Não me lembro de como terminei diante da porta de seu escritório. Tudo aconteceu tão rápido que mal percebi que estava ali, com o coração golpeando meu peito e os punhos cerrados. A voz de Aslin continuava ecoando em minha cabeça: “O casamento será daqui a dois dias”.
Dois dias. Eu sequer tivera tempo de entender o que sentia por aquele homem, e ele já pretendia me transformar em sua esposa. Fosse fingido ou não, aquele casamento estava me arrastando para algo que eu não podia controlar.
Bati à porta uma vez. Depois outra. E, quando não obtive resposta, abri sem permissão.
Liam ergueu os olhos dos documentos, surpreso com a minha invasão. Sua expressão mudou imediatamente, tornando-se fria e impenetrável, como sempre.
— Cecilia — disse simplesmente, apoiando a caneta sobre a mesa. — O que está fazendo aqui?
Fechei a porta atrás de mim e cruzei os braços, tentando manter a calma, embora sentisse minha voz tremer de pura raiva.
— Poderia começar me explicando por que decidiu antecipar o casamento sem sequer me consultar?
Suas sobrancelhas se ergueram, apenas um milímetro.
— Não achei que fosse necessário. É um acordo, não um romance.
— Um acordo? — repeti, dando um passo em sua direção. — E a minha opinião não conta nesse acordo? Por acaso pensa que pode manipular a minha vida como se fosse um dos seus negócios?
Liam levantou-se lentamente, contornando a escrivaninha até ficar diante de mim. Sua presença era avassaladora e, embora não elevasse a voz, cada palavra sua cortava como gelo.
— A sua vida, Cecilia, já está ligada à minha desde o momento em que aceitou ser minha prometida. Você sabia o que isso implicava.
— Eu aceitei fingir — retruquei, dando outro passo, desafiando-o. — Não me tornar uma marionete.
Um silêncio denso se espalhou entre nós. Seu olhar desceu por um instante até meus lábios e depois voltou a subir, fixo e intenso. Senti o ar ficar pesado, carregado de algo que eu não queria reconhecer.
— Por que isso importa tanto para você? — perguntou de repente, com a voz mais baixa, quase num sussurro. — Pensei que nada disso significasse alguma coisa para você.
Sua pergunta me desarmou.
— Porque... — minha voz vacilou, e odiei que ele percebesse. — Porque eu mereço uma explicação. Não vou me casar com um homem que toma decisões por mim.
Um sorriso quase imperceptível surgiu em seu rosto, mas não era gentil; era um sorriso de poder.
— Você não precisa entender minhas razões, Cecilia. Apenas cumprir o seu papel.
Senti algo dentro de mim se quebrar.
— Então espero que saiba — disse, dando um passo para trás — que não sou uma mulher que se deixa usar. Se pensa que pode me controlar, está enganado.
Liam me encarou com uma mistura de fúria contida e algo mais... algo que parecia desejo, frustração ou talvez medo.
— Não teste a minha paciência — advertiu em voz baixa. — Você não faz ideia do que sou capaz de fazer se decidir me desobedecer.
Olhei para ele uma última vez, sustentando seu olhar com toda a força que me restava.
— Você também não faz ideia do que sou capaz, Liam.
E saí, deixando que o eco dos meus passos fosse a minha única resposta.
POV: Liam Azacel
A porta se fechou com um golpe seco, deixando para trás o eco de suas palavras como uma ferida aberta.

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