Liam deu um sutil aceno de cabeça para a enfermeira, que entendeu o sinal imediatamente e saiu do quarto, fechando a porta atrás de si com um clique seco. A tensão no ar tornou-se quase palpável; o silêncio era quebrado apenas pela respiração entrecortada de Ece e pelo leve rangido da cama ao se mover.
Naquele instante, Brian apareceu pela porta, aproximando-se com passos firmes e seguros, os olhos fixos em Ece. Sua voz, baixa e carregada de curiosidade, ressoou com força:
—Como você conseguiu este colar?
Ece olhou para ele com a testa franzida, sentindo o coração bater acelerado. Seu instinto lhe dizia que qualquer resposta deveria ser calculada; um movimento em falso e tudo o que havia conquistado até aquele momento poderia desmoronar em questão de segundos. Seus olhos percorreram o rosto de Liam, tentando avaliar a intenção por trás daquela pergunta, enquanto sua mão se tensionava junto ao peito.
Aproveitando um momento de distração, Ece tentou arrancar o colar das mãos de Liam, seus dedos mal roçando a superfície metálica e fria. Mas Liam, com um movimento calculado, ergueu o braço, deixando-o fora do alcance de Ece. Seu sorriso, quase imperceptível, era ao mesmo tempo debochado e frio, como se estivesse apreciando cada segundo daquela situação.
—O que você tem a ver com isso?! Esse colar é meu, devolva-o —exclamou Ece com voz firme, embora carregada de medo.
Entretanto, Liam não se alterou. Manteve a mesma calma calculista, seu olhar penetrante fixo nela, como se tentasse decifrar sua mente.
—Primeiro me diga... qual é o seu nome? —perguntou em voz baixa e cortante.
Ece empalideceu instantaneamente. Sua verdadeira identidade era perigosa demais para ser revelada. Se dissesse seu nome, tudo estaria perdido; sua vida, sua liberdade, a fuga cuidadosamente planejada... tudo poderia desaparecer. Por reflexo, com o coração disparado, mentiu:
—Meu nome é... Cecilia —disse com a voz trêmula, quase em um sussurro.
Ao ouvir aquilo, Brian franziu a testa, e seu semblante se tingiu de decepção. Seus olhos, que procuravam a verdadeira Ece, se arregalaram de incredulidade ao perceber que aquela mulher não era a garota que esperava. Surpresa e decepção se misturaram em sua expressão e, por um instante, a tensão no quarto pareceu duplicar.
Liam, por sua vez, observava cada gesto, cada piscar e cada tremor de Ece. Sua testa se franziu e, sem aviso prévio, segurou a jovem pela gola da camisa e a prensou contra o armário com um golpe firme e controlado, certificando-se de que ela entendesse que ele não estava brincando.
—Então me diga, de uma vez... como conseguiu o colar? —sua voz era baixa e perigosa, e cada palavra parecia pesar toneladas. —Não tente mentir para mim.
Os olhos de Ece se arregalaram de terror. A força de Liam era avassaladora, e o medo a paralisava; ainda assim, ela não conseguia deixar de olhá-lo, como se estivesse presa entre a fascinação e o desespero. Apesar de sua beleza e da maneira como seus cabelos caíam sobre os ombros, seu medo era evidente. Por um instante, um suspiro involuntário escapou de seus lábios, enquanto seu corpo tremia sob a pressão do homem à sua frente.
—Meu avô... mentiu —tentou responder, esforçando-se para manter a compostura, mas sua voz soava fraca e trêmula.
—Você está mentindo! —interrompeu Liam com uma fúria contida, seu olhar fulminante fixo nela. —Você é uma ladra. Roubou o colar.
Ece balançou a cabeça veementemente, tentando convencer a si mesma de que a verdade ainda poderia protegê-la. Seu coração batia acelerado, e cada segundo que passava fazia com que se sentisse mais vulnerável, mas também mais determinada a não ceder diante daquele homem tão implacável.

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