Entrar Via

A Mulher que Fez o CEO Mais Frio Chorar na TV romance Capítulo 822

No trajeto de volta para a cidade, Ricardo virou o rosto para observar Luana, que passava os dedos distraidamente pelas pétalas das rosas. Um sorriso sutil brincou nos lábios dele enquanto puxava assunto.

— Eu planejava ir te visitar assim que essa fase de trabalho pesado acabasse. Não imaginava que você viria para cá tão cedo.

— Ah, é? Então quer dizer que você não queria me ver logo? — Ela lançou um olhar enviesado e cheio de charme na direção dele.

— Longe disso. — Ele se corrigiu, virando o corpo levemente para encará-la com atenção e afeto. — Por mim, você já teria se mudado de vez e estaria do meu lado o tempo todo, sem precisarmos lidar com distâncias.

Luana abriu um sorriso terno, os olhos sedutores se estreitando em duas fendas graciosas.

— Falando a verdade, essa viagem não foi exclusivamente por sua causa. Tenho a intenção de transferir o tratamento da minha mãe para o Hospital de Oeiras. Afinal, todos sabem que o departamento de neurocirurgia daqui tem uma reputação impecável no país todo.

Ricardo acenou com a cabeça em concordância, soltando um murmúrio de compreensão diante da justificativa médica.

— Ficou chateado com isso? — Luana se inclinou, aproximando o rosto do dele numa tentativa de sondar a sua reação.

Ele voltou a se sentar de forma ereta, assumindo uma postura tranquila.

— Claro que não.

Percebendo que ela continuava o encarando fixamente, como se buscasse alguma emoção escondida por trás das suas palavras, o homem suspirou derrotado e apertou a mão dela com carinho genuíno.

— Eu seria um tremendo idiota se ficasse com ciúmes de uma questão de saúde envolvendo a sua própria mãe, não acha?

Luana apenas sorriu, optando pelo silêncio confortável que se instalou entre os dois.

O telefone de Ricardo tocou de inopino, quebrando a calmaria do veículo. Era uma ligação de Liliane. Ele atendeu o aparelho sem pressa, mas antes mesmo de soltar uma sílaba, a voz agitada do outro lado da linha se antecipou.

— Preciso te contar um negócio urgente.

A expressão do homem se fechou num instante.

— Você ligar para mim a essa hora vai levantar suspeitas. É bem provável que aquele cara tenha colocado gente para te vigiar em segredo, então qualquer novidade ou emergência, mande mensagem de texto para o celular da Fernanda.

A garota ficou sem palavras e, por puro instinto de sobrevivência, varreu o ambiente do escritório com o olhar para checar se estava segura.

Foi aí que notou a presença repentina de vários colegas de trabalho circulando por perto. Ela pigarreou na mesma hora para limpar a garganta e, elevando o tom de voz para que todos no recinto ouvissem com clareza, começou a atuar como se a sua vida dependesse daquilo:

— O que eu queria dizer é que estou morrendo de saudades de você, meu amor! Diz aí, sentiu a minha falta também?

Ricardo encerrou a chamada sem aviso prévio para poupar os próprios ouvidos daquela gritaria e do teatro forçado.

— Que história é essa? O que você mandou a Liliane fazer nessa empresa? — Perguntou Luana, transparecendo uma profunda confusão com a cena bizarra que acabara de presenciar.

Ele soltou uma risadinha despretensiosa, focando o olhar na estrada à frente.

— Senhorita Liliane?

Ela apenas sacudiu a mão no ar num gesto displicente, dispensando a interrupção sem sequer virar o rosto para ver quem a chamava.

O gerente ajeitou a armação dos óculos no nariz e insistiu, limpando a garganta com mais força.

— Senhorita Liliane.

Assim que a jovem girou o corpo na cadeira giratória, deu de cara com Valentino ladeado pelos diretores mais importantes da empresa, todos parados estáticos logo atrás dela. A aura do homem era gélida e inatingível, e os seus olhos escuros e insondáveis estavam cravados na mulher estupefata.

A mão de Liliane tremeu de forma incontrolável, quase deixando o celular escorregar e se espatifar no chão de porcelanato. Ela abaixou a cabeça em um reflexo imediato, tomada por um constrangimento tão devastador que a sua maior vontade era que um buraco se abrisse no chão e a engolisse ali mesmo, sem deixar vestígios.

— Senhorita Liliane, estamos em um ambiente corporativo. A senhora acabou se empolgando um pouco no tom de voz agora há pouco. — Alertou o gerente de forma polida, num murmúrio suave que tentava preservar o resto da dignidade dela.

— Peço mil desculpas. — Balbuciou ela, com a voz falha e espremida por entre os dentes travados.

Valentino não esboçou nenhuma reação no rosto perfeitamente esculpido. Virou as costas com elegância e retomou o seu caminho em absoluto silêncio.

A comitiva de engravatados o acompanhou logo em seguida com passos apressados, fingindo que aquela cena lamentável jamais havia acontecido nas dependências da companhia.

Liliane ergueu o rosto em câmera lenta, sentindo as bochechas queimarem de vergonha. Ao ver o seleto grupo se distanciar no final do corredor, despencou com o corpo inteiro sobre a mesa, tão murcha e derrotada quanto um balão que acaba de perder todo o seu ar.

Histórico de leitura

No history.

Comentários

Os comentários dos leitores sobre o romance: A Mulher que Fez o CEO Mais Frio Chorar na TV