Ece acordou em um quarto elegante, com cortinas que deixavam a luz dourada da tarde entrar. Franziu levemente a testa.
—Onde diabos estou? —murmurou para si mesma, sua voz carregada de confusão.
Sentou-se na cama com cuidado e olhou-se no espelho. Um ferimento na cabeça fazia sua nuca doer, e seu rosto refletia irritação e perplexidade. Seus dedos percorreram a região machucada, enquanto a dor a lembrava de que algo grave havia acontecido.
Caminhou até a janela e franziu ainda mais a testa ao contemplar a extensa propriedade que se estendia diante dela. Não estava na cidade; aquele não era o seu mundo. O ar era diferente, pesado, e a tranquilidade que pairava no ambiente contrastava com o caos que ainda sentia por dentro.
Naquele instante, a porta se abriu e uma enfermeira entrou com passos firmes.
—Senhorita, vejo que está acordada. Que bom! —disse com um sorriso profissional. —O senhor lamenta muito pelos inconvenientes.
Ece, ainda atordoada, franziu a testa e perguntou quase em um sussurro:
—O que... o que aconteceu comigo?
—A senhorita sofreu um acidente —explicou a enfermeira em tom calmo. —Ao que parece, estava correndo pela estrada, e o motorista do senhor não a viu. Ele a atropelou.
O coração de Ece acelerou e ela imediatamente se lembrou de tudo. Alarmada, sentou-se na cama e perguntou:
—Onde está minha bolsa?
A enfermeira ergueu as sobrancelhas, abriu o armário e entregou-lhe a bolsa. Ece a pegou, suspirando aliviada ao ver que o dinheiro continuava intacto na mochila.
Lembrou-se claramente do motivo pelo qual estava fugindo: seu desprezível noivo e a família dele a haviam obrigado a se casar com ele. Naquela mesma manhã, a caminho do altar, decidiu fugir, levando apenas uma mochila com alguns milhares que havia roubado do cofre de Rayner.
Durante sua fuga pela cidade, os homens de Rayner Almanzar a perseguiam. Ela se escondeu em uma loja e, desesperada, trocou de roupa, livrando-se do horrendo vestido de noiva. Quando tentava escapar pela estrada, um carro de luxo surgiu em alta velocidade. Ela tentou recuar, mas já era tarde demais.
A enfermeira interrompeu suas lembranças ao estender alguns documentos. Ece os pegou, saindo de seus pensamentos enquanto a mulher explicava calmamente os danos que ela havia sofrido na cabeça.
—Ao realizarmos os exames, descobrimos que há metais incrustados em sua nuca —explicou. —O acidente agravou a situação.
Ece leu os documentos atentamente. Como médica, compreendeu a verdadeira gravidade do que tinha diante de si. Aqueles metais incrustados não eram um acidente do destino: haviam sido colocados por aquele miserável do Rayner quando ela tentou escapar.


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