POV: Carttal Azacel
—Já chega —disse, com a voz partida mas firme—. Estou farto, Deymon. Não penso acreditar em você… nem nos seus malditos jogos. Não vou voltar a ser o fantoche de Alexander. Muito em breve vou encontrar o paradeiro dele… e nesse dia vou destruir vocês dois. Ouviu bem? Vou apagá-los do mapa.
Meu polegar já estava sobre a tela, pronto para encerrar a chamada. Mas então eu o ouvi.
—Espera… não desliga. Ou vai se arrepender para o resto da sua vida —disse ele, com aquela calma envenenada que sempre teve—. Desta vez estou dizendo a verdade.
Meu coração parou por um segundo. Mas não falei nada. Apenas apertei o celular com mais força contra o ouvido, como se precisasse me segurar em alguma coisa.
—A mulher… a que Alexander matou naquele dia… não era Aslin.
Minhas pernas quase cederam.
—O quê…? —murmurei, tremendo.
—Não era ela —repetiu, com uma voz que me atravessou como uma lâmina—. Era Jessica. A amante dele. Mandou operá-la para que se parecesse com Aslin. Mesmo rosto. Mesmo cabelo. Tudo igual.
Levei a mão à cabeça. O mundo desabou em um segundo. Minha respiração ficou descompassada.
—Mas… eu vi o corpo. Eu vi, maldição —sussurrei, com os olhos já ardendo de raiva.
—Claro que viu —disse ele—. Era parte do plano. Queriam que acreditasse que Aslin estava morta. Queriam te quebrar. E conseguiram. Mas escute bem, Carttal…
Houve uma pausa. Uma que me gelou o sangue.
—Aslin estava viva naquele momento.
—Onde? —perguntei, quase gritando.
—Em um hospital. Envenenada por essa mesma mulher, Aslin. Quase morreu… mas sobreviveu. Ficou internada por semanas, lutando sozinha. Sem você. Sem ninguém. Mas…
A voz dele baixou.
—O que a matou por dentro… foi te ver nas notícias. Comprometido. Com outra.
Engoli em seco. Senti o coração se despedaçar em mil pedaços.
—Como sabe disso? Onde ela está agora?
—Ela fugiu. Não deixou rastro. Mas Alexander também a está procurando. Quer terminar o que começou.
—Maldito seja! —gritei, socando a parede com o punho fechado.
—Você precisa encontrá-la primeiro, Carttal. Precisa se apressar. Se Alexander a encontrar antes… desta vez ele não vai falhar.
E naquele instante… tudo dentro de mim mudou.
A raiva, a dor, a culpa. Tudo se misturou como um furacão. Faltava-me o ar. Sentia que a alma doía. Porque enquanto eu tentava manter uma fachada de estabilidade… ela estava lá fora. Sozinha. Ferida. Escondida. Achando que eu a tinha esquecido.
—Aslin… —sussurrei, com os olhos fechados e a voz partida—. Onde você está…?
—Você tem pouco tempo —disse Deymon—. Faça por ela. Ou por você. Mas se mexa.
E a chamada caiu.
Fiquei ali, sozinho… com o celular tremendo na minha mão… e o peito em chamas.
Aslin estava viva.
E desta vez… eu não ia perdê-la.

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