— Sinto muito, Sr. Henrique, mas o senhor ainda está internado e não pode deixar o hospital de jeito nenhum. — Alertou a enfermeira, correndo para bloquear a passagem dele.
— Não me venha com essa conversa! O que vocês estão fazendo aqui é cárcere privado! Vou processar este hospital inteiro! — Henrique esbravejou. O rosto dele ganhou um tom vermelho-púrpura, misturando raiva e desespero.
— Então vá em frente e processe. — Uma voz imponente e compassada ecoou da porta.
Era Ricardo. O sobretudo escuro dele estava encharcado pela tempestade de verão lá fora, trazendo para dentro do ambiente uma aura gélida e opressiva. O rosto sempre polido agora exibia apenas uma frieza insondável, sem qualquer traço da cortesia habitual.
— Ricardo, você só vai sossegar quando me vir apodrecer aqui dentro, não é? — Henrique rosnou entre os dentes. O suor frio escorria pela testa dele, provocado pela dor aguda dos pontos repuxando no abdômen.
Ricardo não se deu ao trabalho de responder de imediato. Apenas ergueu o queixo de leve, e os seguranças ao lado avançaram, segurando Henrique pelos braços para evitar que ele desabasse no chão.
— Eu apenas desejo que o senhor se recupere bem. De onde tirou essa ideia de apodrecer? — Retrucou Ricardo, o tom de voz beirando o tédio.
— Me poupe desse teatro de bom moço! Acha que não sei o que se passa na sua cabeça? Se quer um culpado, vá atrás do José! Eu já disse mil vezes, foi ele quem planejou tudo!
Ricardo deu um passo à frente, parando ao lado do tio.
— Eu sei disso. Pode ter certeza de que não vou deixar o José sair impune. Quanto ao senhor... — Ele virou o rosto para encará-lo de soslaio. — Também vai ter o destino que merece.
— O que você quer dizer com isso? — Henrique sentiu um calafrio na espinha. Em pânico, exigiu. — Eu quero falar com o seu pai agora!
— Meu pai já deixou bem claro que lavou as mãos sobre o seu caso. A decisão final é toda minha.
O peito de Henrique subia e descia com violência, a respiração curta e ruidosa.
— Ricardo, sou seu tio!
Um sorriso cínico despontou nos lábios do sobrinho.
— De fato, é. Mas quando um parente se revela um lixo, cortar os laços é um favor que fazemos a nós mesmos.
— Seu...
— Levem ele de volta para o quarto. Cuidem muito bem dele, até que tenha saúde suficiente para receber alta e responder pelos seus crimes na cadeia. — Ordenou Ricardo, implacável.
Os seguranças arrastaram Henrique pelo corredor. Ele se debatia e berrava uma enxurrada de xingamentos e maldições, a voz estridente quebrando de vez a tranquilidade do saguão do hospital.
...
Luana teve uma noite de sono revigorante e, por isso, acordou bem mais cedo que o costume.
Na delegacia, Liliane havia chorado e gritado a madrugada inteira, atrapalhando o trabalho dos policiais. Para piorar, ela tinha quebrado o próprio celular na batida, o que impediu o contato com os pais. Por sorte, o delegado de plantão era um velho conhecido de Alexandre, reconheceu a garota e ligou para ele logo nas primeiras horas da manhã.
Ricardo não conseguiu segurar uma risada irônica.
— Sei que ela adora chamar atenção, mas encher a cara a esse ponto e dar perda total no carro é novidade.
— Vai saber o que deu nela. Ligue para a sua tia e mande vir buscar a filha. Eu não tenho mais paciência para isso. — Alexandre deu as costas e subiu as escadas, pisando duro.
A governanta retornou com uma xícara fumegante de chá. Após um aceno respeitoso para Ricardo, ela a colocou na mesinha de centro.
— Srta. Liliane, beba um pouco de chá, vai assentar o estômago.
— Eu não quero! — Liliane soluçou. A essa altura, não restava nenhum traço da sua habitual vaidade. A maquiagem estava um desastre, o delineador escorrido formava caminhos escuros pelas bochechas até o queixo, e o cabelo parecia um ninho de pássaros. — Não consigo engolir nada.
Ricardo cruzou os braços e encostou-se no sofá, assistindo àquele show de horrores com um sorriso zombeteiro.
— Meus parabéns. Finalmente conseguiu ter a carteira de motorista suspensa.
— Eu fui rejeitada... — Choramingou ela, com a voz embargada. — O amor da minha vida acabou antes mesmo de começar.

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: A Mulher que Fez o CEO Mais Frio Chorar na TV
Eu só espero que não role um sequestro dos bebês, essa história já está longa demais!...
estou achando essa história de remédio adulterado muito cansativa, e está se alongando muito, já está na hora de por um ponto final nessa história ....
até que enfim, Luana e Ricardo...
Quantos capítulos tem esse livro, está parecendo novela mexicana, não tem fim, são quantas gerações????...
Como é bom ver Ricardo e Luana que amor lindo, amooo...
Sou negra e feia, mas me valorizo! As brancas deveriam se impor mais ainda e sendo lindas então......
Não consigo mais comprar moedas. Sempre aparece a mesma mensagem com a informação que a compra é inviável pelo lado cliente, mesmo o pagamento sendo por PIX...
Porque não consigo mais ler? Tem mais de 1 semana que li o capítulo 646 e não liberam os outros. Vejo que já tem até o 654....
Como faço pra ler o livro completo tem como comprar por aqui...
Como ler a partir do capítulo 596?...