Assim que as mãos de Liliane se estenderam em sua direção, Valentino se esquivou no segundo seguinte, recuando o corpo com rapidez.
— Pronto, já terminei.
Deixada no vácuo, ela congelou no lugar, tomada por um constrangimento palpável. Sorte que sua reação foi rápida o suficiente para disfarçar o momento, e puxou um espelho de maquiagem da bolsa para examinar os machucados no próprio rosto.
Valentino lançou um olhar de soslaio para ela.
— O inchaço vai sumir em uns três dias, mas esses hematomas vão levar pelo menos uma semana para desaparecerem por completo.
— Pelo visto, não vou conseguir voltar para casa tão cedo... — Liliane murmurou, com os ombros caídos e o desânimo evidente na voz. — O hospital está escondendo os registros dos remédios de propósito. Se eu voltar agora com as contas bagunçadas desse jeito, como vou dar uma explicação? Ah, quer saber? É melhor eu pedir ajuda ao Ricardo.
Quando ela estava prestes a pegar o celular para enviar uma mensagem, o olhar de Valentino recaiu sobre ela.
— O Ricardo já está sobrecarregado resolvendo sozinho os problemas da Sinar Medical e do Grupo Ferraz. Você acha mesmo que ele ainda vai ter tempo de resolver a bagunça do Santa Aurora para você?
Ela ergueu a cabeça, frustrada.
— Mas o problema é que não dá para resolver isso agora! Se o hospital está escondendo algo, é óbvio que não vão deixar a gente mexer nos computadores deles.
— E adiantaria alguma coisa contar tudo para ele agora? — Valentino retrucou.
Liliane ficou sem palavras, engolindo a seco.
— Se você quer mesmo encontrar uma solução, o primeiro passo é entender o motivo de o hospital estar agindo assim. — Valentino cruzou os braços e parou ao lado dela, mantendo o semblante calmo e inabalável.
A garota achou que as palavras dele faziam bastante sentido. Sem hesitar, apagou a mensagem que tinha acabado de digitar na tela do celular e se levantou.
— E com quem eu deveria tentar descobrir isso?
Valentino permaneceu imóvel, sustentando o olhar nela com um brilho indecifrável nos olhos.
...
Na manhã seguinte, Luana e Ricardo tomavam um belo café da manhã juntos, com pães de queijo fresquinhos e café coado na mesa. O celular dele, que estava esquecido perto dos talheres, começou a tocar. Era uma ligação de Fernanda.
— O que aconteceu? — Ricardo atendeu a chamada com uma voz grave, enquanto batia os nós dos dedos de leve na superfície da mesa de madeira.
— Tivemos um problema com o pessoal lá do hospital Santa Aurora... — Fernanda explicou do outro lado da linha, parecendo um pouco aflita.
A mão de Luana, que segurava a xícara de café, parou no ar. Seu olhar se voltou na mesma hora para o rosto de Ricardo, atenta.
Ele ficou em silêncio por alguns segundos antes de responder.
— Desde que ninguém tenha se machucado, está tudo bem. O Valentino não está lá com eles?
Fernanda continuou falando mais algumas coisas, mas Ricardo apenas piscou, sem demonstrar o menor sinal de nervosismo.
— Não precisa envolver o departamento jurídico por enquanto. Vamos primeiro sondar a situação real do Santa Aurora antes de tomar qualquer atitude. Além disso, com o Valentino por perto, ele vai ensinar a Liliane como sair dessa enrascada.
— A sua habilidade de se enturmar não é das melhores? Faça de forma idêntica ao que você fez quando estávamos na fábrica de remédios.
Diante dessa resposta, a garota engoliu seco, sem ter como retrucar.
Pouco tempo depois, Liliane foi até uma padaria próxima, comprou alguns copos de café expresso bem forte e caminhou até a farmácia do hospital, batendo de leve na porta de vidro.
Ao empurrar a porta para entrar, ela encontrou vários estagiários e enfermeiras de cabeça baixa. A maioria estava dividida entre separar os medicamentos em caixas e anotar informações nas pranchetas.
Uma das enfermeiras virou o rosto e a encarou com desconfiança.
— Você está procurando alguém?
Liliane tirou os óculos escuros e abriu um sorriso amigável.
— Sou eu.
Os estagiários interromperam o que estavam fazendo e olharam na direção dela, trocando olhares confusos entre si.
A enfermeira, era claro, a reconheceu na mesma hora. Afinal, a garota esteve ali todos os dias durante a fiscalização das contas. Além disso, ela sabia muito bem como aqueles machucados no rosto de Liliane tinham ido parar ali. Imaginando que a visitante estivesse ali para arrumar confusão com o diretor do hospital, a funcionária tratou de inventar uma desculpa.
— O nosso chefe está de folga hoje, Srta. Liliane. Acho que você não veio em um bom momento. Quem sabe você não tenta voltar outro dia?
— Fique tranquila, eu não vim falar com ele. — Liliane se aproximou e colocou os copos de café quente em cima da mesa balcão. — Comprei isso aqui para vocês. Sei que a rotina de vocês é bem puxada e que foi cansativo acompanhar a nossa papelada nos últimos dias. Vim apenas para agradecer pela paciência.

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: A Mulher que Fez o CEO Mais Frio Chorar na TV
Eu só espero que não role um sequestro dos bebês, essa história já está longa demais!...
estou achando essa história de remédio adulterado muito cansativa, e está se alongando muito, já está na hora de por um ponto final nessa história ....
até que enfim, Luana e Ricardo...
Quantos capítulos tem esse livro, está parecendo novela mexicana, não tem fim, são quantas gerações????...
Como é bom ver Ricardo e Luana que amor lindo, amooo...
Sou negra e feia, mas me valorizo! As brancas deveriam se impor mais ainda e sendo lindas então......
Não consigo mais comprar moedas. Sempre aparece a mesma mensagem com a informação que a compra é inviável pelo lado cliente, mesmo o pagamento sendo por PIX...
Porque não consigo mais ler? Tem mais de 1 semana que li o capítulo 646 e não liberam os outros. Vejo que já tem até o 654....
Como faço pra ler o livro completo tem como comprar por aqui...
Como ler a partir do capítulo 596?...