passaram até que Olívia reuniu, enfim, a coragem necessária para comparecer à delegacia e retificar o seu depoimento, entregando por iniciativa própria o histórico de mensagens trocadas com Wellington.

Após analisar detalhadamente o conteúdo das conversas, o investigador responsável pelo caso ergueu o olhar, fixando-o na jovem à sua frente.

— Por que só trouxe este histórico de mensagens agora? — Questionou a autoridade policial, com um tom de censura na voz. — Você tem consciência de que prestar falso testemunho constitui um ato ilícito grave?

Olívia permaneceu em silêncio absoluto, limitando-se a apertar a alça de sua mochila contra o peito com tamanha força que os nós de seus dedos empalideceram pela tensão.

— Como você ainda é jovem e cooperou de bom grado ao entregar esta prova, faremos apenas uma advertência formal por esta vez. Que isso jamais se repita. Agora, solicite a presença de sua mãe para assinar os termos.

Logo após receber o chamado da polícia, Priscila se dirigiu à delegacia esbravejando insultos por todo o caminho. No instante em que pisou na recepção e avistou Olívia, apontou-lhe o dedo no rosto e disparou:

— Sua sem-vergonha! E eu aqui, feito boba, chorando as pitangas e acreditando que você tinha sido...

— Senhora, por favor, se contenha. Podemos conversar de forma civilizada. — Interveio o policial de plantão, colocando-se entre as duas para evitar que os ânimos se exaltassem ainda mais no recinto.

— Conversar o quê? Essa garota aprendeu a mentir e ainda por cima inventou de se encontrar com homem da internet! — Exclamou Priscila, com os nervos à flor da pele.

A verdade era que ela já se sentia humilhada o bastante quando veio registrar a denúncia de abuso. Para ela, a mera exposição da filha já era um motivo de vergonha perante a vizinhança. Agora, descobrir que o culpado não era aquele tal de Luiz e ter de voltar à delegacia por capricho da menina era insuportável.

"Como vou encarar os vizinhos se esse assunto se espalhar? Vou virar a chacota do bairro por causa dessa garota!", pensou Priscila, consumida pelo rancor e pelo orgulho ferido.

Olívia continuou estática e muda, agindo como se os gritos histéricos e as ofensas de sua mãe fossem apenas um ruído sem importância ao seu redor.

Demonstrando paciência e empatia, uma investigadora da delegacia se sentou bem em frente à jovem e segurou suas mãos trêmulas com carinho.

— Você poderia nos contar em detalhes o que de fato aconteceu naquela noite? — Indagou a policial com suavidade. — Fique calma, pois faremos o que for necessário para protegê-la e garantir os seus direitos.

Olívia assentiu com um leve aceno de cabeça, sentindo um nó lhe apertar a garganta.

...

Não demorou para que Sebastião soubesse da nova declaração de Olívia na delegacia e corresse para avisar Luana. Ao escutar o relato sobre o temperamento explosivo de Priscila, no entanto, Luana hesitou por um breve instante antes de perguntar:

— Ela não chegou a agredir a menina, chegou?

— Ela tentou, mas os policiais agiram rápido e a impediram. — Respondeu Sebastião, com um tom carregado de indignação e pena da garota, mesmo sem ter presenciado a cena de perto. — Aquela mulher nunca deu a mínima para a filha, e agora que tudo deu errado, quer jogar a culpa nas costas da menina, chamando-a de oferecida.

— Sim! Eu fui burra! Eu mereci! Mas por acaso você alguma vez agiu como mãe? Você nunca se importou comigo, só quer saber de passar o dia jogando pôquer com as suas amigas! As mães das outras pessoas pelo menos conversam, ensinam o que é certo e errado. Mas você... a única coisa que sabe fazer é me mandar sumir da sua frente!

— Ainda tem coragem de me responder desse jeito? — Esbravejou Priscila, erguendo a mão com o intuito de desferir um tapa violento na face da filha.

No entanto, antes que o golpe pudesse atingi-la, Luana segurou o pulso de Priscila com firmeza no ar.

— Senhora Priscila, será que não é possível resolver as divergências com diálogo, sem a necessidade de recorrer à violência física?

— Você de novo? — Priscila se desvencilhou do aperto com um solavanco irritado. — Estou educando a minha própria filha, o que você tem a ver com isso?

Luana manteve o olhar firme, mas o tom de sua voz carregava uma autoridade inquestionável.

— De fato, a vida familiar de vocês não me diz respeito. Contudo, a sua filha foi enganada, manipulada e é a única vítima real dessa história absurda. Como mãe, o seu primeiro instinto não deveria ser acolhê-la e protegê-la?

Priscila soltou uma risada debochada, cruzando os braços ao encará-la de cima a baixo.

— Ah, então foi você quem esteve na minha casa naquele dia. Agora tudo faz sentido! No fundo, você só quer livrar a barra do seu irmãozinho e está disposta a sacrificar a reputação da minha filha para conseguir o que quer!

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