Dois dias se passaram até que Olívia reuniu, enfim, a coragem necessária para comparecer à delegacia e retificar o seu depoimento, entregando por iniciativa própria o histórico de mensagens trocadas com Wellington.
Após analisar detalhadamente o conteúdo das conversas, o investigador responsável pelo caso ergueu o olhar, fixando-o na jovem à sua frente.
— Por que só trouxe este histórico de mensagens agora? — Questionou a autoridade policial, com um tom de censura na voz. — Você tem consciência de que prestar falso testemunho constitui um ato ilícito grave?
Olívia permaneceu em silêncio absoluto, limitando-se a apertar a alça de sua mochila contra o peito com tamanha força que os nós de seus dedos empalideceram pela tensão.
— Como você ainda é jovem e cooperou de bom grado ao entregar esta prova, faremos apenas uma advertência formal por esta vez. Que isso jamais se repita. Agora, solicite a presença de sua mãe para assinar os termos.
Logo após receber o chamado da polícia, Priscila se dirigiu à delegacia esbravejando insultos por todo o caminho. No instante em que pisou na recepção e avistou Olívia, apontou-lhe o dedo no rosto e disparou:
— Sua sem-vergonha! E eu aqui, feito boba, chorando as pitangas e acreditando que você tinha sido...
— Senhora, por favor, se contenha. Podemos conversar de forma civilizada. — Interveio o policial de plantão, colocando-se entre as duas para evitar que os ânimos se exaltassem ainda mais no recinto.
— Conversar o quê? Essa garota aprendeu a mentir e ainda por cima inventou de se encontrar com homem da internet! — Exclamou Priscila, com os nervos à flor da pele.
A verdade era que ela já se sentia humilhada o bastante quando veio registrar a denúncia de abuso. Para ela, a mera exposição da filha já era um motivo de vergonha perante a vizinhança. Agora, descobrir que o culpado não era aquele tal de Luiz e ter de voltar à delegacia por capricho da menina era insuportável.
"Como vou encarar os vizinhos se esse assunto se espalhar? Vou virar a chacota do bairro por causa dessa garota!", pensou Priscila, consumida pelo rancor e pelo orgulho ferido.
Olívia continuou estática e muda, agindo como se os gritos histéricos e as ofensas de sua mãe fossem apenas um ruído sem importância ao seu redor.
Demonstrando paciência e empatia, uma investigadora da delegacia se sentou bem em frente à jovem e segurou suas mãos trêmulas com carinho.
— Você poderia nos contar em detalhes o que de fato aconteceu naquela noite? — Indagou a policial com suavidade. — Fique calma, pois faremos o que for necessário para protegê-la e garantir os seus direitos.
Olívia assentiu com um leve aceno de cabeça, sentindo um nó lhe apertar a garganta.
...
Não demorou para que Sebastião soubesse da nova declaração de Olívia na delegacia e corresse para avisar Luana. Ao escutar o relato sobre o temperamento explosivo de Priscila, no entanto, Luana hesitou por um breve instante antes de perguntar:
— Ela não chegou a agredir a menina, chegou?
— Ela tentou, mas os policiais agiram rápido e a impediram. — Respondeu Sebastião, com um tom carregado de indignação e pena da garota, mesmo sem ter presenciado a cena de perto. — Aquela mulher nunca deu a mínima para a filha, e agora que tudo deu errado, quer jogar a culpa nas costas da menina, chamando-a de oferecida.
— Sim! Eu fui burra! Eu mereci! Mas por acaso você alguma vez agiu como mãe? Você nunca se importou comigo, só quer saber de passar o dia jogando pôquer com as suas amigas! As mães das outras pessoas pelo menos conversam, ensinam o que é certo e errado. Mas você... a única coisa que sabe fazer é me mandar sumir da sua frente!
— Ainda tem coragem de me responder desse jeito? — Esbravejou Priscila, erguendo a mão com o intuito de desferir um tapa violento na face da filha.
No entanto, antes que o golpe pudesse atingi-la, Luana segurou o pulso de Priscila com firmeza no ar.
— Senhora Priscila, será que não é possível resolver as divergências com diálogo, sem a necessidade de recorrer à violência física?
— Você de novo? — Priscila se desvencilhou do aperto com um solavanco irritado. — Estou educando a minha própria filha, o que você tem a ver com isso?
Luana manteve o olhar firme, mas o tom de sua voz carregava uma autoridade inquestionável.
— De fato, a vida familiar de vocês não me diz respeito. Contudo, a sua filha foi enganada, manipulada e é a única vítima real dessa história absurda. Como mãe, o seu primeiro instinto não deveria ser acolhê-la e protegê-la?
Priscila soltou uma risada debochada, cruzando os braços ao encará-la de cima a baixo.
— Ah, então foi você quem esteve na minha casa naquele dia. Agora tudo faz sentido! No fundo, você só quer livrar a barra do seu irmãozinho e está disposta a sacrificar a reputação da minha filha para conseguir o que quer!

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: A Mulher que Fez o CEO Mais Frio Chorar na TV
Eu só espero que não role um sequestro dos bebês, essa história já está longa demais!...
estou achando essa história de remédio adulterado muito cansativa, e está se alongando muito, já está na hora de por um ponto final nessa história ....
até que enfim, Luana e Ricardo...
Quantos capítulos tem esse livro, está parecendo novela mexicana, não tem fim, são quantas gerações????...
Como é bom ver Ricardo e Luana que amor lindo, amooo...
Sou negra e feia, mas me valorizo! As brancas deveriam se impor mais ainda e sendo lindas então......
Não consigo mais comprar moedas. Sempre aparece a mesma mensagem com a informação que a compra é inviável pelo lado cliente, mesmo o pagamento sendo por PIX...
Porque não consigo mais ler? Tem mais de 1 semana que li o capítulo 646 e não liberam os outros. Vejo que já tem até o 654....
Como faço pra ler o livro completo tem como comprar por aqui...
Como ler a partir do capítulo 596?...