Entrar Via

A Mulher que Fez o CEO Mais Frio Chorar na TV romance Capítulo 726

— Sinto muito, Sr. Henrique, mas o senhor ainda está internado e não pode deixar o hospital de jeito nenhum. — Alertou a enfermeira, correndo para bloquear a passagem dele.

— Não me venha com essa conversa! O que vocês estão fazendo aqui é cárcere privado! Vou processar este hospital inteiro! — Henrique esbravejou. O rosto dele ganhou um tom vermelho-púrpura, misturando raiva e desespero.

— Então vá em frente e processe. — Uma voz imponente e compassada ecoou da porta.

Era Ricardo. O sobretudo escuro dele estava encharcado pela tempestade de verão lá fora, trazendo para dentro do ambiente uma aura gélida e opressiva. O rosto sempre polido agora exibia apenas uma frieza insondável, sem qualquer traço da cortesia habitual.

— Ricardo, você só vai sossegar quando me vir apodrecer aqui dentro, não é? — Henrique rosnou entre os dentes. O suor frio escorria pela testa dele, provocado pela dor aguda dos pontos repuxando no abdômen.

Ricardo não se deu ao trabalho de responder de imediato. Apenas ergueu o queixo de leve, e os seguranças ao lado avançaram, segurando Henrique pelos braços para evitar que ele desabasse no chão.

— Eu apenas desejo que o senhor se recupere bem. De onde tirou essa ideia de apodrecer? — Retrucou Ricardo, o tom de voz beirando o tédio.

— Me poupe desse teatro de bom moço! Acha que não sei o que se passa na sua cabeça? Se quer um culpado, vá atrás do José! Eu já disse mil vezes, foi ele quem planejou tudo!

Ricardo deu um passo à frente, parando ao lado do tio.

— Eu sei disso. Pode ter certeza de que não vou deixar o José sair impune. Quanto ao senhor... — Ele virou o rosto para encará-lo de soslaio. — Também vai ter o destino que merece.

— O que você quer dizer com isso? — Henrique sentiu um calafrio na espinha. Em pânico, exigiu. — Eu quero falar com o seu pai agora!

— Meu pai já deixou bem claro que lavou as mãos sobre o seu caso. A decisão final é toda minha.

O peito de Henrique subia e descia com violência, a respiração curta e ruidosa.

— Ricardo, sou seu tio!

Um sorriso cínico despontou nos lábios do sobrinho.

— De fato, é. Mas quando um parente se revela um lixo, cortar os laços é um favor que fazemos a nós mesmos.

— Seu...

— Levem ele de volta para o quarto. Cuidem muito bem dele, até que tenha saúde suficiente para receber alta e responder pelos seus crimes na cadeia. — Ordenou Ricardo, implacável.

Os seguranças arrastaram Henrique pelo corredor. Ele se debatia e berrava uma enxurrada de xingamentos e maldições, a voz estridente quebrando de vez a tranquilidade do saguão do hospital.

...

Luana teve uma noite de sono revigorante e, por isso, acordou bem mais cedo que o costume.

Na delegacia, Liliane havia chorado e gritado a madrugada inteira, atrapalhando o trabalho dos policiais. Para piorar, ela tinha quebrado o próprio celular na batida, o que impediu o contato com os pais. Por sorte, o delegado de plantão era um velho conhecido de Alexandre, reconheceu a garota e ligou para ele logo nas primeiras horas da manhã.

Ricardo não conseguiu segurar uma risada irônica.

— Sei que ela adora chamar atenção, mas encher a cara a esse ponto e dar perda total no carro é novidade.

— Vai saber o que deu nela. Ligue para a sua tia e mande vir buscar a filha. Eu não tenho mais paciência para isso. — Alexandre deu as costas e subiu as escadas, pisando duro.

A governanta retornou com uma xícara fumegante de chá. Após um aceno respeitoso para Ricardo, ela a colocou na mesinha de centro.

— Srta. Liliane, beba um pouco de chá, vai assentar o estômago.

— Eu não quero! — Liliane soluçou. A essa altura, não restava nenhum traço da sua habitual vaidade. A maquiagem estava um desastre, o delineador escorrido formava caminhos escuros pelas bochechas até o queixo, e o cabelo parecia um ninho de pássaros. — Não consigo engolir nada.

Ricardo cruzou os braços e encostou-se no sofá, assistindo àquele show de horrores com um sorriso zombeteiro.

— Meus parabéns. Finalmente conseguiu ter a carteira de motorista suspensa.

— Eu fui rejeitada... — Choramingou ela, com a voz embargada. — O amor da minha vida acabou antes mesmo de começar.

Histórico de leitura

No history.

Comentários

Os comentários dos leitores sobre o romance: A Mulher que Fez o CEO Mais Frio Chorar na TV