No trajeto de volta para a cidade, Ricardo virou o rosto para observar Luana, que passava os dedos distraidamente pelas pétalas das rosas. Um sorriso sutil brincou nos lábios dele enquanto puxava assunto.
— Eu planejava ir te visitar assim que essa fase de trabalho pesado acabasse. Não imaginava que você viria para cá tão cedo.
— Ah, é? Então quer dizer que você não queria me ver logo? — Ela lançou um olhar enviesado e cheio de charme na direção dele.
— Longe disso. — Ele se corrigiu, virando o corpo levemente para encará-la com atenção e afeto. — Por mim, você já teria se mudado de vez e estaria do meu lado o tempo todo, sem precisarmos lidar com distâncias.
Luana abriu um sorriso terno, os olhos sedutores se estreitando em duas fendas graciosas.
— Falando a verdade, essa viagem não foi exclusivamente por sua causa. Tenho a intenção de transferir o tratamento da minha mãe para o Hospital de Oeiras. Afinal, todos sabem que o departamento de neurocirurgia daqui tem uma reputação impecável no país todo.
Ricardo acenou com a cabeça em concordância, soltando um murmúrio de compreensão diante da justificativa médica.
— Ficou chateado com isso? — Luana se inclinou, aproximando o rosto do dele numa tentativa de sondar a sua reação.
Ele voltou a se sentar de forma ereta, assumindo uma postura tranquila.
— Claro que não.
Percebendo que ela continuava o encarando fixamente, como se buscasse alguma emoção escondida por trás das suas palavras, o homem suspirou derrotado e apertou a mão dela com carinho genuíno.
— Eu seria um tremendo idiota se ficasse com ciúmes de uma questão de saúde envolvendo a sua própria mãe, não acha?
Luana apenas sorriu, optando pelo silêncio confortável que se instalou entre os dois.
O telefone de Ricardo tocou de inopino, quebrando a calmaria do veículo. Era uma ligação de Liliane. Ele atendeu o aparelho sem pressa, mas antes mesmo de soltar uma sílaba, a voz agitada do outro lado da linha se antecipou.
— Preciso te contar um negócio urgente.
A expressão do homem se fechou num instante.
— Você ligar para mim a essa hora vai levantar suspeitas. É bem provável que aquele cara tenha colocado gente para te vigiar em segredo, então qualquer novidade ou emergência, mande mensagem de texto para o celular da Fernanda.
A garota ficou sem palavras e, por puro instinto de sobrevivência, varreu o ambiente do escritório com o olhar para checar se estava segura.
Foi aí que notou a presença repentina de vários colegas de trabalho circulando por perto. Ela pigarreou na mesma hora para limpar a garganta e, elevando o tom de voz para que todos no recinto ouvissem com clareza, começou a atuar como se a sua vida dependesse daquilo:
— O que eu queria dizer é que estou morrendo de saudades de você, meu amor! Diz aí, sentiu a minha falta também?
Ricardo encerrou a chamada sem aviso prévio para poupar os próprios ouvidos daquela gritaria e do teatro forçado.
— Que história é essa? O que você mandou a Liliane fazer nessa empresa? — Perguntou Luana, transparecendo uma profunda confusão com a cena bizarra que acabara de presenciar.
Ele soltou uma risadinha despretensiosa, focando o olhar na estrada à frente.
— Senhorita Liliane?
Ela apenas sacudiu a mão no ar num gesto displicente, dispensando a interrupção sem sequer virar o rosto para ver quem a chamava.
O gerente ajeitou a armação dos óculos no nariz e insistiu, limpando a garganta com mais força.
— Senhorita Liliane.
Assim que a jovem girou o corpo na cadeira giratória, deu de cara com Valentino ladeado pelos diretores mais importantes da empresa, todos parados estáticos logo atrás dela. A aura do homem era gélida e inatingível, e os seus olhos escuros e insondáveis estavam cravados na mulher estupefata.
A mão de Liliane tremeu de forma incontrolável, quase deixando o celular escorregar e se espatifar no chão de porcelanato. Ela abaixou a cabeça em um reflexo imediato, tomada por um constrangimento tão devastador que a sua maior vontade era que um buraco se abrisse no chão e a engolisse ali mesmo, sem deixar vestígios.
— Senhorita Liliane, estamos em um ambiente corporativo. A senhora acabou se empolgando um pouco no tom de voz agora há pouco. — Alertou o gerente de forma polida, num murmúrio suave que tentava preservar o resto da dignidade dela.
— Peço mil desculpas. — Balbuciou ela, com a voz falha e espremida por entre os dentes travados.
Valentino não esboçou nenhuma reação no rosto perfeitamente esculpido. Virou as costas com elegância e retomou o seu caminho em absoluto silêncio.
A comitiva de engravatados o acompanhou logo em seguida com passos apressados, fingindo que aquela cena lamentável jamais havia acontecido nas dependências da companhia.
Liliane ergueu o rosto em câmera lenta, sentindo as bochechas queimarem de vergonha. Ao ver o seleto grupo se distanciar no final do corredor, despencou com o corpo inteiro sobre a mesa, tão murcha e derrotada quanto um balão que acaba de perder todo o seu ar.

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: A Mulher que Fez o CEO Mais Frio Chorar na TV
Eu só espero que não role um sequestro dos bebês, essa história já está longa demais!...
estou achando essa história de remédio adulterado muito cansativa, e está se alongando muito, já está na hora de por um ponto final nessa história ....
até que enfim, Luana e Ricardo...
Quantos capítulos tem esse livro, está parecendo novela mexicana, não tem fim, são quantas gerações????...
Como é bom ver Ricardo e Luana que amor lindo, amooo...
Sou negra e feia, mas me valorizo! As brancas deveriam se impor mais ainda e sendo lindas então......
Não consigo mais comprar moedas. Sempre aparece a mesma mensagem com a informação que a compra é inviável pelo lado cliente, mesmo o pagamento sendo por PIX...
Porque não consigo mais ler? Tem mais de 1 semana que li o capítulo 646 e não liberam os outros. Vejo que já tem até o 654....
Como faço pra ler o livro completo tem como comprar por aqui...
Como ler a partir do capítulo 596?...