Depois que a vista acostumou com a falta de claridade, o céu limpo coalhado de estrelas começou a clarear o contorno da serra, e aquela noite que parecia ameaçadora perdeu um pouco do ar assustador. Liliane ergueu o queixo para o alto até o pescoço começar a doer, admirada com aquela imensidão:
— Que coisa linda... Fazia anos que eu não via um céu tão estrelado assim lá na capital.
Valentino acompanhou o olhar da moça para a abóbada celeste e comentou em tom descontraído após alguns instantes em silêncio:
— É, ganha de longe dos postes da avenida.
Ela lançou um olhar torto para ele fingindo zanga, mas sentiu que o pavor acumulado durante toda aquela fuga finalmente dava uma trégua.
Antes que qualquer farol despontasse na curva da pista, a barriga de Liliane roncou alto na calmaria da noite, onde só se ouviam os grilos cantando no capim alto. Valentino abriu a mochila e tirou de lá uma garrafa de água mineral pela metade.
— Bebe um pouco disso para enganar o estômago.
Desde o começo da tarde os dois não colocavam nada sólido na boca e só tinham aquela sobra de água para dividir, sem saber se Sebastião demoraria a localizá-los ou se teriam de passar a madrugada toda ao relento. Liliane umedeceu os lábios ressecados e relutou:
— É melhor guardar para mais tarde... A gente precisa economizar.
— Não precisa guardar nada, bebe logo agora. — Ordenou ele em tom firme, sem dar margem para recusa.
Liliane obedeceu sem discutir, desenroscou a tampa e engoliu dois goles frescos. Enquanto segurava a garrafa, olhou de canto de olho para o rapaz. Sob a luz fraca das estrelas, os traços firmes do rosto dele pareciam impassíveis, mantendo aquela elegância e frieza mesmo jogado na beira de uma estrada deserta, como se já estivesse acostumado com situações extremas e nada mais pudesse tirá-lo do prumo.
Eles esperaram por mais de meia hora até que dois fachos de luz amarelada cortaram a escuridão da serra. O carro diminuiu a marcha no acostamento e parou junto à dupla, revelando Sebastião que abaixava o vidro do motorista com uma expressão aliviada:
— Puxa vida, vocês dois me deram um trabalho danado para achar este lugar!
Liliane sentiu as pernas bambearem de puro alívio, quase indo às lágrimas.
— Graças a Deus, a gente finalmente vai sair deste fim de mundo!
...
Pouco tempo depois, os três pararam na lanchonete de um posto de combustíveis à beira da rodovia.
Tomados por uma fome voraz, Liliane e Valentino devoravam dois copos de macarrão instantâneo fumegante como se fosse um banquete, raspando o caldo até o fundo dos potes sem deixar sobrar nada. Sebastião voltou do balcão com duas garrafas de água mineral e ficou boquiaberto ao presenciar a cena, pensando consigo mesmo: "Parece até que passaram uma semana inteira no cativeiro sem comer nada."

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: A Mulher que Fez o CEO Mais Frio Chorar na TV
Eu só espero que não role um sequestro dos bebês, essa história já está longa demais!...
estou achando essa história de remédio adulterado muito cansativa, e está se alongando muito, já está na hora de por um ponto final nessa história ....
até que enfim, Luana e Ricardo...
Quantos capítulos tem esse livro, está parecendo novela mexicana, não tem fim, são quantas gerações????...
Como é bom ver Ricardo e Luana que amor lindo, amooo...
Sou negra e feia, mas me valorizo! As brancas deveriam se impor mais ainda e sendo lindas então......
Não consigo mais comprar moedas. Sempre aparece a mesma mensagem com a informação que a compra é inviável pelo lado cliente, mesmo o pagamento sendo por PIX...
Porque não consigo mais ler? Tem mais de 1 semana que li o capítulo 646 e não liberam os outros. Vejo que já tem até o 654....
Como faço pra ler o livro completo tem como comprar por aqui...
Como ler a partir do capítulo 596?...