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A noiva rejeitada romance Capítulo 295

POV: Cecilia Hernández

A manhã chegou com um sol tímido que atravessava os enormes janelões do quarto. Levantei-me lentamente, sentindo cada músculo do meu corpo tenso. Dormir havia sido impossível; cada rangido da mansão, cada passo distante dos criados fazia com que eu me sobressaltasse. Liam não havia retornado ao quarto naquela noite, e isso me deixou com um estranho alívio misturado à ansiedade.

O café da manhã estava marcado para as nove horas e, enquanto me vestia com as roupas que os criados haviam preparado para mim, senti um nó no estômago. Era uma peça elegante, delicada, que de maneira alguma me representava. Mas eu precisava usá-la; precisava aparentar ser a noiva perfeita. Não havia alternativa.

Ao sair do quarto, desci pela escadaria de mármore, respirando fundo para acalmar os nervos. O aroma de café recém-preparado e pão assado pairava no ar e, por um instante, quis pensar que aquele era um dia normal, que eu não estava presa em uma farsa que me fazia tremer de medo e raiva. Mas os passos firmes de Liam, seguindo-me a curta distância, fizeram-me voltar à realidade.

A sala de jantar era enorme, com uma janela que dava para os jardins perfeitamente cuidados. A luz da manhã iluminava cada detalhe: as toalhas de mesa brancas, a louça impecável, a disposição dos talheres, que parecia calculada até o último milímetro. E lá estava ela: Aslin. Perfeita, elegante, impecável, com seus olhos verdes observando-me enquanto eu me aproximava da mesa. Seu sorriso era gentil, e eu sabia que cada gesto seu avaliava até o menor detalhe do meu comportamento.

— Bom dia — disse ela suavemente, inclinando levemente a cabeça. — Fico feliz em vê-la tão cedo, Lia.

O tom de sua voz fez meus ombros ficarem tensos. “Lia”, pensei, e o nome soou estranho em minha boca; fazia parte do papel que eu precisava interpretar, mas ainda tinha dificuldade para me acostumar com ele. Assenti com um sorriso contido, tentando transmitir naturalidade enquanto meu coração batia com força.

— Bom dia, senhora Aslin — respondi, tentando parecer tranquila, embora cada palavra fosse um esforço.

Liam já estava sentado à mesa, diante de mim, com aquele olhar frio que avaliava cada movimento meu. Ele não me dirigiu uma única palavra, mas o simples fato de seus olhos me acompanharem lembrou-me de quem estava no controle. Sentei-me no lugar que parecia ter sido designado para mim, tentando ignorar a tensão que percorria meus braços e minhas pernas.

— Então, conte-me — disse Aslin enquanto servia café. — Como você conheceu Liam?

Minha mente ficou em branco por um instante. A história que eu inventara precisava ser convincente, rápida e simples. Respirei fundo, baixando o olhar por alguns segundos para organizar meus pensamentos. Precisava soar natural, crível.

— Foi… um acidente — comecei, com um leve tremor na voz. — Eu estava em perigo e… ele me salvou. Desde então… bem, não consegui evitar me apaixonar.

Aslin olhou para mim com curiosidade, erguendo levemente as sobrancelhas. Liam, por sua vez, franziu ligeiramente a testa, como se avaliasse se eu estava cumprindo meu papel. Senti meu coração bater com força. Cada segundo contava; qualquer deslize poderia me denunciar.

— Um acidente? — repetiu Aslin, com interesse genuíno, inclinando-se ligeiramente em minha direção. — Que tipo de acidente?

— Eu caí de uma escada… — disse com um suspiro contido. — Ele estava ali por acaso e… me ajudou. — Fiz uma pausa, tentando fazer minha voz soar o mais natural possível. — A partir daquele momento, soube que não havia outra pessoa para mim.

Aslin sorriu e, por um instante, senti um alívio desconfortável; sua expressão não parecia desconfiada.

— Que romântico — murmurou. — É um destino muito curioso, não acha?

Liam estreitou os olhos, claramente avaliando cada palavra que eu dizia. Pude sentir o peso de seu olhar sobre mim, lembrando-me de que não havia margem para erros. Inclinei-me um pouco para a frente, segurando minha xícara de café com as mãos trêmulas, e assenti.

— Sim… curioso — respondi, com um fio de voz que tentei disfarçar.

O café da manhã continuou em um silêncio tenso, interrompido apenas pelos suaves ruídos da louça e pelos comentários neutros de Aslin sobre o preparo da comida. Tentei manter uma conversa leve, respondendo com frases curtas e sorrisos calculados. Cada palavra era um exercício de sobrevivência, cada gesto, um ato de equilíbrio entre fingir naturalidade e preservar minha própria segurança emocional.

— Lia, quais são seus planos para hoje? — perguntou Aslin, inclinando-se um pouco em minha direção, com aquele olhar de mãe curiosa.

Meu coração deu um salto. Planos. Isso implicava decisões, movimentos, ações que poderiam me denunciar. Respirei fundo e respondi com a primeira ideia que me veio à mente:

— Bem… estava pensando em explorar um pouco os jardins — disse, tentando parecer despreocupada. — Liam me mostrou algumas partes, mas ainda há áreas que não conheço.

Aslin assentiu lentamente, como se aprovasse minha resposta, e Liam simplesmente me observava, com o queixo erguido, avaliando cada detalhe do meu comportamento. Era evidente que estava medindo não apenas o que eu dizia, mas também como dizia.

Enquanto servia mais café para si mesma, Aslin comentou:

— É bom que vocês dois passem tempo juntos. É importante que se conheçam antes do casamento.

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