A OBSESSÃO DO PRIMEIRO-MINISTRO PELA BABÁ INSOLENTE. CAP.138
CAPÍTULO CENTO E TRINTA E OITO — QUEM ESTEVE AQUI?
VICTOR BALTIMOR.
VICTOR BALTIMOR.
Meu olhar foi direto para a porta do quarto. O cheiro estava ali, aquele perfume. Não era forte, mas era inconfundível.
Tentei me mover na cama na intenção de me sentar, mas uma dor muito forte veio com o movimento. Meu coração começou a bater mais rápido enquanto eu inspirava devagar, pois até respirar forte doía tudo.
Passei a mão pelos cabelos, sentindo uma leve pressão na cabeça.
— Isso não faz sentido… — murmurei.
— Como alguém teria entrado aqui sem que eu percebesse? Sempre tive o sono leve. Mas devo considerar que estou numa cama de hospital e, com certeza, eles me deram algum analgésico para dor que me deixou sonolento.
Meu olhar percorreu o quarto inteiro, como se eu esperasse encontrar alguém escondido ali, mas nada.
Apenas o silêncio do hospital. Mas o perfume continuava ali. Respirei devagar, tentando organizar os pensamentos.
— Isso não pode ser só um sonho… — murmurei para mim mesmo.
Olhei novamente para a porta.
Tenho certeza de que alguém havia estado ali. Falando comigo. Meu coração bateu mais forte ao lembrar das palavras. “Eu te amo.”
Fechei os olhos por um segundo.
— Droga… — murmurei.
Nesse momento, a porta do quarto se abriu. Levantei o olhar imediatamente.
Thomas entrou primeiro. Logo atrás dele vinha minha mãe. Os dois pararam assim que me viram acordado, olhando fixamente para a porta.
— Victor? — disse Thomas, franzindo o cenho. — Tudo bem?
Minha mãe se aproximou rapidamente da cama.
— Meu filho… você está bem?
Eu não respondi imediatamente. Ainda olhava para a porta. Mas, notei quando minha mãe e meu irmão trocaram um olhar rápido, claramente preocupados com meu comportamento.
— Victor? — repetiu Thomas, um pouco mais firme.
Finalmente olhei para eles.
— Quem esteve aqui?
Os dois ficaram em silêncio por um segundo.
— Como assim? — perguntou minha mãe.
— Enquanto eu dormia — continuei, mantendo o olhar fixo neles. — Quem entrou neste quarto?
— Perfume? Eu não sinto nada.
Assenti.
— Tem sim, eu posso sentir. Não é forte nem enjoativo.
Minha mãe pareceu hesitar.
— Deve ser de alguma enfermeira.
Balancei a cabeça novamente.
— Não. Os funcionários sabem que é proibido usar perfume e cosméticos com cheiro em meus hospitais, para não incomodar ou prejudicar os pacientes. — declarei. Minha voz saiu mais firme dessa vez.
— Eu não sinto nada, querido. Talvez seja o meu perfume — disse mamãe e trocou um olhar novamente com meu irmão.
Pude ver a apreensão nos olhos da minha mãe.
— Não é o seu perfume, mãe. Eu o conheço muito bem. É outro aroma, parece jasmim do campo — respondi firme e também mentalmente surpreso por saber o nome daquela flor.
— Como pode ter tanta certeza disso? — perguntou Thomas.
Olhei novamente para a porta. As imagens do sonho voltaram à minha mente com força. A mulher estava chorando. A voz dela. Cada palavra dita estava gravada em minha mente. Meu peito apertou sem eu entender exatamente o motivo.
— Porque eu já senti esse perfume antes.

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